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Posts Tagged ‘ Confiança

Quase 80% da população com até dois salários mínimos não confia na polícia

Seis em cada dez pessoas estão insatisfeitas com os policiais, diz pesquisa da FGV divulgada nesta terça-feira
Revista Época com Agência Brasil

A pesquisa Índice de Confiança na Justiça, divulgada nesta terça-feira (15), mostra que 77% da população com renda até dois salários mínimos não confia na polícia. Quando a remuneração é maior que dez salários mínimos, a rejeição cai para 59%. O levantamento, feito pela Escola de Direito de São Paulo da Fundação Getulio Vargas (FGV), ouviu 1.550 pessoas em seis Estados (Rio Grande do Sul, São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Bahia e Pernambuco) e no Distrito Federal, no primeiro trimestre deste ano.

“A explicação mais razoável para esse tipo de resultado é o fato de que a população de renda mais baixa reside em áreas de maior risco. Ela está mais vulnerável à violência urbana e, portanto, a polícia deixa de ser um parceiro no combate à violência. Ela não vê essa ação coordenada, efetiva da polícia nessas regiões”, disse Luciana Gross Cunha, coordenadora da pesquisa e professora da Escola de Direito da FGV.

O levantamento indica ainda que na população com nível de renda entre dois e dez salários mínimos o grau de desconfiança varia entre 65% e 63%. Em termos gerais, o grau de satisfação da polícia é muito baixo. Apenas 36% da população declararam estar satisfeita ou muito satisfeita, ante 63% que responderam insatisfeitos ou muito insatisfeitos.

O estudo também procurou saber quais motivos levam a população a acionar a polícia. O principal foi perturbação ou barulho (24%), seguida por roubos e furtos (23%), denúncias de briga e agressão (19%), acidentes de trânsito e danos materiais (com 7% cada). Os casos envolvendo violência doméstica, pessoas com atitudes suspeitas, tráfico de drogas e socorro a pessoas com problemas de saúde registraram 3% cada um.

A confiança no Poder Judiciário, no primeiro trimestre de 2012, marcou 5,2 pontos, uma queda em relação ao registrado no trimestre anterior, quando registrou 5,3 pontos. A pontuação varia de 0 a 10. “Tem aí uma grande percepção de que as questões envolvendo a morosidade dos processos, custo para acessar o Judiciário, a própria dificuldade de você entrar no Judiciário, tudo isso acabou afetando a prestação de serviço, que passa a ser avaliada de uma forma negativa”, ressaltou a coordenadora.

A pesquisa também avaliou a confiança da população nas demais instituições do Estado. As Forças Armadas lideram o ranking das instituições que a população mais confia, com 73% das respostas, seguida pela Igreja Católica (56%), Ministério Público (55%), grandes empresas (45%) e a imprensa escrita (44%). Depois aparecem o Judiciário, com 42%, e o governo federal, com 40%. Completam o quadro, as emissoras de TV, com 33%, vizinhos, 30%, Congresso Nacional (22%) e partidos políticos (5%).

Dicas de segurança

Preste atenção a estas dicas para evitar a ação de bandidos em algumas situações do seu dia-a-dia:

Assalto em veículo
* Estacionar em lugar movimentado e iluminado.
* Usar sistema de alarme, chave geral e correntes na direção.
* Evitar armas e documentos no porta luvas.
* Ao estacionar ou parar em cruzamentos, principalmente a noite, observe pessoas suspeitas nas proximidades.
* Som, rodas e certos acessórios despertam a atenção de marginais.
* Evite deixar objetos de valor no interior de seu carro.
* EM CASO DE ASSALTO, NÃO REAJA.

