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Para coronel, restaurantes têm de gastar com segurança

Ele diz ainda que, além de analisar comida e higiene, cliente deve ver se local tem vigias
William Cardoso – O Estadão de S. Paulo – O Estado de S.Paulo

SÃO PAULO – Para o tenente-coronel João Luiz Campos, comandante do 7.º Batalhão da Polícia Militar, responsável por Higienópolis, os clientes “precisam começar a escolher os restaurantes que frequentam levando em consideração também a segurança oferecida pelo local”. “Além da qualidade da comida e da limpeza, é preciso também saber se oferece seguranças e câmeras, por exemplo”, disse.

Segundo o tenente-coronel, o público que frequenta os restaurantes do bairro é o alvo preferido dos assaltantes, por andar com objetos como iPhone e relógios valiosos. Ele fala também que ninguém gosta de ficar em um restaurante com um vigia observando tudo, mas muitas vezes isso é necessário.

“Existe um investimento em segurança que significa também um custo em relação ao conforto. Tem de começar a fazer essa conta para ver o que vale a pena”, afirma o PM.

O coronel falou também que a Rua Sergipe não era, até então, um local que representasse preocupação para a Polícia Militar. Ele explicou que o policiamento é destacado a partir dos boletins de ocorrência e de reuniões com os conselhos de segurança, por isso, é importante também o envolvimento da população com o assunto. “Polícia nenhuma no mundo consegue resolver tudo.”

Além da mudança no efetivo, o tenente-coronel disse que conversou com o sindicato de bares e restaurantes para fazer seminários alertando como se proteger em situações como os arrastões.

Pânico
Os dois arrastões desta semana já provocam mudanças na rotina de alguns moradores de Higienópolis, que relatam pavor e medo de também serem atingidos pela onda de insegurança. “Estou apavorada. Meu filho, que sempre vai sozinho para a escola, hoje (ontem) à tarde já foi acompanhado”, afirmou a psicóloga Márcia Lazzarotto, de 48 anos.

Colega de Márcia, a também psicóloga Denise Montroni, de 47 anos, teme que o bairro perca parte de sua identidade com a recente onda de violência. “É preocupante. Aqui é um bairro em que costumamos fazer tudo a pé, não podemos perder isso”, disse. O cozinheiro Erivan Camilo, de 36 anos, afirmou que nunca foi vítima de arrastão, mas que se preocupa todos os dias com essa possibilidade. “Graças a Deus, nunca aconteceu. Mas, se acontecer, não vou reagir. Acho que a segurança é muito fraca; falta polícia nas ruas”, afirmou.

A avaliação é semelhante à da chefe de bar Dani Pelayo, de 22 anos. “Deveriam investir mais em segurança. A polícia poderia passar mais vezes.”

Rotina
A preocupação com os arrastões mudou também a forma de atuação dos seguranças do bairro na última semana. É o caso de Arnaldo Caetano Júnior, de 31 anos, que trabalha em uma locadora. “Com os arrastões, sempre converso com o pessoal que trabalha nos condomínios da frente, trocando informação sobre quem passa na rua.

A partir das 22h, também não posso mais ficar parado no mesmo lugar, circulo bastante, para não ser um alvo fácil.”

Entre os manobristas, sempre os primeiros a serem feitos reféns pelos ladrões, também existe o medo de serem as próximas vítimas. “Não dá para diferenciar o bandido do cliente, porque eles chegam em bons carros e bem vestidos. Temos de atender a todos muito bem, por isso é perigoso”, diz Augusto Francisco dos Santos, de 32 anos.

O publicitário Sidney Haddad, de 52 anos, vê os arrastões em Higienópolis como parte de tudo o que acontece na cidade. Ele disse que também sai à noite com frequência. “Como vai controlar tudo isso? O que você pode fazer”, questionou.

“A gente tenta evitar de todas as maneiras, sempre troca informações com os outros restaurantes. Mas é algo que não cabe a nós. Vamos esperar que seja algo passageiro”, disse Renato Ades, dono de um restaurante.

O restaurante Carlota abriu normalmente ontem e alguns dos clientes se mostraram surpresos com o fato de o lugar ter sido alvo de um arrastão na noite anterior.

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