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União reduz em mais de 10 vezes repasse para segurança

O governo federal reduziu em mais de 10 vezes o repasse de dinheiro para a segurança pública no Estado de São Paulo entre 2010 e 2011. Os valores deste ano não entraram na comparação por ainda não estarem fechados.

De acordo com a SSP (Secretaria de Estado da Segurança Pública), a União enviou em 2010 R$ 8,42 milhões para São Paulo para investimento em segurança, cerca de R$ 0,20 por habitante. Na época, viviam no Estado 41,22 milhões de pessoas.

Com 41,69 milhões de moradores em 2011, São Paulo viu o repasse federal cair para R$ 800 mil –apenas R$ 0,019 por habitante. O dinheiro é insuficiente para comprar uma bala de goma, que custa R$ 0,05. “É muito baixo”, avalia a Secretaria de Segurança Pública, que diz desconhecer o motivo da queda nos repasses.

Programas
O dinheiro é enviado por meio de dois programas nacionais: o Pronasci (Programa Nacional de Segurança Pública com Cidadania) e o Fundo Nacional de Segurança Pública. A regra dos contratos obriga a SSP a empenhar uma contrapartida de 2% do valor total da União, mas a pasta diz ter gasto um pouco mais: R$ 171 mil em 2010 e R$ 25 mil, no ano passado.

O orçamento do governo estadual para segurança pública, em 2011, foi de R$ 12 bilhões. Proporcionalmente, a União gastou no Estado apenas 0,006% desse valor. Em 2010, a SSP consumiu R$ 10,9 bilhões no orçamento e o governo federal teve participação de 0,080% na comparação com o montante.

Ao lado da falha em proteger os 17 mil quilômetros de fronteira, permitindo a entrada de drogas e armas no país, o investimento da União nos Estados e municípios na área de segurança pública é criticado por especialistas, para quem a segurança tem de ser efetivada pelo governo federal investindo no aparelhamento das polícias estaduais e no uso das Forças Armadas.

OUTRO LADO
Ministério nega distinção em repasses

São José dos Campos
O Ministério da Justiça negou que o governo federal faça distinção na partilha de recursos aos Estados para a área de segurança pública e defendeu a política de pensar de maneira global no setor.

O objetivo é pactuar com eles uma política nacional de segurança pública, com a realização de diagnósticos e estratégias conjuntas de atuação.

Em nove anos, de 2003 a 2012, o governo federal transferiu diretamente para São Paulo R$ 482,06 milhões para serem gastos com segurança pública. Entre outras ações, o recurso contemplou construção de presídios, compra de equipamentos e treinamento da polícia e de guardas do sistema prisional.

Os repasses para o Vale do Paraíba somaram R$ 850 mil no período. Foram beneficiadas Aparecida, Jacareí e São Sebastião para equipar e treinar a Guarda Municipal. São José e Taubaté, as cidades mais violentas da região, com 53 pessoas assassinadas em 2012, não receberam recursos.

O Ministério aponta ainda a relação entre os entes federativos e a União, no contexto da política de segurança pública, que vem se desenvolvendo desde 2003. O primeiro esforço foi criar o Susp (Sistema Único de Segurança Pública), nos moldes do SUS (Sistema Único de Saúde).

Além disso, ressalta a advogada Regina Miki, secretária nacional de Segurança Pública, a consolidação do novo paradigma nessa área levou à criação, em 2007, do Pronasci (Programa Nacional de Segurança Pública com Cidadania), que prevê repasse de recursos para projetos de segurança.

“O governo federal trabalha de forma enérgica para fortalecer o controle e a vigilância sobre as fronteira. O ingresso no Brasil de drogas e armas deve cessar, assim como a lavagem de dinheiro e demais facetas do crime organizado”.

