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Crescem furtos em aeroportos de São Paulo no início do ano

Fabiano Nunes – JT
Entre janeiro e fevereiro houve aumento de 47% nos casos de furtos nos dois principais aeroportos de São Paulo, de acordo com as estatísticas da Secretaria da Segurança Pública. Somados, Congonhas, na zona sul da capital, e Cumbica, em Guarulhos, Grande São Paulo, registraram 290 casos no primeiro bimestre de 2012. Nos dois primeiros meses do ano passado a Polícia Civil havia registrado 197 ocorrências.

O delegado-geral da Polícia Civil, Marcos Carneiro Lima, disse que as delegacias dos aeroportos vão focar o trabalho agora na investigação das quadrilhas que furtam bagagens. Contados separadamente, o aeroporto de Cumbica foi o que registrou mais casos: 240 furtos no primeiro bimestre deste ano contra 155 no mesmo período de 2011, aumento de 54%. Em Congonhas foram 50 casos este ano, crescimento de 19% em relação ao mesmo período de 2011 (42 casos). As polícias Federal e Civil acreditam que o aumento de furtos está ligado ao crescimento do fluxo de passageiros.

Segundo o delegado titular do aeroporto de Cumbica, Ricardo Guanaes Domingues, as malas mais visadas são as de passageiros de voos internacionais. “Principalmente de quem chega dos Estados Unidos, Argentina, da Europa e de países de onde os passageiros trazem produtos eletrônicos”, afirmou. Em fevereiro, seis funcionários, responsáveis pelo carregamento das malas entre a esteira e a aeronave, foram presos.

O esquema funcionava da seguinte forma: as malas, que deveriam seguir para as esteiras do desembarque internacional, eram desviadas pelos funcionários para a área de desembarque doméstico. De lá, um integrante do grupo saía com a bagagem como se fosse passageiro. Na área de voos domésticos há pouca revista e a saída, depois de pegar a mala na esteira, é quase imediata. Por isso, era onde os bandidos encontravam trânsito livre para agir.

“As investigações são baseadas nas estatísticas. É preciso mapear o modo de agir, os locais e os golpes que são aplicados para identificar e prender os responsáveis”, disse o delegado-geral.

De acordo com o delegado titular do Aeroporto de Congonhas, Marcelo Godói Palhares, algumas quadrilhas atacam o passageiro no saguão do aeroporto quando há alguma distração. “O passageiro às vezes vai tomar um café e deixa o carrinho ao lado e esquece que está num local público. Os ladrões sempre estão atrás de laptops ou mochilas”, explicou.

Na última quarta-feira (04), um engenheiro químico alemão de 51 anos foi vítima de criminosos em Congonhas. “Eu estava no saguão e veio uma pessoa pedir informações sobre metrô. Quando eu disse que não havia metrô, ele foi embora e em seguida percebi que estava sem a mala”, disse. No dia seguinte uma mulher encontrou a bagagem do engenheiro em um estacionamento no centro. Os criminosos levaram o dinheiro e deixaram roupas e documentos.

Vítimas de malas furtadas têm 7 dias para notificar companhias aéreas

Segundo Procon-SP, empresas devem pagar indenizações.
Nesta segunda, suspeitos de furtar bagagens foram detidos em Cumbica.

Passageiros que tiveram suas malas furtadas têm até sete dias para notificar as as companhias aéreas do ocorrido, segundo informações do Procon-SP. A orientação da fundação é que as pessoas procurem imediatamente um funcionário da empresa aérea para registrar o furto, já que as companhias ficam responsáveis pelas bagagens após o check-in e devem indenizar os passageiros no caso de extravios ou de danos aos itens levados nas malas.

Na manhã desta segunda-feira (6), uma operação da Polícia Civil prendeu integrantes de um grupo suspeito de furtar bagagens de passageiros no Aeroporto Internacional de São Paulo, em Guarulhos, na região metropolitana. Quatro funcionários de empresas aéreas, um ex-funcionário e outra pessoa foram detidos por volta das 6h em imóveis em Guarulhos, São Paulo e Poá, também na Grande São Paulo. Diversas bagagens furtadas foram apreendidas.

Ainda segundo o Procon, após o registro do furto, as empresas tem até 30 dias para ressarcir as pessoas prejudicadas. Para garantir a segurança e facilitar o processo, a fundação recomenda que os passageiros preencham antes do voo uma declaração dos itens que fazem parte da bagagem, com discriminação de valores. Cópias do documento ficam tanto com a empresa, quanto com o passageiro.

Além do registro nas companhias aéreas, é importante também que as vítimas de furto procurem a polícia e registrem um boletim de ocorrência sobre o crime. Quem não fez uma declaração de valores deve entrar em acordo com as empresas para estipular um valor de indenização.

Quadrilha de funcionários
De acordo com o delegado Ricardo Domingues, uma parte da quadrilha presa em Cumbica separava bagagens de voos internacionais e as colocavam nos voos domésticos. Após contato telefônico, outra parte do grupo entrava no desembarque doméstico e pegava as malas separadas. Após os furtos, as pessoas vendiam parte dos itens encontrados nas bagagens e ficavam com outros.

