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Preso bando que torturava vítimas

Por Camilla Haddad – Jornal da Tarde

Com requintes de crueldade, uma quadrilha assaltava casas em áreas nobres da zona sul, jogava álcool no corpo das vítimas e ameaçava atear fogo caso elas não indicassem a localização dos cofres. Segundo a polícia, desde abril, pelo menos dez residências foram atacadas dessa forma. Três homens estão presos acusados de cometer os crimes e outros quatro estão foragidos. O caso foi apresentado ontem pelo Departamento de Investigações sobre Crime Organizado (Deic).

A estimativa dos investigadores é que os assaltantes praticavam até quatro roubos por semana. Quando saíam dos residências, os ladrões seguiam para a casa, na Favela Alba, na zona sul, e vendiam todos objetos de valor para a comunidade, entre eles televisores, DVDs, joias, roupas de grife e notebooks a preços bem menores do que realmente valiam. O comércio era feito de porta em porta, segundo contaram os policiais civis.

O bando agia nos bairros do Campo Belo, Jabaquara, Moema e Jardim Aeroporto. Preferiam horários em que os donos das casas saíam para trabalhar, entre 6h e 7h. Existem relatos de abordagens no retorno do trabalho, às 19h. A escolha de cada vítima era feita após um dos integrantes do bando fazer observações da rotina dos moradores – qual carro tinha e horário que entrava na casa.

Na lista de vítimas, está um casal de alemães moradores do Campo Belo. Depois de entrarem na casa às 6h, cinco assaltantes renderam uma mulher de 77 anos e o marido, de 88. Para intimidar, apagaram todas as luzes e usavam uma lanterna para identificar os bens da família. Na mesma região, uma aposentada de 93 anos foi ameaçada de morte caso o genro dela, de 63 anos, não entregasse joias e dinheiro.

O delegado Francisco Solano de Santana, da Delegacia de Repressão a Roubos e Extorsões, explica que o suspeito mais perigoso e violento, tido como o líder do bando, está entre os detidos. Gerson Roberto dos Santos, o Coelho, tem 26 anos, foi capturado em 11 de agosto, após trocar tiros com a Polícia Militar em um roubo.

Ele já chegou a ser reconhecido por duas vítimas porque tinha um detalhe diferente dos comparsas: usava aparelho nos dentes. Além dele, também estão presos Rodrigo Bispo da Silva, de 29, e Ricardo Araujo Correia, de 39. Os dois foram pegos em 14 de setembro após um crime em um imóvel no Campo Belo.

Dos dez boletins de ocorrência registrados no 35º DP (Jabaquara) e 27º DP (Campo Belo), duas vítimas reconheceram o grupo. Segundo o delegado, a ação dos assaltantes é tão violenta que as vítimas têm medo de fazer o reconhecimento por causa do trauma. Normalmente os ameaçados eram os idosos e crianças. “Fazemos um apelo para que as vítimas nos procurem”, disse Solano.

Operação da PM aumenta efetivo em 30% em todo o Vale

Claudio Capucho
Objetivo é inibir ações criminosas nas áreas com maiores índices de violência

Filipe Rodrigues – O Vale
São José dos Campos

A Polícia Militar iniciou ontem uma megaoperação contra o crime que irá durar uma semana em todas cidades do Vale do Paraíba.

Durante o período, o número de policiais em patrulhamento irá aumentar 30%. O reforço será em áreas com grande circulação de pessoas e regiões com índices criminais elevados.

Ontem, foram feitos bloqueios nos acessos às cidades e intensificadas as abordagens a pedestres, motoristas e motociclistas.

Em São José, na região central e nas zonas norte e oeste, até às 18h de ontem, cinco pessoas tinham sido presas e um menor de idade apreendido.

Em Taubaté, o foco da ação foram roubos e furtos de veículos. 136 veículos e 183 pessoas foram revistadas. Quatro motos foram apreendidas.

