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Posts Tagged ‘ Cárcere privado

20 mil mulheres denunciaram sofrer violência diária em 2012

Quase 60% – ou 20 mil pessoas – das mulheres que relataram, no primeiro semestre de 2012, casos de violência no telefone 180 descreveram sofrer violência diária. O número faz parte de relatório da Secretaria de Políticas para as Mulheres divulgado nesta terça-feira, 7, dia que marca os seis anos de vigência da Lei Maria da Penha.

Em 89% dos casos, a violência denunciada foi praticada por companheiros ou ex-companheiros das pessoas agredidas. E, em quase metade dos (42%) dos relatos, o vínculo entre o casal era superior a 10 anos.

No primeiro semestre deste ano, o telefone recebeu, ainda, 211 denúncias de cárcere privado – uma média de mais de um caso por dia.

Em 39% dos casos, houve relato de violência psicológica ou moral e, em 2%, as vítimas disseram sofrer de violência sexual.

O número 180, da Central de Atendimento à Mulher da Secretaria de Políticas para Mulheres, presta orientações para mulheres que sofrem qualquer tipo de violência. O serviço funciona 24 horas, todos os dias da semana, inclusive finais de semana e feriados.

O Estado de S.Paulo

Polícia procura suspeitos de assalto a joalheria em Sorocaba, SP

Trabalho pericial deverá auxiliar nas investigações da Polícia Civil.
Criminosos sequestraram gerente e seus dois filhos.

A Polícia Civil investiga o assalto a uma joalheria de Sorocaba (SP), ocorrido na manhã desta quinta-feira (10). Para realizar o crime, a quadrilha sequestrou e manteve em cárcere privado a gerente da loja e seus dois filhos, em Votorantim (SP), onde ela mora. De acordo com a Polícia Militar, que atendeu a ocorrência, ninguém foi detido.

O sistema de videomonitoramento do município, que é controlado pela Guarda Civil Municipal, registrou o momento da chegada dos criminosos à joalheria, que fica na região central, no final da madrugada. As ruas vazias facilitaram a ação da quadrilha, que utilizou a chave da gerente para invadir o local. A vítima não soube estimar a quantidade de joias que foram roubadas. Eles fugiram e deixaram a gerente no local.

“Não saber o que tinha acontecido com meus filhos foi a pior parte de tudo”, conta a vítima. Ainda segundo ela, os bandidos aguardaram até a troca de turno da PM para agir. A gerente e seus filhos estavam bastante abalados, mas estiveram na delegacia para acompanhar o registro da ocorrência.

Crime
Por volta das 19h de quarta-feira (9), a vítima foi abordada no portão de sua residência, em Votorantim, quando chegava do trabalho. Um grupo com vários homens armados a levaram para dentro da casa, onde estavam seus filhos. Às 4h, dois dos bandidos saíram com os adolescentes de carro. De acordo com o relato da própria vítima, os criminosos a ameaçaram de morte, caso tentasse entrar em contato com a polícia.

Uma hora depois, o restante da quadrilha colocou a gerente em seu próprio carro, levando-a até a joalheria, em Sorocaba. Com a chave da loja, eles entraram e fizeram o roubo. Logo após, os filhos da vítima foram soltos na Vila Garcia, em Votorantim.

O carro utilizado para transportar as crianças foi encontrado totalmente queimado na Chácara Ondina, também em Votorantim. A equipe pericial do Instituto de Criminalística esteve no local para coletar possíveis pistas. A ocorrência foi registrada na delegacia da cidade.

Segundo o delegado responsável pelo registro da ocorrência, a ação dos criminosos deixa claro que todo o assalto foi bem planejado e que eles conheciam a rotina da gerente. Com o laudo da perícia (que deverá sair em até 30 dias) e as imagens de segurança, a Polícia Civil dará início às investigações.

Denúncias de violência doméstica já crescem em toda a capital paulista

Mapeamento inédito revela explosão de registros com o avanço de serviços especializados; em 1 ano, vara pulou de 49 para 2.522 casos

Valéria França – O Estado de S. Paulo

Com base nas estatísticas de 11 fóruns regionais, uma pesquisa inédita mapeou pela primeira vez os índices de violência doméstica contra a mulher em São Paulo. A pesquisa encomendada pela juíza assessora da presidência da Seção Criminal do Tribunal de Justiça de São Paulo Maria Domitila Domingos mostra que este é um problema comum a todas as áreas da cidade – e não só às regiões mais carentes.

