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Posts Tagged ‘ Estratégia

Mais zeladoria, menos criminalidade

Investir em iluminação e espaços públicos bem cuidados ajudam a inibir violência, um dos principais problemas da capital, de acordo com eleitores

Quando chega a noite e a comerciante Cláudia Rodrigues, de 37 anos, tem de subir da estação do metrô até a sua casa pela Rua Inglesa, em Santana, zona norte da cidade, ela não vai pela calçada. Por causa da iluminação pública precária, o trajeto é feito pelo meio da rua, com a atenção redobrada, para evitar assaltos.

“Só nesta semana, já ouvi falar de cinco ou seis pessoas que foram assaltadas na região. Aqui é sempre assim”, disse Cláudia. A iluminação pública é das atribuições diretas de um prefeito que podem ajudar a promover segurança na cidade de São Paulo. Embora seja uma responsabilidade dos Estados, a violência costuma ser citada como um dos principais problemas da capital pelos eleitores e cobrada também de prefeitos.

Zelar pelo espaço público, outra atribuição direta das prefeituras, tornou-se uma estratégia para combater a criminalidade em grandes cidades do mundo. O exemplo mais bem-sucedido desse modelo é Nova York. A política de “tolerância zero” foi a maior marca da gestão do ex-prefeito Rudolph Giuliani (1994-2002).

A ideia baseia-se na teoria desenvolvida por George Kelling e James Wilson em 1982 e denominada Broken Windows (Janelas Quebradas). Os dois ensaístas entendiam que era imprescindível eliminar a desordem para conseguir reduzir a criminalidade. Exemplificavam: “Se você ignorar a janela quebrada de um prédio, outras janelas também serão quebradas. A área vai passar a ter uma imagem de abandono e a delinquência penetrará na sua casa”.

Criminalidade
“Com a desordem urbana, os infratores se sentem muito confortáveis para praticar pequenos, médios e grandes delitos. Quando o ambiente fica confortável para o cidadão, se torna desconfortável para o criminoso”, diz José Vicente, ex-secretário Nacional de Segurança Pública do governo Fernando Henrique Cardoso (PSDB).

Mais complexo, outro caminho para prefeituras ajudarem a reduzir a criminalidade é por meio da prevenção, ao adotar programas para diminuir a vulnerabilidade de jovens na periferia, considerado o grupo mais exposto à violência. Para isso, as opções são investir em projetos educacionais e de recreação e formação profissional.

Segundo o professor Ignácio Cano, do Laboratório de Análise da Violência, da Universidade Estadual do Rio de Janeiro, nos últimos anos as prefeituras têm desempenhado um papel crescente nessa área, apesar da atribuição constitucional dada aos Estados. “Os municípios devem criar planos locais de segurança, com metas, e trabalhar de forma integrada com os órgãos estaduais”, sugere.

Em São Paulo, um exemplo desse tipo de parceria entre governo estadual e município é a Operação Delegada, instituída em 2009.

O “bico oficial” dos policiais militares permite que esses agentes, ligados ao Estado, trabalhem em seus períodos de folga para a Prefeitura.

Atualmente, cerca de 4 mil PMs participam do programa, atuando no combate ao comércio ilegal e reforçando o patrulhamento das ruas. No ano passado, o custo da operação foi de R$ 112 milhões. A previsão deste ano é a de que a sejam investidos R$ 150 milhões.

Há críticas ao fato de o potencial da Guarda Civil Metropolitana estar sendo pouco aproveitado em São Paulo, justamente por causa da falta de sintonia entre os dois poderes. De acordo com o pesquisador do Núcleo de Políticas Públicas da USP, Leandro Piquet Carneiro, a Polícia Militar não vê com bons olhos a participação de guardas municipais em ações de ordenamento da cidade e patrulhamento.

“Se o clima de desconfiança da PM com relação à Guarda pudesse ser superado, haveria um ganho significativo no policiamento”, afirma.

O Estado de S.Paulo

Polícia prepara operação Dia dos Pais

A Polícia Militar vai reforçar a segurança perto de bares e restaurantes da capital no próximo domingo, Dia dos Pais, para evitar a ocorrência de arrastões. Segundo a PM, o esquema especial, que inclui reforço de até 80% no número de soldados, passa a valer na noite de sábado, com a entrada de policiais do setor administrativo nas rondas.