Xandu Alves
O Vale São José dos Campos

Polícia detém 1 menor a cada 8h


Entre janeiro e março deste ano, 253 crianças e adolescentes foram apreendidos no Vale

A cada 24 horas, a região do Vale tem três crianças e adolescentes apreendidos. Entre os meses de janeiro e março foram 253, de acordo com os dados da Secretaria da Segurança Pública de São Paulo cerca de 70% mais do que o primeiro trimestre do ano passado (149). O tráfico é o crime mais comum. Os menores hoje estão na ‘linha de frente’ das drogas são eles os responsáveis pela venda direta do entorpecente ao dependente.

São os ‘vapores’ quem faz a venda. Mas também em alguns casos assumem postos mais altos na hierarquia do crime, como gerente do tráfico de drogas, por exemplo. Para o delegado Fábio de Carvalho Joaquim, da Diju (Delegacia de Infância e Juventude) de São José, a busca pelo dinheiro fácil é a principal isca usada pelos traficantes para aliciar os adolescentes.

“Se a polícia prende, os traficantes colocam outros adolescentes no lugar. Eles se deixam levar pela ilusão de ganhar dinheiro de maneira fácil e rápida”, declarou o delegado.

Michelle Mendes, Xandu Alves e Luara Leimig
Bom Dia São José e Taubaté

Quadrilhas especializadas fazem sequência de assaltos a banco em SP

Segundo a polícia, do início do ano até agora 23 agências foram assaltadas na capital paulista. Na Grande São Paulo, foram quatro casos em 24 horas.
G1

Em São Paulo, a população está preocupada com a sequência de assaltos a banco. Só esta semana já foram quatro casos, em menos de 24 horas.

O mais recente foi na terça-feira (13), em Poá, cidade na Grande São Paulo. Os ladrões levaram cerca de R$ 650 mil. Foi mais uma ação rápida e, pelas características, planejada com antecedência.

As investigações mostram que quadrilhas especializadas estão agindo na capital. Antes de roubar uma agência, os ladrões passam dias planejando o assalto e estudando o banco.

“Examinando as filmagens que são feitas pelas agências e nas proximidades, a gente consegue descobrir gente que dois, três dias antes andou por ali como quem não quer nada, fazendo levantamento. Eles entram na fila como quem vai pagar alguma coisa e examina o interior e a segurança da agência”, diz Nelson Silveira Guimarães, diretor do DEIC-SP.

As imagens mostram uma quadrilha em ação. O bandido recebe a arma do comparsa ao passar pela porta giratória. Depois, domina o segurança e deixa os outros ladrões entrarem. Eles vão ao cofre e saem levando malotes com dinheiro. Os bandidos costumam usar pistolas, escopetas e fuzis.

“Alguns fortemente armados para fazer o que eles chamam de contenção. Ou seja, o pessoal que fica fora exibindo ostensivamente armamentos para intimidar as pessoas que estejam chegando. Ou, às vezes, até mesmo a polícia. Porque quatro ou cinco bandidos de fora armados de fuzil, se chega uma viatura com dois policiais, certamente ela vai esperar reforço”, comenta Guimarães.

Segundo a polícia, do início do ano até agora 23 agências foram assaltadas na capital paulista. Só este mês foram sete, quando os ladrões levaram ao todo R$ 1,6 milhão.

Segundo a polícia, no ano passado foram presas 118 pessoas na capital acusadas de envolvimento em roubos a bancos e caixas eletrônicos.

O delegado também se queixou que às vezes enfrenta dificuldades para conseguir ajuda dos bancos. As imagens das câmeras de segurança, por exemplo, demoram até três dias para ser entregues. Com isso, os criminosos conseguem fugir.

São Paulo registra três arrastões em bairros nobres em intervalo de 2 dias

No Itaim Bibi, zona sul, um restaurante e um edifício residencial foram invadidos. Nos Jardins, na zona oeste, o alvo foi uma lanchonete

São Paulo, 24 – Três arrastões foram registrados na cidade de São Paulo entre a tarde desta quarta-feira e a madrugada desta sexta-feira. Todos foram cometidos em bairros nobres. Os alvos foram um restaurante e um edifício residencial no Itaim Bibi e uma lanchonete nos Jardins.