Operação
O efetivo foi reforçado nas áreas com mais crimes e horários com mais ocorrências. A operação “Visibilidade Estratégica” aconteceu das 11h às 23h.

“De manhã, houve saturação de policiais no centro das cidades. À tarde, foram pontos de bloqueio”, diz a capitã Sonia Paula Hamad.

Para garantir o reforço, foram canceladas todas as folgas de policiais e PMs do setor administrativo também atuaram no patrulhamento.

“A intenção é reduzir os índices criminais e garantir sensação de segurança. Também queremos nos aproximar da população”, diz a capitã.

São José
Na cidade, a operação começou às 7h30 e seguiu até às 23h. Até as 11h, um efetivo menor foi empregado para fazer rondas em regiões com maior incidência de roubos e furtos na cidade.

Após as 11h, cerca de 35 viaturas reforçaram a segurança na região central. Às 16h, o alvo foi o trânsito, com blitze nas vias mais movimentadas.

O resultado parcial nas regiões central, norte e oeste apontava para 947 pessoas e 635 veículos revistados.

Sete carros foram apreendidos por falta de documentação e duas armas apreendidas.

Ocorrências
A primeira ocorrência em São José aconteceu às 8h. Durante uma abordagem a cinco homens no bairro Por do Sol, zona oeste, quatro fugiram correndo e um dos rapazes foi preso na hora.

Houve perseguição, um dos fugitivos foi preso e, com ele, foi encontrado um revólver calibre 38. Os outros três rapazes continuam foragidos. Ao questionar os homens sobre a fuga, eles disseram estar de posse de três carros roubados, que foram recuperados.

Também foram cumpridos mandados de prisão. Um dos homens presos foi o médico C.L.W, 50 anos, condenado a sete meses de prisão por dirigir embriagado.

Bicicleta ajuda PM nas rondas

Aaron Kawai

Policiais ciclistas de São José estão atuando principalmente em áreas comerciais da cidade e começam a ter ganhar confiança da população

Filipe Rodrigues
São José dos Campos

Policiais em bicicletas têm sido a principal arma da Polícia Militar para combater a criminalidade na região central de São José.

Segundo a corporação, os policiais ciclistas são escolhidos para atuar, principalmente em áreas comerciais.

“A bicicleta chega em alguns locais que é impossível chegar com a viatura. Também é mais discreta e mais rápido que o policiamento a pé”, diz o capitão Marcelo de Oliveira Garcia.

No primeiro semestre deste ano, os policiais em bicicletas foram responsáveis por 12 flagrantes de roubo, furto e tráfico de drogas. Cerca de 2.000 pessoas foram abordadas e, entre elas, oito foragidos foram recapturados.

Quando o policial ciclista faz o flagrante, ele chama uma viatura de apoio, que ficará responsável pelo transporte do preso. “É um apoio aos outros policiais”.

Comunidade
A facilidade de comunicação de um ciclista também é um ponto que tem feito a PM investir neste tipo de policiamento.

“A ordem que damos ao policial de bicicleta é que ande sempre bem devagar, no máximo 5km/h e procure descer da bicicleta, conversar com quem está na rua e oferecer o serviço da PM aos cidadãos”.

As bicicletas foram implementadas em 2003. No início, eram dois policiais por dia na região central, agora são 10 e o número pode aumentar.

Atualmente, todas as companhias da PM atuam com ciclistas. Além das áreas comerciais, eles atuam em praças.

“Quando precisamos fazer algum levantamento em praças, eles são a prioridade para fazer este tipo de trabalho devido à mobilidade”.

Casa abandonada vira ‘cracolândia’ em S. José

Thiago Leon

Thiago Leon

Vizinhos reclamam de insegurança e sujeira; PM diz que não pode agir sem que haja denúncia

Filipe Rodrigues
São José dos Campos

Uma casa abandonada na rua Major Antônio Domingues, no centro, virou a nova ‘cracolândia’ de São José. Segundo os próprios usuários, pelo menos 20 dependentes químicos se reúnem no local diariamente para usar crack.