De acordo com Domingues, a polícia vai tentar identificar e entrar em contato com os donos das bagagens que foram resgatadas com os detidos.

G1 SP

Grupo furta bagagens no aeroporto de Cumbica

Fabiano Nunes – JT
A Polícia Civil do Aeroporto Internacional de São Paulo, em Guarulhos, na região metropolitana, montou uma operação para investigar o furto de bagagens na chegada dos voos ao aeroporto. É apurada a participação de funcionários de companhias aéreas e de empresas terceirizadas que prestam serviço de transporte de malas entre a pista e o setor de desembarque.

Só no ano passado foram registrados 1.249 furtos em Cumbica. Uma média de 113 casos por mês, que inclui todos os crimes dessa natureza ocorridos no terminal. A polícia não forneceu os números específicos dos furtos no desembarque. Em julho de 2011 quatro funcionários de empresas terceirizadas foram presos acusados de participar do esquema. Na casa deles, segundo a polícia, foram localizadas mercadorias furtadas. Mas a “Operação Bagagem” investiga outros funcionários.

Em dezembro, a delegacia do aeroporto registrou, em só um voo, vindo da Espanha, 25 boletins de ocorrência de malas violadas. “Nossa maior dificuldade é saber onde ocorreu o crime: no embarque ou durante o desembarque”, explicou a delegada Larissa Caldara Prado de Andrade.

Segundo ela, em Cumbica, os grupos agem em pontos onde não há monitoramento por câmeras. “Eles aproveitam para furtar dentro do carrinho que leva a mala da aeronave para o terminal. Mas também agem dentro do porão do avião, onde não há monitoramento.”

O ataque é rápido e conhecido como “cesariana”. O funcionário usa uma caneta para abrir o zíper da mala. “Com essa técnica, eles não deixam vestígios de arrombamento, pois conseguem depois fechar a mala como se nada tivesse acontecido”, detalha a delegada. Um vídeo no site You Tube mostra como o ataque é feito. “O melhor é verificar seus objetos após retirar a bagagem na esteira”, recomenda a delegada. “Mas o passageiro deve fazer de tudo para dificultar a violação. Usar cadeado, lacre da empresa aérea e mesmo envolver a bagagem com um plástico protetor, pode fazer com que o criminoso evite atacar. Pois ele não demora muito para furtar.”

O técnico de alimentos Eder Azevedo, de 28 anos, que trabalha para uma construtora em Angola, decidiu “envelopar” suas bagagens com um plástico, antes de embarcar em Cumbica, para evitar furtos. “Anteontem, quando cheguei de Caracas (Venezuela), recebi minha mala sem o cadeado e uma parte dela danificada. Não tive tempo de abrir. Só vou descobrir se algo foi furtado quando chegar em Angola. Mas nesta mala só tem roupas”, relatou.

Segundo a Polícia Civil, os voos mais visados são os vindos de Miami, nos Estados Unidos, e Buenos Aires, na Argentina. “Os voos com conexão também são bastante atacados. No momento em que os funcionários transferem a bagagem de um avião para outro. E o pior é que o passageiro só vai saber que foi furtado quando chega em seu destino” disse a delegada.

O presidente do sindicato dos aeroviários de São Paulo, Reginaldo Alves de Souza, disse que já houve casos também no Aeroporto de Congonhas, na zona sul da capital. Até novembro foram registrados 299 furtos no local, 27 por mês. “Pedimos para que as empresas façam uma triagem dos antecedentes criminais dos funcionários”, disse o sindicalista. Segundo ele, cerca de 8 mil funcionários trabalham nas pistas dos aeroportos de Cumbica e Congonhas. “O ideal é que as empresas sejam mais rigorosas na saída do funcionário do aeroporto”, pediu Souza.

A Polícia Civil disse que o próximo passo será identificar como os produtos furtados saem do aeroporto. “Os funcionários que trabalham na pista passam por um raio X quando saem do turno. Ainda não temos ideia de como tiram os objetos do aeroporto”, disse a delegada. “Uma possibilidade é que utilizem carros autorizados a entrar na pista para sair do aeroporto com os objetos”, diz.

Passageiro deve verificar malas
A TAM disse que em caso de violação, danos ou extravio com a bagagem, o passageiro deve procurar um de seus funcionários antes de deixar a sala de desembarque. De acordo com a empresa, dessa maneira fica caracterizado que o problema ocorreu dentro do aeroporto.

Segundo o procedimento da companhia, o funcionário deve registrar a ocorrência através de um relatório de irregularidade de bagagem (RIB). A TAM diz que caso a mala ou objeto não sejam encontrados num prazo de 24 horas após a abertura do relatório, a companhia oferece o auxílio emergencial.