Na residência
* Sistema de alarme é sempre eficaz.
* Não deixar luz acessa durante o dia.
* Um bom cão de guarda.
* Atender à porta após identificação prévia.
* Manter a porta da garagem sempre fechada.
* Aguardar o fechamento de portões de comando eletrônico.
* Não aceitar a entrada de técnicos não solicitados.
* Ao sair ou retornar da residência, observe as proximidades e se constatar a presença de estranhos, não entre.
* À noite, deixe pelo menos uma lâmpada acessa na área de maior risco da residência (utilizar fotocélulas).
* Manter escadas e ferramentas em lugar seguro.
* Na perda das chaves, troque os segredos das fechaduras.
* Ao viajar, avise parentes ou vizinhos de confiança, para que esporadicamente verifiquem a residência e façam a coleta de correspondências.
* Oriente familiares e empregados para que não comentem com estranhos sobre os bens que a família possui tanto como seus hábitos.
* Não dê informações por telefone para pessoas desconhecidas.

No dia do pagamento
* Lembre-se: um alvo fácil é sempre mais procurado.
* Não comente sobre seu salário com pessoas de pouco convívio.
* Evite a conversa com pessoas estranhas dentro ou fora do banco.
* Nos dias de pagamento, adote medidas de segurança mais severas.
* Observe se alguém está seguindo-o.
* Se precisar transportar muito dinheiro, não ande sozinho, peça a companhia de parentes, amigos ou seguranças.

No ônibus
* Ao pagar, procure levar o dinheiro trocado ou utilizar o vale transporte.
* Cuidado com objetos alvo dos punguistas como bolsas, carteiras, correntes, pulseiras, entre outros.
* Evite ficar junto à porta de embarque e de desembarque, pois é o local propício para a prática de punguistas.
* Mantenha a bolsa ou mochila na frente do corpo.
* Não carregue muito dinheiro, nem deixe a carteira no bolso de trás.

Em deslocamentos
* Ao notar que está sendo seguido, procure mudar várias vezes o lado da calçada.
* Não carregue objetos de valor, grandes quantias de dinheiro ou cartões de crédito, se não houver necessidade.
* Evite lugares sem iluminação e com pouco movimento.

Em caixas eletrônicos
* Não revele sua senha para terceiros.
* Em caso de dificuldade, comunique-se com funcionários do banco.
* Observe atentamente as pessoas em atitudes suspeitas próximas ao local.
* Evite horários e locais de maior risco.
* Evite realizar saque de grandes quantias.

Seqüestro relâmpago
* Não reaja em nenhuma circunstância.
* Procure obedecer todas as exigências do bandido.
* Tente observar as características físicas, cicatrizes e marcas.
* Peça auxílio à Polícia assim que for libertado.

Nas escolas
* Trate o seu filho como amigo, demonstrando seu afeto e preocupação pelo seu desenvolvimento.
* Conheça os amigos de seu filho.
* Ensine as crianças a pedir auxilio à polícia (pessoalmente ou por telefone) ou às pessoas conhecidas, quando perceber estranhos em atitudes suspeitas ou que estejam molestando.
* Não aceitar balas, doces, presentes, ou brinquedos de pessoas desconhecidas.
* Oriente seus filhos para não desviarem do trajeto casa-escola-casa, sem prévio acordo.
* Evitar transitar utilizando jóias, tênis ou roupas caras.
* Oriente seus filhos para que se afastem de situações perigosas, tais como: armas, acidentes, aglomerações, discussões, etc.

Fonte: Polícia Militar

Paraisópolis ganha ‘UPP à paulista’

Após investir em operações repressoras para combater crimes no Morumbi, na zona sul, a Polícia Militar agora aposta no policiamento comunitário dentro de Paraisópolis. No último sábado (dia 17), duas novas bases móveis passaram a funcionar nas ruas da favela. Os equipamentos foram utilizados como exemplo para a polícia carioca na criação das Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs).

Outra base já existente, na entrada da comunidade, continuará aberta para melhorar a sensação de segurança do bairro. O Morumbi enfrenta uma onda de violência desde o ano passado, quando PMs de outros bairros foram chamados para a região. No último final de semana, pelo menos sete pessoas foram presas por roubar pedestres e tentar atacar residências. Nos primeiros três meses de 2011, 62 casas foram invadidas. Este ano, segundo o tenente coronel Ulisses Puosso, do 16° Batalhão, o número não passa de 20. Os arrastões a restaurantes também preocupam: desde janeiro foram quatro ocorrências assim.