A movimentação no imóvel é intensa durante todo o dia. Entre moradores e comerciantes da região, a sensação é de insegurança.

Em janeiro, uma casa vizinha, a poucos metros, era o ponto de encontro dos dependentes. Após denúncias dos moradores, o imóvel foi demolido.

Segundo a Polícia Militar, só seria constatado algum crime por parte dos dependentes se o proprietário da casa fizesse uma denúncia.

A Secretaria de Desenvolvimento Social informou que irá acionar o proprietário do imóvel para que ele tome providências.

O dono da casa não foi encontrado ontem para comentar o assunto.

Consumo
O VALE esteve ontem na casa e, segundo os próprios usuários, o local é utilizado há cerca de duas semanas pelos dependentes.

Na casa, está morando um homem de 36 anos que diz ter recebido autorização do proprietário do imóvel para permanecer ali.

“Eu comecei a fazer uns trabalhos para ele. Aí vem um pessoal aqui para gente dar um pega (no crack), conversar”, disse F.

Uma das visitas constantes ao imóvel é de A., 29 anos. O rapaz diz que vai ao local três vezes por dia.

“Não dá para contar quantas pedras a gente usa, 20 ou 30. É de perder a conta. Uso crack há três anos, já tentei internação duas vezes, mas sempre saio quando bate a abstinência”, disse.

Para que a prática não chame a atenção, F. mantém o portão da casa trancado com uma corrente e um cadeado. Só aparece na rua quando algum usuário lhe chama.

“Não queremos incomodar. Só um lugar para ficar. Quando acaba o dinheiro, saímos para pedir e comprar mais”, disse F.

História
A rua tem histórico de ser utilizada durante a noite para consumo de drogas e prostituição. Moradores e comerciantes reclamam que falta atuação da polícia e da prefeitura.

“Alguns comércios fecharam e outras pessoas se mudaram, o que fez com que a rua ficasse menos movimentada. Por isso, essas pessoas preferem usar drogas aqui”, diz uma mulher que mora em um prédio nas proximidades.

O medo de quem transita pela região é o risco de roubos e furtos em busca de dinheiro para a compra de drogas.

“Como vou parar meu carro aqui? Há vezes que encosto e eles já vêm pedir dinheiro. E se eu não der? O que vão fazer”, questiona um morador.

Um comerciante afirma que outro problema trazido pelos dependentes é a sujeira. “Se fingimos que não vemos, não há risco. Mas todo dia de manhã, minha calçada está suja”, disse o lojista.

Lei dificulta ação, afirma a PM
São José dos Campos

A Polícia Militar diz conhecer o problema do consumo de drogas no imóvel, mas afirma que é difícil agir por ser uma área particular.

“Não podemos invadir o local. Se o proprietário reclamar, aí haverá um crime”, disse o capitão Marcelo de Oliveira de Garcia, responsável pelo policiamento no centro.

Durante as abordagens ao imóvel, os policiais fizeram revistas, mas não encontraram drogas ou pessoas foragidas.

“Nos últimos dois meses, prendemos 20 foragidos em locais de consumo de droga no centro. Mas ali, a não ser que flagremos uma quantia grande de droga, não há crime.”

A Secretaria de Desenvolvimento Social, responsável pelo tratamento de dependentes, disse que também não pode entrar em áreas privadas.

Uma intimação será entregue ao dono da casa. Caso nenhuma providência seja tomada, o proprietário poderá perder o imóvel.

Imagens podem ajudar a identificar suspeitos de matar bombeiro

Câmeras de monitoramento de prédio registraram parte da ação.
Sargento foi morto após reagir a assalto na Zona Sul de SP.