Itaim Bibi – Uma quadrilha formada por pelo menos cinco bandidos rendeu, às 21h30 de quarta-feira, uma mulher que saía a pé do edifício Imperial Tower, na Rua Jerônimo da Veiga. Na sequência, o porteiro foi abordado pelo bando, que aproveitou o portão aberto.

Três apartamentos, do primeiro, terceiro e sexto andares, foram invadidos. Joias, dinheiro, celulares e outros objetos de valor foram roubados pela quadrilha, que ficaram cerca de 10 minutos no prédio. O cofre de um dos apartamentos foi roubado. Os assaltantes fugiram levando o Hyundai Azeera de um morador. O veículo foi abandonado pela quadrilha na Rua Doutor Luiz Barreto, na Bela Vista, região central da cidade.

O prédio tem circuito interno de segurança e a ação foi filmada. O caso foi registrado no 14º Distrito Policial, de Pinheiros, mas o delegado não quis conversar com a imprensa ou mostrar o boletim de ocorrência.

Em outra ação, por volta da 0h30 desta sexta-feira, quatro bandidos assaltaram três clientes que estavam dentro do restaurante Butcher’s, na esquina da Rua Bandeira Paulista com a Avenida Nove de Julho.

Armados com duas pistolas, os criminosos renderam as três vítimas e levaram dinheiro e dois relógios – um Rolex e um Bulgari. O quarteto fugiu em um Corolla preto, mesmo veículo no qual o grupo chegou. Até as 4h30 desta madrugada, nenhuma das vítimas havia comparecido no 14º Distrito Policial, de Pinheiros, para registrar o boletim de ocorrência.

Jardins - Seis homens armados fizeram um arrastão por volta de 15h desta quarta-feira, 22, na Lanchonete da Cidade, localizada na Alameda Tietê, nos Jardins, em São Paulo. A ação durou cerca de três minutos e ninguém ficou ferido.

Pelo menos 15 pessoas estavam no local. Os criminosos levaram dinheiro e pertences dos clientes. Aparelhos celulares dos funcionários do estabelecimento também foram roubados.

Um boletim de ocorrência foi registrado no 78° Distrito Policial, nos Jardins.

Pedro da Rocha, Ricardo Valota e Priscila Trindade – estadão.com.br

Dicas de Segurança para o Carnaval 2012

Escrito por Assessoria de Comunicação Social da Polícia Militar

Para um carnaval tranquilo, exerça seu direito respeitando o direito dos outros; colabore com os órgãos de segurança, acatando as orientações das autoridades e cumprindo as leis de trânsito e as legislações em vigor, sabendo conviver com harmonia e civilidade.

PARA VOCÊ:
Prudência: mantenha a calma em qualquer situação, sua vida e a vida de quem você ama são bens insubstituíveis;

Moderação: no consumo de bebida alcoólica, no uso e ostentação de objetos pessoais como celulares e jóias, além de
dinheiro e cartões de crédito; obedecendo aos limites de seus recursos, de seu corpo e usando bom senso no exercício de seus direitos individuais;

PROTEÇÃO:
Pessoal: cuide de seus objetos e traga consigo seu documento de identidade, evitando também: locais, hábitos, horários, atitudes e pessoas que possam trazer problemas para você;

De sua família e amigos: lembre, cuide e oriente quem você ama, ande sempre que possível acompanhado e saiba sempre onde e com quem estão seus filhos;

Atenção: alegria não combina com armas e drogas, arrogância, brigas, confusões, ostentação e porte de materiais e
objetos que oferecem riscos a você e aos outros como: vidros, metais, ferro, objetos com pontas ou cortantes e inflamáveis;

PARA SEU VEÍCULO:
Prudência: mantenha em local seguro (e não no veículo): chaves-reserva e o documento de transferência, estando
atento para a manutenção geral, o bom estado dos equipamentos de segurança e obrigatórios e a condução dos documentos como a CNH e o DUT e; ao estacionar, mesmo que por curtos períodos, leve consigo as chaves do carro, checando se trancou e acionou alarme e travas; bem como, se não deixou crianças no interior do mesmo;