“O estudo reforça a necessidade de um trabalho mais especializado”, diz Maria Domitila. Desde que a Lei Maria da Penha foi aprovada, em 2006, a Justiça ganhou instrumentos legais para combater esse tipo de crime.

Muitos casos, no entanto, não chegam ao tribunal. Bem antes disso, ainda na delegacia, caem na vala comum dos crimes, e não raro são encarados como uma “briguinha de marido e mulher”. “É um crime que acontece dentro de quatro paredes e acaba sendo banalizado pela sociedade”, diz a promotora Maria Gabriela Manssur. “Identificá-lo com rapidez pode significar salvar uma vida.”

A preocupação da Justiça é evitar casos como o de Eliza Samudio, que em outubro de 2009 fez um boletim de ocorrência denunciando ter sido agredida e forçada a tomar remédios abortivos pelo então amante, o goleiro Bruno. Nenhuma medida legal foi tomada. Acusado de matar a jovem, Bruno foi condenado a 4,5 anos de prisão por lesão corporal, cárcere privado e constrangimento ilegal em dezembro do ano passado.

Especialização
“Os números reais da violência contra a mulher são superiores ao volume que chega à Justiça”, diz Maria Gabriela. Há dois anos, no Fórum da Barra Funda, foi criada a primeira vara especializada, o Juizado de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher. “Na época, questionava-se se haveria demanda que justificasse seu funcionamento”, lembra a desembargadora Angélica de Maria de Almeida Mello, do Tribunal de Justiça de São Paulo. “Bastou criar um sistema especializado para as denúncias surgirem.”

Quando o serviço abriu as portas eram 49 casos. A vara fechou 2010 com 2.522 inquéritos e processos em andamento. Não por outra razão, o Fórum da Barra Funda aparece no mapa da violência como o campeão em volume de processos e inquéritos, seguido pelo Fórum de Santo Amaro, com 1.595, e Itaquera, 1.385.

Isso não quer dizer que a região do Fórum da Barra Funda seja a com maior número de vítimas, mas sim onde elas encontram recursos mais ágeis e específicos para seguirem com suas denúncias. Ali foi montada uma equipe multidisciplinar, com uma psicóloga e uma assistente social, responsáveis por analisar o caso e encaminhar a vítima e o agressor, quando necessário, para ONGs e serviços públicos, como grupos de dependentes químicos e alcoólicos anônimos, entre outros. A vítima tem facilidades como o direito a um defensor público – e não apenas o réu.

Além disso, a vara concentra os casos da região e de toda capital, quando graves, cujas vítimas correm risco de morte.

Há muitas mulheres que desistem da denúncia. Dependência econômica, pressão do companheiro, filhos e o envolvimento emocional pesam na hora de se defenderem na Justiça. “Não é um crime comum. O agressor é alguém íntimo da vítima”, diz Maria Gabriela. No Fórum de Santo Amaro, apenas 30% dos inquéritos viram processos.

“Esse dado nem sempre avalia agilidade e êxito da Justiça”, diz Aparecida Angélica Correia, juíza da 1.ª Vara Criminal do Juizado da Violência Doméstica e Familiar Contra a Mulher do Fórum Regional de Pinheiros.

Respeito
“As mulheres querem ser respeitadas. Elas chegam esperando uma ação rápida e eficaz da Justiça, mas nem sempre o processo é o melhor caminho, ao contrário, pode levar à perda do emprego do agressor, considerado muitas vezes bom pai, e piorar o drama familiar.”

A juíza tenta resolver a situação com acordos provisórios. “Muitas brigas são motivada pela separação dos bens”, conta. Depois do acordo firmado, ela continua controlando o desenrolar do caso para ver se medidas mais duras serão necessárias.

“Estamos vivendo uma mudança de mentalidade”, diz o juiz Sergio Hideo Okobayashi. “Hoje, nos BOs já existe espaço especial para a Lei Maria da Penha. Mas o machismo é grande.”