Além disso, desde sexta-feira, a corporação tem realizado uma sequência de blitze nas ruas para capturar procurados e recuperar veículos roubados, também escalando para o patrulhamento policiais que normalmente atuam no setor administrativo. Balanço parcial mostra que, desde o primeiro dia dos bloqueios – com 4 mil homens –, 71 procurados foram mandados para a cadeia. Foram apreendidas 35 armas de fogo. E 63 veículos roubados ou furtados foram recuperados.

“O grande objetivo é mostrar que a polícia está presente para garantir a segurança das pessoas”, diz o capitão Cleodato Moisés, porta-voz do Comando de Policiamento da Capital (CPC). Segundo ele, a estratégia evita a ação de criminosos. “Eles deixam de agir porque um se comunica com o outro.” Essa operação será encerrada à 1h desta quarta-feira.

Sobre a ação no Dia dos Pais, Moisés diz que a intenção é proporcionar um almoço e jantar tranquilo às famílias. “Essas datas sempre são motivo de preocupação e, por isso, policiais da área de cada bairro vão trabalhar com alguns focos.” Situação semelhante também foi vista nos Dias das Mães e dos Namorados, quando foram desencadeadas megaoperações para prevenir arrastões.

O diretor executivo da Associação Nacional de Restaurantes (ANR), Alberto Lyra, afirma que, desde que a PM passou a reforçar a patrulha em datas comemorativas – e também em dias normais –, o crime de arrastão “arrefeceu”. “Melhorou bastante, e as pessoas estão começando a ir para restaurantes com mais tranquilidade.”

Camila Haddad / Cristiane Bomfim – Jornal da Tarde

Você já foi assaltado em seu bairro?

Você se sente mais seguro próximo de sua casa ou em locais distantes? É natural que a maioria das respostas tenha o seguinte direcionamento: “Como conheço bem o bairro onde resido, tenho sensação de segurança maior”. Infelizmente, o raciocínio não deve se ater a essa lógica.

Recente levantamento apurou que a maioria dos latrocínios (roubo seguido de morte) ocorrem próximo das residências das vítimas. Cerca de 60% dos assaltos que redundaram na morte das vítimas ocorreram a menos de 3 km do local de moradia. A explicação é simples: como conhecemos bem a região onde moramos, é natural certo relaxamento em relação a segurança pessoal e, consequentemente, ao abandono de atitudes de ordem preventiva.

Coincidentemente, e corroborando com o resultado desse estudo, a maioria dos acidentes de trânsito se dá a poucas quadras da residência dos motoristas, nos permitindo, portanto, aplicação do mesmo raciocínio: como o trajeto é sobejamente conhecido, a tendência é se dirigir sem atenção adequada.

Buda também se preocupou com o tema, quando deixou a seguinte lição de vida: “As pessoas precisam aprender a enxergar e evitar todos os perigos. Assim como um homem sábio se mantêm à distância de um cão raivoso, não devemos nos aproximar dos homens maus”. A experiência adquirida como estudioso do assunto, me fez concluir que as pessoas se tornam mais vulneráveis quando negam a possibilidade de serem vítimas da violência urbana; é o mesmo que tapar o sol com a peneira; não é a melhor estratégia.

A distração e a imprudência nos deixam em posição de risco. Pessoas desatentas e desinformadas sobre métodos de proteção estão mais sujeitas ao perigo. Ser vítima da criminalidade não é um fenômeno do acaso ou fatalidade do destino.

Os riscos podem ser evitados, e o melhor caminho é a prevenção. Por que algumas pessoas são assaltadas com frequência enquanto outras não? Será que é pura sorte? Pode ter certeza de que não há sorte nenhuma envolvida no fato de alguém jamais ter sido roubado.

A verdade é que quem nunca foi vítima de assalto é mais prevenido que quem já foi. Mesmo que inconscientemente, dificulta a aproximação de estranhos, por isso, acaba sendo considerado sortudo quando o assunto é segurança.