Moderação: no uso da velocidade, sinais sonoros, som automotivo. Seja educado e dê exemplo de civilidade, inclusive
de educação ambiental;

Proteção: estacione em locais iluminados e com movimento, evitando deixar objetos em cima de bancos ou expostos no
interior do veículo;

Atenção: desatenção, pressa e bebida alcoólica em excesso são péssimas companheiras de viagem; esteja sempre atento
e sóbrio ao dirigir;

PARA SUA CASA:
Prudência: ao sair, leve consigo: chaves e documentos necessários; deixe pessoas de confiança com cópia das chaves e instruídas para ligar e desligar luzes em horários adequados, disponibilizando seus contatos e do local onde ficará durante o período;

Moderação: guarde objetos de valor em locais seguros e comunique sua saída apenas a pessoas de sua confiança,
optando por colocar malas e sacolas nos veículos em horários seguros e evitando fazer este procedimento à vista de curiosos;

Proteção: atente para os registros de gás e de energia, bem como, cheque o trancamento de janelas e portas;

Atenção: tenha sempre à mão os telefones úteis de segurança e de monitoramento de sua casa e de sua rua, além dos
contatos da Zona de Policiamento onde mora, telefones de vizinhos e pessoas de confiança que você pode contar para qualquer eventualidade.

Polícia Civil prioriza o combate ao tráfico em 2012

Reengenharia dos prédios e equipes é principal aposta para reduzir burocracia e ampliar resultados

Filipe Rodrigues – O Vale
A guerra contra o tráfico de drogas será a prioridade da Polícia Civil para 2012 no Vale do Paraíba.
Segundo Edilzo Correia de Lima, coordenador do Deinter-1 (Departamento de Polícia Judiciária de São Paulo Interior), vencer o tráfico é a principal forma para conter crimes como homicídios, roubos e furtos.

Em 2011, a região teve crescimento nos índices de homicídios. Em 10 meses, os assassinatos de 2011 (329) já superaram o total de 2010.
“O tráfico é a raiz de todos os males. Um usuário sem dinheiro para pagar traficante ou para pagar droga, ele vai praticar pequenos furtos. Quando o vício aumento, ele precisa de mais dinheiro”, diz o delegado Lima.

Segundo Lima, apesar do aumento nos homicídios, as autoridades de segurança pública prenderam mais criminosos e apreenderam mais drogas em 2011.

Neste ano, de janeiro a novembro, foram apreendidas 1,7 tonelada de entorpecente contra 944 quilos no mesmo período de 2010.
O número de armas (959) apreendidas também cresceu 22,5% e as prisões em flagrante (6.129), aumentaram 8,4%. Os dados incluem ocorrências atendidas pela Polícia Militar.

Medidas
Em 2012, a Polícia Civil passará por uma reestruturação, que visa aumentar a produtividade e o poder de investigação.

A ideia original é reduzir o número de distritos para diminuir a burocracia. Com isto, haverá mais policiais para atender a população e investigar crimes.

Um exemplo desta medida, que está em fase de implantação em São José, é juntar a DIG (Delegacia de Investigações Gerais) e a Dise (Delegacia de Investigações Sobre Entorpecentes).

“Precisamos de um prédio maior para aperfeiçoar essa união. Mas em tese, os investigadores destas unidades já estão atuando em conjunto”, diz ele.

Casos
A mudança não deverá acontecer apenas na DIG e na Dise. Em São José, são cinco delegacias que devem sofrer alterações. No Vale, atualmente são 74 delegacias. Com as mudanças, o número pode cair para 59.

Em tese, o reagrupamento significa aumentar a área de atuação de um distrito. Com isso, algumas delegacias seriam fechadas e os policiais seriam redistribuídos.

Um projeto piloto foi adotado na cidade de Pirassununga e segundo a Secretaria de Segurança Pública, o índice de esclarecimento de crimes triplicou na cidade.