O prazo para indenização é de 30 dias, conforme o Código Brasileiro de Aeronáutica (CBA), para os casos de irregularidades. Para os casos de bagagem extraviada, a companhia tem 30 dias para realizar as buscas e a partir do 31.º dia deve enviar a proposta de indenização para o passageiro.

A indenização da mala ou do objeto do cliente é baseada em legislações vigentes, de acordo com a viagem realizada: nas domésticas, o código vigente é o CBA; nas internacionais, o que vale é a Convenção de Montreal. De acordo com a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), a convenção restringe a responsabilidade da empresa aérea em US$ 20 (cerca de R$ 36) por quilo de bagagem extraviada.

A TAM ressaltou que qualquer tipo de queixa deve ser feita no ato do desembarque. A empresa não se responsabiliza por reclamações posteriores. A companhia recomenda ao passageiro levar dinheiros, joias, objetos frágeis e artigos eletrônicos como bagagem de mão. A TAM informou ainda que trabalha com as autoridades para minimizar os casos de violação de bagagens.

A Gol também recomendou a verificação da bagagem no desembarque. Segundo a empresa, a não manifestação de irregularidades neste momento pressupõe que a bagagem está em perfeitas condições. A companhia destacou que em caso de indenizações também segue a legislação. As empresas não comentaram casos específicos de furtos.

Cumbica: 20 malas por dia têm objetos furtados no aeroporto

Como as falhas na segurança e o descaso das companhias aéreas transformaram o aeroporto no alvo perfeito para ladrões de bagagem
Segurança, Vida Urbana – Eduardo Duarte Zanelato – Revista Época

Logo que desembarcou no Aeroporto Internacional de Guarulhos, na tarde de 13 de outubro, a estudante Amanda Nadal, de 21 anos, prostrou-se diante da esteira de bagagens para pegar as quatro malas que trazia de uma viagem aos Estados Unidos. Ela e a mãe, Silvia, voltavam da Disney após dez dias de diversão e compras. Traziam roupas novas, souvenirs – e encomendas.

Levaram dinheiro de amigos para comprar um iPad, seis perfumes, dois pares de tênis e dois relógios. Quando chegaram em casa, abriram a mala que trazia os produtos novos e não notaram qualquer avaria no zíper ou no cadeado. Ficaram surpresas ao não encontrar o iPad, os perfumes, os tênis e os relógios que haviam colocado ali. Alguém abrira a mala com cuidado, sem danificá-la, e furtara os objetos.

O crime aconteceu enquanto a bagagem estava sob tutela da companhia aérea, a TAM, e dentro de uma área de acesso restrito do aeroporto, controlada por câmeras e policiais federais. Ninguém viu nada, tampouco as câmeras registraram o furto. Amanda e a mãe tiveram um prejuízo de US$ 1,9 mil. Constrangidas, tiraram dinheiro do bolso para ressarcir os amigos que haviam feito encomendas. Agora, cobram a TAM na Justiça.


Casos assim acontecem ao menos quatro vezes por dia. Essa é a média de boletins de ocorrência registrados na delegacia da Polícia Civil no aeroporto. Uma estimativa não oficial de quem acompanha a questão de perto, porém, prevê que ao menos 20 furtos de bagagem sejam cometidos diariamente dentro de Cumbica. A suspeita de autoria dos crimes recai sobre quem trabalha nas áreas restritas. Época SÃO PAULO ouviu quatro funcionários de empresas que prestam serviço de pista no aeroporto. Todos confirmaram, em diferentes graus de detalhamento, a ocorrência de “crimes da mala” em Cumbica. “Esse negócio de furto de bagagem aqui no aeroporto é uma doença”, afirma um dos funcionários.

“Isso aqui, patrão, é uma caixa de Pandora”, diz outro.
Depois de um período de queda nos últimos três anos, a onda de furtos em Cumbica voltou a crescer nos últimos meses. No final de setembro, o músico Chico Pinheiro, de 35 anos, voltava de Miami num voo da American Airlines. Estava feliz por ter se apresentado e gravado parcerias com colegas dos EUA. Pretendia usar as imagens no DVD que lançará em 2012. Com sua melhor guitarra como bagagem de mão, ele se viu obrigado a despachar a câmera numa mala em que carregava outros equipamentos. A câmera foi furtada junto com alguns deles.

Além do prejuízo estimado em US$ 2 mil, Pinheiro ficou sem as imagens dos shows, armazenadas no mesmo cartão de memória com tudo o que ele havia filmado nos últimos quatro meses. Desestimulado por familiares e advogados, Chico deixou por isso mesmo. Procurada, a American Airlines não quis comentar o caso.

Os voos com maior incidência de furto vêm de Buenos Aires e Miami, o destino favorito de compras de brasileiros. As companhias aéreas que mais aparecem nos boletins de ocorrência são TAM e American Airlines – as duas que mais voam para essas cidades. Até agosto, 861 vítimas haviam registrado queixa na polícia em Cumbica. Segundo o delegado Ricardo Guanaes Domingues, mais da metade disso representa furtos à bagagem. O número já está próximo das 979 ocorrências de janeiro a dezembro de 2010.