Juliana Cardilli
Do G1 SP

A Polícia Civil vai usar imagens das câmeras de monitoramento do prédio em frente ao local onde o sargento dos bombeiros Renato Leite Barboza, de 37 anos, foi assassinado na noite desta terça-feira (16) durante uma tentativa de assalto, para tentar identificar os suspeitos do crime.
Segundo o delegado Alessandro Neves Baroni, que registrou o caso no 27º Distrito Policial, no Campo Belo, Zona Sul de São Paulo, o prédio que fica em frente ao local do crime também tem imagens da ação. As gravações, entretanto, não são de boa qualidade e serão enviadas para a perícia.

Bombeiro foi morto ao chegar a prédio do irmão (Foto: Juliana Cardilli/G1)

Bombeiro foi morto ao chegar a prédio do irmão (Foto: Juliana Cardilli/G1)

O sargento foi morto com um tiro no peito na frente ao prédio onde morava o irmão dele na região do Jabaquara. Ele havia acabado de parar o carro na rua após buscar uma pizza com os filhos gêmeos de 4 anos quando foi abordado pelos assaltantes. Ele reagiu e houve troca de tiros. Além do bombeiro, um dos criminosos e um zelador do prédio foram baleados. O suspeito permanece internado. O zelador foi atingido na perna e seria liberado do hospital nesta manhã. Além do suspeito baleado, outro foi preso.

“Vimos as imagens no prédio durante a madrugada, mas não dá para saber se será possível identificar os criminosos”, explicou o delegado. As gravações deveriam ser disponibilizadas para a polícia ainda nesta quarta-feira (17).

O carro no qual os criminosos estavam quando abordaram o sargento havia sido roubado cerca de dez minutos antes na mesma região. O proprietário do veículo reconheceu os dois homens detidos. “Ele contou que foi abordado por um carro com quatro indivíduos”, contou o delegado. Por isso, a polícia acredita que quatro homens participaram da ação contra o bombeiro – sendo que dois estão foragidos.

PM desencadeia operação para reduzir índices criminais

Ações tem como alvos cinco cidades da região que juntas concentraram 65 dos 98 casos de homicídio registrados no primeiro trimestre de 2011 no Vale do Paraíba; Trabalho começou ontem em São José

Filipe Rodrigues – O Vale
São José dos Campos

A Polícia Militar realizou ontem uma ofensiva nas zonas Sul e Leste de São José dos Campos contra o aumento da violência na região.

A ação contou com cerca de 250 homens e irá se repetir — cada dia em uma cidade — em Taubaté, Guaratinguetá, Ubatuba e Caraguá, ao longo da semana.

Ontem, a polícia recapturou nove foragidos, fez três prisões em flagrante e apreendeu 13 veículos, além de 17 motos.

Entre os presos, está Jeová da Silva Coelho, 27 anos, acusado de matar um policial militar, durante ataques do PCC (Primeiro Comando da Capital), em maio de 2006.

Operação. Para reforçar a segurança, a PM remanejou policiais de folga e do setor administrativo de todas regiões do Vale.

Segundo a corporação, as cidades escolhidas tiveram aumento nos principais índices criminais. “São regiões que apresentaram números preocupantes e vamos fazer este trabalho para coibir o crime nestas áreas”, diz o major Nilson Souza Silveira.

O trabalho focou no combate às armas e tráfico de drogas, além da busca por foragidos da Justiça.

“A maioria dos crimes está relacionada ao tráfico de drogas. Tirando drogas e armas das ruas, conseguiremos diminuir estes índices”.

Cada dia, policiais farão o trabalho em uma destas cidades. Por segurança, o cronograma não foi divulgado.

Combate. Participaram da ação 40 veículos de Força Tática, 40 motos, além do helicóptero Águia, veículos da Base Comunitária Móvel e policiais descaracterizados.

“Por meio das estatísticas, constatamos as áreas mais perigosas. Além de blitze, fizemos rondas e abordagens a pedestres”, diz.