“A reengenharia vai acontecer, mas é preciso cuidado. Não basta agrupar policiais de duas unidades em um prédio. Tem que pensar no conforto da população e ter prédios que suportem o movimento. Além disso, há a localização. Não podemos fazer uma pessoa andar 20 quilômetros para registrar a ocorrência”, diz Lima.

Policiais
Até março, a Polícia Civil espera receber mais agentes, investigadores e delegados para ampliar o atendimento à população. De acordo com o delegado, foram finalizados concursos e os aprovados já estão em treinamento.

“O atendimento à população é uma prioridade. É uma fonte de informação para o nosso trabalho.”

‘Ajudei ladrões para proteger minha família’, diz refém de festa invadida

Nove pessoas, entre elas duas eram crianças, foram feitas reféns.
Um dos convidados foi agredido com uma coronhada na cabeça.

Foram apenas 10 minutos que ficarão marcados na memória de uma família de São José do Rio Preto, interior de São Paulo. Este foi o tempo em que nove pessoas, entre elas duas crianças, foram feitas reféns na noite desta quinta-feira (8), durante uma festa de confraternização de final de ano entre amigos. Uma convidado foi agredido com uma coronhada na cabeça.

Uma das pessoas que estavam na festa , que não quis se identificar, disse em entrevista ao G1 Rio Preto que pensou apenas em proteger a família. “Eu me ofereci para ajudá-los a recolher os pertences da minha casa, em troca eles não machucariam minha família. Vivi momentos de terror, ainda não caiu minha ficha sobre o que aconteceu”, disse. A casa fica em um bairro de classe média alta da cidade, Jardim Tarraf II.
A residência foi invadida por três homens armados e encapuzados. Eles entraram na casa no momento em que dois convidados e uma criança foram embora. Dentro da festa, renderam nove pessoas, entre elas duas crianças, uma de dois anos e outra de seis. Os bandidos recolheram joias, celulares, dinheiro e uma TV. Depois, usaram o carro de uma das vítimas para fugir.

“Na saída, eles não conseguiam abrir o portão e ficaram nervosos. Chamaram meu irmão para ajudar e acabaram o agredindo com uma coronhada na cabeça. Foi uma agressão gratuita, não havia necessidade”, contou a vítima. O homem foi socorrido e passa bem. Os reféns estão abalados. “Ficamos muito preocupados com a crianças, a de dois anos felizmente não entendeu o que aconteceu, mas a de seis anos ficou apavorada. Graças a Deus todos estão bem, apesar do grande susto”, concluiu.

As vítimas prestaram depoimento na delegacia da cidade. Segundo o delegado João Lafaiete Sanches, o caso será investigado com prioridade. “Foi instaurado um inquérito para apurar o caso. Descobrimos que nem todos os ladrões estavam encapuzados, portanto, teremos novidades em breve”, explicou.

Natália Clementin G1 Rio Preto e Araçatuba

A Rota dos explosivos

Como agem os grupos criminosos que explodem e assaltam caixas eletrônicos pelo País.

Caixas eletrônicos se tornaram a menina dos olhos da bandidagem brasileira. Um furto bem-sucedido pode render em torno de R$ 200 mil reais por cofre violado. Se o dinheiro é fácil, os meios para consegui-lo são ainda mais.

A falta de controle do mercado de produtos explosivos permite que grupos criminosos levem aos ares terminais de auto-atendimento de Norte a Sul do País e revela uma deficiência grave na estrutura de segurança nacional.

Três caixas eletrônicos são violados por dia no Estado de São Paulo. Em um terço dessas ocasiões, os ladrões utilizam explosivos, técnica capaz de neutralizar os dispositivos antifurto que queimam e mancham as notas.

Nos primeiros nove meses de 2011, foram informados 727 ataques pela Secretaria de Segurança Pública paulista e a incidência é cada vez maior em cidades do interior.

Na madrugada de quinta-feira 24, em Atibaia, por exemplo, seis homens armados explodiram um caixa eletrônico em um posto de gasolina.