O coronel explica que as bases são inéditas no local e terão seis policiais que não serão trocados. O objetivo é que eles criem um vínculo com a população e até sejam chamados pelo nome. “Queremos dar uma referência para as pessoas e ouvi-las, para criar um elo de confiança.

Fazer o policial ser um mediador de conflitos”, explica o oficial. Além dessas missões, o PM poderá registrar boletins de ocorrência de furtos e receber denúncias.

Nos anos de 2005, 2009 e 2011, Paraisópolis foi palco de três operações Saturação – quando a Tropa de Choque da PM ocupa as ruas e faz um ‘pente-fino’ entre moradores. No ano passado, outra tática foi adotada: a Operação Colina Verde – montada para reduzir os roubos.

Para Puosso, a saturação não é suficiente. “Isso só não resolve, é uma solução imediatista. Estamos num momento à frente. O ideal é utilizar o policiamento comunitário”, acredita.

Julia Titz, presidente do Conselho de Segurança (Conseg) do Morumbi, afirma que a operação Colina Verde foi fundamental para reduzir crimes. “O clima de segurança ficou muito melhor e houve um estreitamento entre a polícia e os moradores”, conta. Já o presidente do Conseg Portal do Morumbi, Celso Cavallini, diz que a chegada das bases móveis vai “irradiar segurança” em Paraisópolis.

O coronel Puosso acrescenta que os índices de violência no Morumbi apresentam queda. Entre 1º de janeiro e 10 de março, foram registrados 20 roubos a residência, ante 62 no ano passado. “Ainda é muito, concordo, mas houve redução significativa.”

Segundo o capitão Sergio Marques, porta voz da PM, o uso de bases móveis é uma tendência na capital. Atualmente, são 93 em operação e outras 47 fixas. O oficial explica que, para trabalhar nesses locais, todos os PMs passaram por um treinamento que varia de uma semana a um mês na Diretoria de Polícia Comunitária e Direitos Humanos (DPCDH).

“A PM de outros Estados vem fazer curso com a gente. Os oficias das UPPs do Rio aprenderam aqui, mas nessa ação, primeiro eles pacificam a área com o Exército e Bope. Isso em São Paulo não acontece. A PM entra em qualquer favela”, lembra.

Camilla Haddad / Gio Mendes – JT

Dicas de Segurança para o Carnaval 2012

Escrito por Assessoria de Comunicação Social da Polícia Militar

Para um carnaval tranquilo, exerça seu direito respeitando o direito dos outros; colabore com os órgãos de segurança, acatando as orientações das autoridades e cumprindo as leis de trânsito e as legislações em vigor, sabendo conviver com harmonia e civilidade.

PARA VOCÊ:
Prudência: mantenha a calma em qualquer situação, sua vida e a vida de quem você ama são bens insubstituíveis;

Moderação: no consumo de bebida alcoólica, no uso e ostentação de objetos pessoais como celulares e jóias, além de
dinheiro e cartões de crédito; obedecendo aos limites de seus recursos, de seu corpo e usando bom senso no exercício de seus direitos individuais;

PROTEÇÃO:
Pessoal: cuide de seus objetos e traga consigo seu documento de identidade, evitando também: locais, hábitos, horários, atitudes e pessoas que possam trazer problemas para você;

De sua família e amigos: lembre, cuide e oriente quem você ama, ande sempre que possível acompanhado e saiba sempre onde e com quem estão seus filhos;

Atenção: alegria não combina com armas e drogas, arrogância, brigas, confusões, ostentação e porte de materiais e
objetos que oferecem riscos a você e aos outros como: vidros, metais, ferro, objetos com pontas ou cortantes e inflamáveis;

PARA SEU VEÍCULO:
Prudência: mantenha em local seguro (e não no veículo): chaves-reserva e o documento de transferência, estando
atento para a manutenção geral, o bom estado dos equipamentos de segurança e obrigatórios e a condução dos documentos como a CNH e o DUT e; ao estacionar, mesmo que por curtos períodos, leve consigo as chaves do carro, checando se trancou e acionou alarme e travas; bem como, se não deixou crianças no interior do mesmo;