Dr. Jorge Lordello

Brasil precisa reinventar seu planejamento de segurança para a Copa de 2014

A decisão das autoridades encarregadas da segurança dos Jogos Olímpicos de Londres, que anunciaram esta semana que vão instalar mísseis no topo de seis prédios da cidade, é radical. Mas mostra ao Brasil o tamanho do desafio de garantir tranquilidade a uma competição com as dimensões de uma Olimpíada. Apesar das diferenças óbvias entre as duas cidades, no que se refere a criminalidade e necessidades de policiamento, a preocupação dos ingleses norteia uma reforma profunda na forma como o Brasil pensa e executa seus planos de segurança. Antes mesmo de 2016, um desafio igualmente grandioso se apresenta para policiais e gestores brasileiros: em 2014, grandes deslocamentos de público, atletas e autoridades vão ocorrer quase simultaneamente em 12 capitais, de Porto Alegre a Manaus.

A palavra-chave, no momento, é “integração”. O desafio da vez é fazer com que órgãos, sistemas e autoridades falem a mesma língua, para a maior operação de segurança já realizada no país. Apesar de não se cogitar qualquer coisa parecida com os mísseis dos jogos de Londres, a transformação de cenário por aqui também será radical.

A imagem de autoridades americanas reunidas diante de telões, decidindo e deslocando equipes de policiais e bombeiros para conter uma crise é bastante conhecida, graças ao cinema. As cenas dos filmes de ficção, no entanto, não são muito diferentes do que hoje em dia já ocorre em cidades como Nova York, que conseguiram dar um passo além quando o assunto é gestão de segurança e comunicação entre as forças policiais. “Nosso principal desafio é a integração entendida de uma forma ampla, de forma a conectar e utilizar da melhor forma os órgãos federais, estaduais e municipais no planejamento de segurança.

Temos que integrar as polícias federais e estaduais. E fazer o mesmo com sistemas policiais dos estados-sede com sistemas federais, e destes com as bases de dados da Interpol”, explica o secretário extraordinário de segurança para grandes eventos, Valdinho Jacinto Caetano, que é delegado da Polícia Federal (PF).

O comando da segurança da Copa será em Brasília, onde funcionará o centro de controle central do país. Um sistema de reserva ficará montado no Rio de Janeiro por precaução. E em cada estado que vai receber partidas da competição haverá um centro independente, conectado à Interpol, e pelo menos dois centros móveis para serem deslocados de acordo com a estratégia para cada local. Rio, São Paulo e Minas terão três centros móveis cada. A meta da secretaria é fazer com que todos os centros fixos estejam em funcionamento para a Copa das Confederações, em 2013. “Os centros de integração são parte de um plano de atuação que contempla três frentes: enfrentamento a ameaças externas, ações em portos aeroportos e fronteiras, e segurança e estabilidade interna”, diz Caetano.

Os estádios da Copa também terão seus centros móveis, ligados diretamente às unidades de comando e controle governamentais. O objetivo do ministério é transformar as sedes das partidas em um Big Brother, vigiando 24 horas cada atitude suspeita e antevendo acidentes possíveis. O sistema usa câmeras que mostram o que acontece nos pontos escolhidos da cidade. “Usamos como referência países que realizaram grandes eventos recentemente, como Alemanha, África do Sul, Estados Unidos, e também países que estão perto de receber grandes eventos, como Londres”, conta o secretário.

Fonte: Revista Veja

SINAIS DO CRIME: Códigos da violência

O crime tatuado na pele. O BOM DIA mergulha no submundo do ‘xadrez’ e revela o significado desses códigos

Michelle Mendes – O Vale
São José e Taubaté

Crime tatuado na pele. A ‘vida loka’ traduzida, da alma para o corpo, em cores e traços. Códigos cifrados do submundo, alfabeto da violência. Entre os criminosos, a tatuagem é informação e ao mesmo tempo, revela o ‘currículo’ e o status, pode conter dados ocultos. A estratégia é empregada até na mais temida facção criminosa do Estado: o PCC (Primeiro Comando da Capital).

Os desenhos são feitos nas celas, pelos próprios criminosos, de maneira improvisada. Por meio desses sinais, é possível criar uma espécie de ‘cartão de visitas’, gravado na pele. Cada tatuagem tem o seu significado próprio, pode informar qual o crime praticado pelo prisioneiro ou então que facção integra.