Na capital paulista, as ocorrências diminuíram após a prisão de 13 policiais militares que davam cobertura para os furtos.

“Prendemos somente na capital outros 48 criminosos que formavam várias quadrilhas”, diz Rodolfo Chiarelli, delegado de repressão a roubo de bancos do Departamento de Investigação do Crime Organizado de São Paulo.

Mas o problema está longe de se restringir ao Estado mais rico do Brasil, já que no mesmo período a polícia registrou diversas ocorrências no Paraná, em Mato Grosso, em Santa Catarina e na Bahia.

“Quando surgiram os primeiros casos aqui no Nordeste nós aumentamos a qualidade do nosso sistema de segurança, mas não depende apenas da gente”, afirma Carlos Avellar, diretor da fábrica de explosivos Elephant, com sede em Pernambuco.

O mercado de explosivos tem regulamentação do Exército, que autoriza a fabricação, o armazenamento e a compra do material no País. As empresas são registradas na Diretoria de Fiscalização de Produtos Controlados, subordinada ao Comando de Logística do Exército. Mas a falha de controle sobre o destino dos explosivos comercializados legalmente facilita a ação dos criminosos. Nem as polícias civis de cada Estado nem o Exército contam com estruturas adequadas para fiscalizar o uso desses materiais.

A consequência direta é a de que boa parte do material usado nos furtos tem origem em depósitos de fabricantes, pedreiras, construtoras e empresas de demolição. O material chega aos bandidos por meio de assaltos e por desvios realizados por funcionários desses locais, a chamada lavagem de explosivos.

“Um sujeito pode comprar 100 quilos e desviar parte desse material, sem a menor dificuldade para revender a criminosos a um preço muito baixo”, informa o especialista em segurança Ricardo Chilelli, presidente da RCI First.

Na semana passada, policiais de Santa Catarina finalizaram a Operação Rastro, que prendeu 19 pessoas acusadas de realizar furtos a caixas eletrônicos em cidades litorâneas do Estado. Duas delas são empregados de pedreiras acusados de desviar explosivos para as quadrilhas.

“A raiz do problema é a liberdade excessiva nesse setor. A fiscalização tem que aumentar”, diz o delegado Daniel Régis, de Caçador (SC), que comandou a operação.

Outros mananciais dos criminosos são as estradas. “Entre 2009 e 2010, a quantidade de explosivos roubados subiu de 390 quilos para duas toneladas por ano”, informa o pesquisador criminal Jorge Lordello.

Relatório do Exército informa que 1,06 tonelada de emulsão de nitrato de amônia e TNT em gel foi subtraída de pedreiras e de obras em execução nas estradas durante o ano de 2010, volume 170% superior a 2009, além de 11,7 quilômetros de cordel detonante e 568 espoletas.

Os criminosos utilizam a chamada emulsão, TNT em gel, de maior estabilidade e mais fácil armazenamento que a dinamite. A banana do explosivo se assemelha uma salsicha branca e é usada em 70% desses furtos.

Diante do volume de casos que aumenta a cada dia no País, um grupo de trabalho foi criado em São Paulo, com participação de representantes dos organismos de segurança pública e dos bancos, que deve contar também com o Exército, para elaborar um plano que tenha como objetivo diminuir a fragilidade do setor de explosivos no País.

“Todos os elementos, como novas tecnologias, gerenciamento de riscos, policiamento adequado e punições severas para os criminosos, estão diretamente relacionados”, afirma Bruno Morgado, presidente da South American Surveyors, empresa que presta consultoria na área de gerenciamento de risco. Ou, então, os bandidos continuarão a usar bombas como senhas nos caixas eletrônicos.

Fonte: Revista Istoé SP – Novembro/11, pgs 70/71

Ibope: violência atingiu 30% da população no último ano

Agência Estado

A pesquisa “Retratos da Sociedade Brasileira: Segurança Pública” feita pelo Ibope e divulgada hoje pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) mostra que 9% dos brasileiros entrevistados foram furtados, assaltados ou agredidos nos últimos 12 meses, 19% sabem de parentes que sofreram algum desses crimes e 2% relataram violência tanto contra si como contra um familiar. Assim, 30% da população sofreu diretamente com a violência no período de um ano. Uma das consequências desse dado é que 80% dos brasileiros mudaram algum hábito por conta da criminalidade, principalmente evitar andar com dinheiro.