O trabalho começou às 17h de ontem e seguiu até a 1h de hoje. Um balanço parcial aponta que até às 21h, foram abordadas 1.412 pessoas, 394 veículos, além de 423 motos e 98 bares fiscalizados.

“O resultado foi positivo, já que conseguimos retirar criminosos das ruas e, durante as abordagens, demos a sensação de segurança às pessoas”, diz o tenente Geraldo Leite Rosa Neto, comandante de Força Tática da PM.

Estatísticas. As cinco cidades concentram 65 dos 98 homicídios que aconteceram no primeiro trimestre no Vale.

São José e Taubaté foram os principais responsáveis pelo número — foram 24 vítimas em São José e 22 em Taubaté. Caraguá (9), Guará (6) e Ubatuba (4) completam os dados.

Em todas estas cidades, o número de homicídios cresceu na comparação com o primeiro trimestre de 2010.

ENTENDA O CASO

Operação
Cadadia, uma cidade, entre as cinco com maior alta nos índices criminais, receberá a ação da PM esta semana

Crimes
A meta da corporação é apreender armas, drogas e foragidos da justiça

Motivo
A polícia acredita que roubos e homicídios, estão, em sua maioria, relacionadas ao tráfico de drogas

Números
São José, Taubaté, Guará, Ubatuba e Caraguá concentraram 65 dos 98 casos de homicídio registrados no Vale do Paraíba no primeiro trimestre de 2011

Resultado
Em São José, a polícia capturou nove foragidos, entre eles, um homem acusado de ter matado um policial em 2006.

Saiba quem são os 25 mais procurados pela Polícia Civil de SP

 

Maria do Pó é a única mulher a figurar na lista dos mais perigosos.
Roger Abdelmassih é mais velho; SP tem 150 mil mandados de prisão.

Kleber Tomaz Do G1 SP

Delegado Waldomiro Milanesi, da Divisão de Capturas, mostra um dos 25 mais procurados pela Polícia Civil de São Paulo (Foto: Kleber Tomaz / G1)

Vinte e cinco pessoas – 24 homens e uma mulher – aparecem na lista dos mais procurados pela Polícia Civil de São Paulo. Muitos deles são considerados os mais perigosos do estado, de acordo com a Divisão de Capturas do Departamento de Identificação de Registros Diversos (Dird).

Os principais procurados são suspeitos, acusados, condenados e foragidos envolvidos em crimes graves, como assassinatos, sequestros, estupros, assaltos e tráfico de drogas. Eles tiveram suas prisões decretadas pela Justiça paulista, mas ainda não se entregaram ou nem sequer foram encontrados pelas equipes policiais de busca que tentam cumprir os mandados de prisão.

Alguns desses casos tiveram repercussão por conta da cobertura da mídia e levaram uma fama indesejada a seus protagonistas, que acabaram com seus rostos divulgados na TV, internet e jornais, passando  a ser conhecidos pela sociedade. Por esse motivo, a polícia acredita que alguns dos procurados podem estar fazendo de tudo para não ser descobertos. Desde usar esconderijos em outros estados ou fugir do país, disfarces, mudanças de identidade e até cirurgias plásticas.

Entre os principais procurados há um rosto famoso, como o do ex-médico Roger Abdelmassih, condenado a 278 anos de prisão por abuso sexual. E um retrato conhecido, como o do advogado Mizael Bispo de Souza, acusado de agredir e matar a ex-namorada, a advogada Mércia Nakashima. Assim como a maioria dos procurados, eles negam os crimes e alegam inocência.

De acordo com o delegado chefe da Divisão de Capturas, Waldomiro Pompiani Milanesi, o critério para definir os principais procurados se baseia no tipo de crime que eles respondem.
“Priorizamos agora as buscas àqueles que tenham envolvimento com homicídios, latrocínios [roubo seguido de morte], crimes sexuais, sequestros e tráfico de entorpecentes”, afirmou o divisionário, que disponibiliza informações sobre os mais procurados no site da polícia paulista.