Moderação: no uso da velocidade, sinais sonoros, som automotivo. Seja educado e dê exemplo de civilidade, inclusive
de educação ambiental;

Proteção: estacione em locais iluminados e com movimento, evitando deixar objetos em cima de bancos ou expostos no
interior do veículo;

Atenção: desatenção, pressa e bebida alcoólica em excesso são péssimas companheiras de viagem; esteja sempre atento
e sóbrio ao dirigir;

PARA SUA CASA:
Prudência: ao sair, leve consigo: chaves e documentos necessários; deixe pessoas de confiança com cópia das chaves e instruídas para ligar e desligar luzes em horários adequados, disponibilizando seus contatos e do local onde ficará durante o período;

Moderação: guarde objetos de valor em locais seguros e comunique sua saída apenas a pessoas de sua confiança,
optando por colocar malas e sacolas nos veículos em horários seguros e evitando fazer este procedimento à vista de curiosos;

Proteção: atente para os registros de gás e de energia, bem como, cheque o trancamento de janelas e portas;

Atenção: tenha sempre à mão os telefones úteis de segurança e de monitoramento de sua casa e de sua rua, além dos
contatos da Zona de Policiamento onde mora, telefones de vizinhos e pessoas de confiança que você pode contar para qualquer eventualidade.

PM cadastra famílias para conter violência


Uapc é esperança da corporação para frear crimes na zona sul; mais de 2.300 famílias são visitadas
Filipe Rodrigues
São José dos Campos

Implantadas em novembro de 2010, as Uapcs (Unidade Avançada de Polícia Comunitária) são a principal esperança da Polícia Militar para reduzir os elevados índices de criminalidade na zona sul de São José em 2012.

A região teve 21 homicídios em 2011, além de puxar o crescimento de 26% que a cidade teve em roubos de carro com relação a 2010.
A Uapc visa estreitar laços entre moradores e PM. Para conhecer a população de um bairro, é feito um cadastramento com os moradores da casa.

Só na zona sul, já são 2.347 famílias de cinco bairros (Campo dos Alemães, Pinheirinho, Colonial, Interlagos e Residencial União) cadastradas pelos policiais.

Em bairros carentes, policiais fazem parcerias com escolas para dar aulas de futebol, judô, entre outras atividades para as crianças.

As visitas no sexto bairro começaram na semana passada. Comerciantes do Jardim Morumbi conheceram o trabalho e receberam dicas de segurança dos policiais.

“Ter a PM por perto é sempre bom. Às vezes, a gente relaxa com segurança com o tempo. Receber dicas e saber que eles estão aqui, nos faz sentir melhor”, diz o comerciante Marcos Antonio Pereira, 31 anos.

Mudança
A PM aposta que as unidades implantem na sociedade, uma nova cultura de polícia.

“Nossa função continua prevenir crimes, mas com uma mentalidade diferente: ir à sociedade sem ser acionado”, diz o capitão Ricardo Ivo Gobbo, responsável pelo trabalho das Uapcs da zona sul.

O aumento da convivência visa conhecer a realidade de uma região que enfrenta problemas de segurança.
“No Jardim Morumbi, por exemplo, estamos dando dicas de segurança à população para evitar que estas pessoas sejam assaltadas enquanto chegam em casa, por exemplo”, diz.

O bairro foi o líder de roubos em São José em 2011 e, por isso, foi escolhido para receber a ação, que não tem prazo para terminar.

“A ideia é conversar com as pessoas. Uma casa pode durar tanto 10 minutos quanto uma hora”, afirma o capitão.

Durante as visitas, uma base comunitária fica no bairro. Os policiais também recebem a orientação de revisitar as casas para não perder contato.

Tráfico
A aproximação visa conquistar a confiança da população para algo considerado fundamental na luta contra o crime –a denúncia.