As tatuagens são feitas um com tubo de tinta caneta esferográfica, agulha de costura e motor de gravador. E essa máquina artesanal é movida a pilha ou gato da fiação elétrica. Há casos em que o bandido consegue tinta profissional para o desenho.

Código do PCC /Das ‘tatuagens do PCC’, as mais usadas são o próprio nome da facção (ou o símbolo 1533), a carpa, o símbolo chinês ‘Yin Yang’ e a sigla PJLI — ‘lema’ da organização: Paz, Justiça, Liberdade e Igualdade.

Outras facções, como, por exemplo: ‘CRBC’ (Comando Revolucionário Brasileiro da Criminalidade), ‘ TCC’ (Terceiro Comando da Capital) e SS (Seita Satânica).

Grife /As tatuagens tem um ‘código’ geral — é incomum que os significados mudem de um presídio para o outro. O que não impede a criação, no Vale do Paraíba, de novas ‘grifes’ do crime, por quadrilhas ligadas ao tráfico de drogas, como ocorre em Taubaté.

Entre as imagens mais comuns no sistema prisional estão santos, caveiras, bonecos, punhal, diabo, estrela, suástica, cobra, palhaço, fuzis. São os sinais do crime.

‘Amor só de mãe’: frase indica ‘matadores’ do crime, diz DIG

‘Amor só de mãe’. De acordo com a Polícia Civil da região, essa é a frase gravada no corpo, na maioria das vezes em japonês, dos ‘matadores’ do crime . A mensagem, de acordo com a ‘cartilha’ das facções é: deve-se respeito apenas à própria mãe, o resto, é resto. O ‘vida loka’ não mede consequências para executar o ‘alvo’, quem quer que seja — policial, criminoso ou mesmo um cidadão comum.

“Na maioria dos casos os criminosos fazem tatuagens para transmitir a mensagem de como devem ser reconhecido na bandidagem, no PCC, por exemplo, o ‘1533’ tem o total respeito na facção e chega a provocar medo”, afirmou à reportagem do BOM DIA delegado titular da DIG (Delegacia de Investigações Gerais) de Taubaté, Juarez Totti.

Aumento dos assaltos na saída de agências bancárias assusta clientes

O ataque de assaltantes provocou duas mortes nas últimas 24 horas em São Paulo. A polícia dá orientações para evitar exposição durante saques.

Natália Ariede
São Paulo

Um tiroteio em um bairro nobre de São Paulo assustou quem estava na região. Dois bandidos foram mortos depois de roubar um cliente de um banco. Os tiros foram disparados por um policial à paisana, mas o dinheiro da vítima – 12 mil reais – desapareceu.

Em outro caso de saidinha de banco, em São Bernardo do Campo, os ladrões foram presos e um deles reconhecido por vítimas de outros assaltos. Mas apenas dois mil, dos cinco mil reais da vítima, foram recuperados. Nos dois casos a polícia está investigando o paradeiro dos valores desaparecidos.

Em São Paulo, para combater o crime conhecido como saidinha de banco, a polícia adota como estratégia a presença mais frequente dos PMs. Eles visitam as agências bancárias, dão orientações aos funcionários e distribuem cartilhas aos clientes, com dicas de cuidados para evitar ser vítima desse tipo de crime.

Em Salvador, depois do baterista da banda de forró Estakazero ter sido baleado na cabeça após sacar dinheiro, a prefeitura deu seis meses para que os bancos instalem câmeras de segurança dentro e fora das agências. A multa é de cinco mil reais.

No Ceará, os bancos têm 90 dias para se adaptar a uma lei que proíbe o uso de celulares nas agências.

Para quem vai sacar dinheiro, a Polícia Militar de São Paulo recomenda:
- não avise que vai fazer um grande saque
- vá acompanhado
- não conte dinheiro no caixa
- não peça ajuda a estranhos
- atenção no trajeto
Fonte: Polícia Militar de SP

“No deslocamento, observe se está sendo acompanhado. Antes de entrar no banco veja se tem pessoas que estão olhando de forma diferente. Se for abordado, nunca reaja. Ele quer apenas o bem material. No caso o dinheiro”, diz o capitão Cleodato Moisés, Polícia Militar.

Assista a matéria exibida no Jornal Hoje: