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O desafio da proteção

Por Sérgio Tauhata
Os irmãos Claudio e Marcos Berthault frustraram um arrombamento na casa de um deles por meio de um sistema de câmeras de vigilância que permitia o monitoramento do local pela internet.

Em uma manhã de janeiro, como faz todos os dias ao chegar ao seu escritório na Vila Mariana, bairro da zona sul da capital paulista, o empresário Marcos Berthault, deu uma espiada nas imagens de sua residência no outro lado da cidade, na Zona Leste. Aquela verificação logo cedo se tornara quase um ritual de segurança, desde que havia sido assaltado um ano antes. Após o episódio, que lhe rendeu um prejuízo de “alguns milhares de reais”, Berthault decidiu instalar um sistema de quatro câmeras ligadas a um servidor de internet que lhe possibilitava ver à distância e em tempo real as imagens a partir de qualquer computador ou celular.

Naquela manhã, à primeira vista, ele nada percebeu de diferente. Levantou-se, tomou um café e voltou à mesa de trabalho. Uma nova olhadela antes do batente, no entanto, mostrou o que ele mais temia desde o início da vigilância: de um modo suspeito, um carro havia acabado de estacionar bem em frente à sua casa, sobre a calçada. Alarmado, chamou o irmão e sócio Cláudio para ver também. Os dois presenciaram toda a ação pela internet.

Na tela do computador, viram um rapaz sair do automóvel e acionar insistentemente a campainha. Após verificar não haver ninguém no imóvel, o visitante chamou outra pessoa, que passou a forçar a porta com um tipo de ferramenta. Assim que o roubo começou, os Berthault telefonaram para a polícia. “Avisei logo de cara ao atendente: estamos assistindo ao vivo alguns sujeitos arrombando a porta da residência do meu irmão”, conta Cláudio. Em menos de 10 minutos uma viatura da Polícia Militar chegou ao local. Por pouco, os ladrões não foram mais rápidos: tinham acabado de sair quando a unidade da PM os alcançou. Os oficiais conseguiram prendê-los em flagrante.

Para especialistas, o caso do empresário paulistano mostra como a proteção de bens vai muito além do cofre. “Existe um mito de que cofre é sinônimo de segurança. Mas um equipamento desses em casa pode até aumentar o risco para os moradores”, afirma Tatiana Diniz, diretora da Associação Brasileira de Profissionais de Segurança (ABSEG).

Guardar bens – como joias, relógios ou dinheiro – em casa requer mais que uma caixa blindada. “Cada tipo de ambiente exige um planejamento específico, que poderia incluir alarmes, sensores, câmeras e monitoramento externo”, afirma Roberto Costa, diretor de Cursos da ABSEG.

Ter um cofre é apenas parte de uma solução – entre várias possíveis – para a guarda de bens. E com ressalvas. “Apenas estar dentro do compartimento não significa que os objetos estão fora do alcance. Muitas pessoas deixam de executar procedimentos básicos, como fixá-lo na parede ou no chão”, diz o consultor Marcy de Campos Verde, com especialização Certified Protection Professional (CPP) pela American Society for Industrial Security.

Foi o que aprendeu em fevereiro um empresário da cidade baiana de Cruz das Almas. O comerciante, que tem a identidade mantida sob sigilo pela polícia, guardava parte do faturamento de seu empreendimento em um cofre dentro da própria residência. Durante uma viagem com a família, ladrões invadiram a casa, encontraram o equipamento de segurança e não tiveram dúvidas: levaram-no em um dos veículos que estavam garagem. Semanas mais tarde, a polícia encontrou a peça com a porta arrombada e sem os R$ 180 mil guardados em seu interior.

Em situações nas quais os bens têm valor muito alto – joias de herança, relógios raros, metais preciosos ou itens de coleção – e precisam ser guardados sem limite de tempo, especialistas sugerem até mesmo transformar um imóvel à parte em uma espécie de caixa-forte. “Hoje é comum a blindagem de quartos em um ambiente longe da casa e a criação de sistemas sob medida que podem incluir cofres com leitores biométricos, câmeras e sensores”, afirma o consultor Emir Pinho.

A combinação de soluções como sensores de movimento ou pressão, para identificar uma tentativa de levar o cofre, com câmeras de vigilância remota é uma das recomendações dos profissionais para evitar eventuais roubos. “Em qualquer objeto que a pessoa queira proteger é possível instalar um sensor. E o monitoramento tem de ser externo”, explica Tatiana, da ABSEG.

O risco de perdas de bens guardados em bancos, embora muito menor que em uma residência, existe. Em agosto de 2011, uma quadrilha com 12 assaltantes conseguiu roubar 170 cofres de aluguel em uma agência do Itaú Unibanco, em plena Avenida Paulista, em São Paulo. Durante uma madrugada, o grupo entrou no subsolo para saquear as caixas blindadas. A polícia conseguiu prender, meses mais tarde, vários integrantes do bando. Mas ficou uma preocupação a mais para quem busca segurança para os bens, embora alguns especialistas ainda considerem os cofres bancários a melhor opção, apesar da possibilidade de ocorrências similares.

A consultora Tatiana, da ABSEG, é uma das que defende o aluguel de cofres em instituições bancárias como a opção mais segura, mesmo com a possibilidade de assaltos a agências. “Deixar bens no cofre de casa pode colocar a família em risco”, diz ela. Ou seja, no banco, se acontecer algo, será só com os bens e não com as pessoas.