Quando o projeto foi criado no Campo dos Alemães, essa foi a principal intenção. “Sabemos que o tráfico ainda existe no Campo dos Alemães, mas agora, recebemos informação dos locais e a partir daí, traçamos um plano de ação.”

Atuação social ajuda na aproximação
São José dos Campos
Nos bairros por onde passou, a Unidade Avançada de Polícia Comunitária deixou projetos sociais para afastar jovens da criminalidade.

No Campo dos Alemães, por exemplo, crianças e adolescentes receberam aulas de judô e futebol de policiais que têm experiência na área.

Por meio de parcerias, a corporação também conseguiu cursos de qualificação como computação e inglês para pessoas que querem aperfeiçoar o currículo.

“Em regiões carentes, é preciso dar uma oportunidade a esses jovens para que eles não sejam seduzidos para cometer crimes. O policial por perto serve como um bom exemplo”, diz o capitão Gobbo.

Também são realizados eventos abertos à população em datas comemorativas. Destes eventos, a PM contabiliza a participação de 15 mil pessoas desde 2010.

Atuação
Ações semelhantes foram adotadas no Parque Interlagos. “Tínhamos problemas com pequenos furtos e consumo de entorpecentes por jovens. Já tínhamos um programa e pedimos que a PM nos desse suporte”, diz Mario Sérgio de Oliveira, 46 anos, líder comunitário.

Tráfico toma lugar da polícia e ‘protege’ morador em São José dos Campos

Em troca de silêncio da população e liberdade para o comércio de drogas, traficantes afugentam ladrões e criam as próprias ‘leis’ na zona leste; problema aflige moradores de pelo menos seis bairros periféricos

Filipe Rodrigues
São José dos Campos

Assustados com a escalada da violência, moradores da zona leste de São José são obrigados a aceitar a ajuda do tráfico para garantir ‘segurança’ nos bairros afastados.

Em troca de liberdade para a venda de drogas, eles afugentam os ladrões e ‘caçam’ aqueles que ousam invadir ‘seu território’.

O problema aflige moradores de pelo menos seis bairros da zona leste –Campos de São José, Conjunto Frei Galvão, Jardim Americano, Santa Hermínia e Jardim Mariana 1 e 2. Neles, traficantes atuam como ‘seguranças’ da população. Evitam roubos e furtos e afastam os olhares das forças policiais.

“A ação de ladrões em áreas de boca de fumo atrai a polícia, o que não é interessante para o traficante”, disse José Vicente da Silva Filho, ex-secretário Nacional de Segurança Pública e ex-comandante da PM no Vale.

Em 2011, São José teve alta em quase todos os índices criminais, incluindo roubos, furtos e homicídios.

Bairro sitiado
No Campos de São José, um morador que pede para não ser identificado relata que a convivência com traficantes virou rotina. “O tráfico está ali e todo mundo vê. São moradores do bairro que todos conhecem. Eles nos respeitam e mantém a ordem desde que a gente colabore”, disse.

Em uma das praças do bairro, os traficantes usam um banco de concreto como base de vigilância. “É ali onde fica a torre. Eles vigiam para ver se a polícia está chegando”, disse o morador.

No Jardim Americano, um policial civil conta que o crime diminuiu com a ‘segurança’ do tráfico. “Claro que a gente sente medo. Mas nunca nos fizeram mal.”

Opinião
O delegado Darci Ribeiro, da Dise (Delegacia de Investigação sobre Entorpecentes), disse não acreditar na prática. “Isso é história para que o povo não denuncie. As denúncias são anônimas e a principal ferramenta de investigação.”

População não tem muita confiança na Polícia Militar
São José dos Campos

O baixo efetivo de policiais militares, além de poucas bases fixas da PM em São José, reduzem a confiança que a população de bairros mais afastados sente na corporação.

Na zona leste, por exemplo, existe apenas uma base fixa para um universo de 114 bairros legais e regularizados. Segundo a prefeitura, 136.180 pessoas moram na região.

No Santa Hermínia 1, por exemplo, a população diz que raramente viaturas passam no local. O contato é pouco.