As maiores incidências foram registradas nas Regiões Norte/Centro-Oeste e Nordeste, onde, respectivamente, 43% e 33% os entrevistados relataram terem sofrido ele próprio ou um parente furto, assalto ou agressão nos últimos 12 meses. O porcentual também é elevado entre os residentes nas capitais (42%) e nas cidades com mais de 100 mil habitantes (38%).

O levantamento ainda revela que a violência restringe a circulação da população pela cidade – 54% dos consultados evitam sair à noite, 48% deixaram de circular por alguns bairros ou ruas e 36% mudaram o trajeto entre a residência e o trabalho ou a escola. Além disso, 79% presenciaram violência nos últimos 12 meses, sendo que a ocorrência mais comum é o uso de drogas na rua, crime relatado por 67% da população.

O combate ao tráfico é prioridade para a segurança pública na opinião de 58% dos entrevistados. No entanto, 90% concordam que ações sociais, como educação e formação profissional, contribuem mais para diminuir a violência do que ações repressivas. “É consenso entre a população brasileira que as políticas sociais são mais eficazes para a redução da violência, mas a grande maioria também defende punições mais duras contra o crime, sobretudo contra os mais violentos”, afirma o documento.

Instituições
Para a população brasileira, as Forças Armadas e a Polícia Federal são consideradas as instituições mais eficientes para a segurança pública, sendo avaliadas como ótima/boa e regular por, respectivamente, 90% e 89% dos entrevistados. Por outro lado, as instituições com pior popularidade são o Poder Judiciário, com 34% de avaliação ruim ou péssima, e o Congresso Nacional, mal avaliado por 45% dos consultados.

A segurança pública aparece em segundo lugar em uma lista de 23 maiores problemas que o Brasil enfrenta, perdendo apenas para a saúde. O tráfico e o uso de drogas aparece na terceira colocação. No geral, 51% dos brasileiros consideram a situação da segurança pública no País ruim ou péssima e 36%, regular. Apenas 12% a avaliam como ótima ou boa. Além disso, só 15% da população percebeu alguma melhora na situação da segurança pública nos últimos três anos. Já para 37% o quadro piorou. Para tentar reverter essa situação, 84% defendem o uso das Forças Armadas no combate à criminalidade.

Câmeras flagram assalto em saída de banco em São José dos Campos, SP

Vítima percebeu que estava sendo seguida e tentou se esquivar.
Criminosos conseguiram fugir com R$ 18 mil.

Do G1 SP, com informações da VNews

Câmeras de segurança registraram um assalto na saída de um banco em São José dos Campos, no interior de São Paulo, nesta terça-feira (18).

Um homem tinha acabado de sacar cerca de R$ 18 mil quando percebeu que estava sendo seguido fora de uma agência bancária do Itaú. Ele tentou se esconder em uma concessionária de veículos que fica próxima ao banco, mas um dos criminosos o perseguiu. Os assaltantes, que estavam armados, fugiram em uma moto com o dinheiro.

Segundo a vítima, o grupo sabia o valor exato do dinheiro que ele tinha sacado. Por isso, ele desconfiou que eles foram avisados por algum funcionário da agência. “Se a gente não pode usar o celular no banco e nem o cliente, alguém da agência falou pra ele o exato valor. E ele vinha falando ao telefone e perguntando quem era, aí outro falou ‘é o de preto, é o de preto’, e eu corri”, contou a vítima.

O banco Itaú informou que não vai comentar a suspeita da vítima de que o roubo envolveria funcionários, pois a ocorrência foi registrada fora da agência e o cliente também não retornou para fazer a reclamação. A Polícia Militar foi chamada, mas os assaltantes não foram localizados.