O consultor Emir Pinho aponta como uma opção para proteção de bens o uso dos serviços de uma empresa especializada em guarda e transporte de valores. Para os casos nos quais a pessoa tenha de manter seus pertences e documentos em segurança por um tempo limitado, esse tipo de custódia pode ser mais vantajosa que as caixas de aluguel dos bancos. As empresas do gênero costumam ter processos mais rígidos que os próprios bancos e mantêm seguro para itens sob sua guarda. “Mas o custo é mais alto que o de cofres de aluguel. Além disso, não seria indicado para quem precisa ter acesso constante aos bens, no caso de joias, por exemplo.”

Quem já montou sua própria solução caseira para a guarda de bens deve ficar atento a alguns pontos. Diversificar os locais é uma das dicas. “A pessoa deve manter dois ou mais cofres. Um dos quais falso, que pode ser usado para dissimular, com conteúdo de algum valor ou com peças de uso dia a dia”, explica o consultor Roberto Costa.

Camuflar os equipamentos é outra providência. “Quanto mais discreto, melhor. Um erro é deixar o cofre exposto”, afirma o especialista Marcy de Campos Verde.

Criar processos e controles de acesso é essencial para diminuir os riscos. “O sistema mais moderno vale pouco se as pessoas que têm a ‘chave’ do cofre não estiverem protegidas também”, diz Tatiana Diniz, da ABSEG. Para isso, algumas precauções ajudam, como ter um serviço externo de monitoramento 24 horas, além de treinar e estabelecer limites de acesso aos empregados. Afinal, informações em ouvidos errados podem multiplicar as chances de seu patrimônio virar um alvo.

Publicado no Jornal Valor Econômico – Caderno Eu&Investimento

Crescimento das câmeras IP no Brasil

Há alguns anos atrás, dar uma espiadinha no que acontece em sua casa de qualquer lugar do mundo, evitar um assalto mesmo longe de casa ou então descobrir o que acontece em sua casa quando você está fora era quase impossível, mas com as câmeras IP, isso se tornou tarefa fácil.

Esses equipamentos revolucionaram o mercado de segurança eletrônica, e trouxeram facilidades. Com apenas um computador, acesso à Internet de alta velocidade e câmeras IP tornou-se possível montar um sistema completo de vigilância. Com a ajuda de softwares, as câmeras IP são verdadeiros olhos mágicos digitais que transmitem áudio e vídeo para um computador ou diretamente para a Internet, permitindo que se tenham imagens ao vivo e simultaneamente. Possuem recursos de visualização, controle, monitoramento e gravação.

Os modelos de câmeras IP consistem basicamente de um sensor de imagem, circuito de análise e processamento de vídeo, servidor de vídeo web e interface de rede, integrados no mesmo equipamento com funções e programação otimizados para uma operação em conjunto com sistemas de rede.

Um dos grandes diferenciais entre estes equipamentos e os modelos analógicos é que elas possuem uma comunicação através de redes ethernet, utilizando protocolos de transmissão de dados, baseados principalmente em TCP/IP.

Outro ponto importante é a questão das imagens. Enquanto uma câmera convencional digital tem uma resolução máxima de 640 x 480, com aproximadamente, 0,3 Megapixel, uma câmera IP poderá ter resoluções de até 2592 x 1944 ou aproximadamente 5 Megapixel.

Com resoluções desta dimensão, a capacidade de reconhecimento e verificação de detalhes em uma imagem fica muito facilitada, mas, acima de tudo são possíveis novos recursos como movimentação no escopo da área de visualização e zoom em parte da imagem. Os modelos mais recentes ainda contam com uso de luz infravermelha para uso noturno.

Apesar de tanta tecnologia, especialistas em segurança destacam que a maioria das redes e conexões de internet ainda não está preparada para gerenciar o tráfego gerado por imagens destas dimensões, e por isso é muito importante uma análise criteriosa na escolha do sistema.

As aplicações das câmeras IP são as mais diversas. Para uso doméstico, elas podem oferecer o monitoramento de crianças, animais, empregados, entre outras funções. Alguns modelos ainda possibilitam a saída de áudio e a pessoa pode do outro lado, falar pelo microfone do computador, enquanto o som sai pela câmera. Já no caso de empresas, o monitoramento 24 horas garante maior segurança.

Hospitais, parques, locais de trânsito de carros e pessoas, escolas, podem contar com recursos como o zoom e foco automático, que ajudam na detecção da pessoas em caso de roubo. As imagens capturadas podem ser de grande ajuda na identificação de suspeitos.

A câmera IP foi criada pelo engenheiro sueco, Martin Gren que lançou o primeiro modelo em 1996. Projetada para transmitir imagens via rede e desbancar os modelos analógicos, a Axis 200, primeira câmera IP lançada no mundo, ditou os passos que o mercado daria a partir daí, e mostrou que era possível embutir nos aparelhos um mini-servidor Web que permitia assistir às imagens ao vivo de qualquer lugar do mundo.

Hoje, quinze anos depois, podemos afirmar que a aposta de Martin e sua equipe deu certo. O mercado de câmeras IP não para de crescer em todo o mundo e a expectativa é de que ele movimente cerca de US$ 2,5 bilhões em 2011.

E o mercado de câmeras IP no Brasil vai muito bem. O país é um dos mais avançados na transição da tecnologia analógica para a digital.

Segundo Projeções da empresa de análise IMS Research, o setor de câmeras IP no Brasil, terá, pelo menos até 2012, o crescimento mais acelerado de todo o continente americano. É aqui onde as câmeras IP se igualarão às analógicas primeiro, e isso deve acontecer até o fim de 2012, segundo o levantamento.

Ainda de acordo com a IMS Research, o mercado de câmeras de segurança analógicas terá uma taxa composta de crescimento anual de apenas 1,3% entre 2009 e 2014 na América Latina. Por outro lado, a previsão é que o mercado de câmeras de segurança em rede tenha uma taxa composta de crescimento anual de 39,2% no mesmo período.

Revista Segurança e Cia