“Há pontos de tráfico. Mas por causa disso, não existem roubos. Policiais, vemos uma vez por semana. Quando havia roubo e acionávamos a PM, demorava para que eles chegassem”, diz um comerciante.

Aproximação
A Polícia Militar afirma que baseia o policiamento no que é debatido em reuniões dos Conseg’s (Conselho de Segurança) e nas estatísticas dos índices criminais.

“Fazemos reuniões mensais com a população para saber as principais necessidades. A PM quer se aproximar da comunidade como forma de garantir segurança”, diz o tenente Pedro Henrique Mombergue, chefe de comunicação da PM.

Em alguns bairros, a polícia instalou as UAPC (Unidade Avançada de Polícia Cidadã), que tem como principal objetivo reforçar a relação entre população e polícia.

“A Polícia Militar quer estreitar os laços com o povo. Quando a pessoa não quiser se arriscar, pode fazer denúncia anônima que ela será apurada”, disse o comandante geral da PM, Álvaro Camilo em visita a São José dos Campos.

Segundo o tenente Mombergue, quando há denúncias de tráfico, a PM vai até o local em viaturas descaracterizadas para apurar as acusações.

“Temos nosso policiamento velado. A intenção é percorrer toda a cidade para ver onde os problemas estão.”

‘Bom negociador de reféns ouve primeiro’, diz tenente do Gate

G1 acompanhou com exclusividade treinamento para ação em sequestros.
25 oficiais fazem curso em SP sobre como negociar com criminosos.

Tahiane Stochero
Do G1, em São Paulo

Em treinamento, PMs do Gate prendem sequestradores (Foto: Tahiane Stochero/G1)

Em treinamento, PMs do Gate prendem sequestradores (Foto: Tahiane Stochero/G1)

“O bom negociador tem que primeiro ter um bom ouvido, tem que saber ouvir o sequestrador e tentar tirar dele todas as informações que puder.”

Esta é uma das lições que o tenente Fernando Sério Vitória, há oito anos no Grupo de Ações Táticas Especiais (Gate) da Polícia Militar de São Paulo, deu na terça-feira (23) a 25 alunos do curso de negociação que a unidade está fazendo desde o início de agosto na capital paulista. Participam do curso oficiais da PM de São Paulo, Acre, Santa Catarina e Maranhão, além de um agente da Agência Brasileira de Inteligência (Abin).

O G1 acompanhou com exclusividade o treinamento prático, após um mês de aulas teóricas, em que os alunos aprenderam como negociar com criminosos que fazem reféns durante uma perseguição policial e também com pessoas mentalmente perturbadas, que tentam agredir familiares ou namorados por motivos passionais. O objetivo do curso é capacitar policiais para iniciar uma negociação logo que chegam ao local do crime, tentando obter dados sobre quem são os sequestradores e convencê-los a libertar os reféns e a se entregar.

No treinamento, dois chefes das equipes de negociação do Gate fizeram o papel de criminosos que, armados de fuzil e pistola, invadem uma casa, e pegam um casal como escudo quando fogem da polícia. Os PMs alunos cercam o local e começam a negociar. A mulher que é mantida refém passa mal e os criminosos pedem que um médico entre na casa para atendê-la.

Negociadores do Gate se passam por criminosos durante simulação (Foto: Tahiane Stochero/G1)

Negociadores do Gate se passam por criminosos durante simulação (Foto: Tahiane Stochero/G1)

“É impossível deixar um médico entrar lá dentro porque seria mais um refém para eles. Isso não pode ocorrer”, recomenda o tenente. Os criminosos fazem exigências, como um carro para fugir, colete à prova de balas e pedem um advogado e um misto quente.

“Pedidos fáceis como comida, podemos atender. Mas fornecer um colete ou um carro para a fuga é inadmissível”, afirma o oficial.

Papéis
Os alunos assumem papéis: um deles é o negociador principal, que é o único responsável por conversar diretamente com os criminosos. “Tem que conquistar a confiança dos ladrões, deixar eles desabafarem, falar o que pensam. Não dá para ficar falando com o ladrão e com os outros PMs ao mesmo tempo e nem quebrar um elo de conversação”, diz o tenente aos alunos, que em momentos de nervosismo, perdem a concentração e deixam os sequestradores falando sozinhos, enquanto ouvem conselhos de outros colegas PMs para decidir o que fazer.

Policiais discutem erros e acertos após treinamento (Foto: Tahiane Stochero/G1)

Policiais discutem erros e acertos após treinamento (Foto: Tahiane Stochero/G1)

“Ladrão não é teu irmão, amigo, compadre, parceiro, camarada nem colega. O ‘mala’ é um criminoso capaz de matar os reféns para fugir. Descobre o nome dele, pergunta o nome dele, e chama ele pelo nome”, diz o instrutor a um aluno.

“Quando se inicia a negociação, os criminosos começam gritando, pedindo de tudo. Estão nervosos, querem garantir a vida e fugir. Mas meia hora depois começam a se acalmar e diminuem o tom de voz”, afirma o tenente Fernando.

Negociadora
Quem melhor se saiu na negociação foi a única mulher do grupo, a tenente Carolina Colombo, de 28 anos, e que atua em Limeira, no interior de São Paulo. Segundo o instrutor, ela manteve a calma na negociação e conseguiu obter a libertação da refém que estava passando mal.

“Eu acho que mulher talvez tenha maior facilidade para ficar tranquila. Me estresso mais com os colegas, que ficavam gritando coisas o tempo todo, do que com a situação do sequestro em si”, diz Carolina, que está há sete anos na PM. “Lá dentro (da casa) há uma crise instalada, com criminosos fortemente armados. A gente sabe que não dá para colocar o médico lá dentro. Também pedi para os ladrões manterem a calma e não apontarem a arma para a gente”, afirma Carolina.

O curso de negociação para oficiais do Gate ocorre anualmente e tem carga horária de cerca de 170 horas, compreendendo aulas com técnicas de negociação internacionais, neurolinguística, psicologia, estudo de comportamento de criminosos, legislação penal e militar, dentre outros. Os inscritos passam por uma primeira seleção e, ao concluírem o curso, são habilitados como negociadores nas regiões onde atuam.

Bicicleta ajuda PM nas rondas

Aaron Kawai

Policiais ciclistas de São José estão atuando principalmente em áreas comerciais da cidade e começam a ter ganhar confiança da população

Filipe Rodrigues
São José dos Campos

Policiais em bicicletas têm sido a principal arma da Polícia Militar para combater a criminalidade na região central de São José.

Segundo a corporação, os policiais ciclistas são escolhidos para atuar, principalmente em áreas comerciais.

“A bicicleta chega em alguns locais que é impossível chegar com a viatura. Também é mais discreta e mais rápido que o policiamento a pé”, diz o capitão Marcelo de Oliveira Garcia.

No primeiro semestre deste ano, os policiais em bicicletas foram responsáveis por 12 flagrantes de roubo, furto e tráfico de drogas. Cerca de 2.000 pessoas foram abordadas e, entre elas, oito foragidos foram recapturados.

Quando o policial ciclista faz o flagrante, ele chama uma viatura de apoio, que ficará responsável pelo transporte do preso. “É um apoio aos outros policiais”.

Comunidade
A facilidade de comunicação de um ciclista também é um ponto que tem feito a PM investir neste tipo de policiamento.

“A ordem que damos ao policial de bicicleta é que ande sempre bem devagar, no máximo 5km/h e procure descer da bicicleta, conversar com quem está na rua e oferecer o serviço da PM aos cidadãos”.

As bicicletas foram implementadas em 2003. No início, eram dois policiais por dia na região central, agora são 10 e o número pode aumentar.

Atualmente, todas as companhias da PM atuam com ciclistas. Além das áreas comerciais, eles atuam em praças.

“Quando precisamos fazer algum levantamento em praças, eles são a prioridade para fazer este tipo de trabalho devido à mobilidade”.