‘Maria do Pó’
Única mulher a figurar entre os 25 mais procurados do estado, Sônia Aparecida Rossi, ou simplesmente a ‘Maria do Pó’, tem sua foto e dados divulgados na página da instituição. Ela é apontada como a principal criminosa do estado de São Paulo. Condenada a  54 anos e oito meses de prisão por tráfico de drogas, fugiu da Penitenciária de Santana, na Zona Norte da capital paulista, em março de 2006 e passou a ser procurada como foragida.

‘Maria do Pó’, atualmente com 50 anos de idade, conquistou fama na crônica policial em 1999, quando foi envolvida no sumiço de 340 quilos de cocaína do IML (Instituto Médico-Legal) de Campinas, no interior. A droga era avaliada em R$ 400 mil na época.

Sequestradores de Celso Daniel e Washington Olivetto
Outros procurados têm relação com casos emblemáticos, como Elcyd Oliveira Brito, o ‘Jonh’, condenado pelo sequestro e assassinato do prefeito de Santo André, Celso Daniel (PT), em 2002. O sentenciado de 31 anos é fugitivo de uma unidade prisional em Pacaembu, no interior, em 4 de agosto de 2010, onde cumpria pena em regime semiaberto.

Entre os principais procurados também estão os sequestradores do publicitário Washington Olivetto, em dezembro de 2001. O chileno Marco Rodolfo Rodrigues Ortega, de 37 anos, e o colombiano Willian Ganoa Becerra, de 40, condenados a 30 anos pelo crime, cumpriam pena na Penitenciária de Itaí, no interior, para onde não voltaram mais após receberem o benefício da saída temporária em 11 de outubro de 2010.

Casos de estupro
Três dos mais procurados aparecem envolvidos em crimes sexuais. O mais conhecido deles é o ex-médico Roger Abdelmassih, especialista em reprodução humana. Foi condenado a 278 anos de prisão por estupro de suas pacientes, apesar de se dizer inocente. Apesar do decreto e do mandado de prisão contra ele, ainda não se apresentou ou foi capturado.

Outro que aparece como procurado por estupro é Manoel Lopes de Araújo, de 43 anos. Ele é suspeito de abusar e também sequestrar uma menina de 8 anos para fins sexuais em 2010. A criança era mantida em cárcere dentro de um guarda roupas e escapou após avisar a Polícia Militar pelo número de telefone 190.

Mais recentemente, a polícia colocou no seu site oficial a foto de Edson Bezerra de Gouveia, de 35 anos, chamado ‘Gigante’ ou ‘Buda’ por causa dos seus mais de 2 metros de altura. Ele é suspeito de estuprar e assassinar a vendedora Vanessa de Vasconcelos Duarte, de 25 anos. O corpo dela foi achado em 13 de fevereiro em Vargem Grande Paulista, na Grande SP.

Casos do músico e Mércia
Em se tratando de crimes passionais, o que teve mais apelo na mídia foi o caso Mércia. Mizael Bispo de Souza, 41, e o vigia Evandro Bezerra Siva, 39, são réus no processo no qual estão sendo acusados de matar a advogada Mércia Nakashima em 2010. A Justiça decidiu levar os dois a julgamento popular pelos crimes. Eles negam a autoria, mas continuam escondidos e são procurados.

Procurado desde novembro de 2008 pela morte da ex-namorada, o músico Evandro Gomes Correia Filho, 37, chegou a causar revolta na polícia quando convocou a imprensa para uma entrevista fantasiado como o cantor Raul Seixas durante o período eleitoral em outubro do ano passado. Usando peruca e barba postiças, além de óculos escuros, ele deu entrevista e não pôde ser preso porque a lei eleitoral não permitia prisões no período, salvo prisões em flagrantes. 

Sala de arquivos com mandados de prisão da Divisão de Capturas (Kleber Tomaz/G1)

Perfil dos mais procurados e dados
Alguns dos 25 mais procurados pela polícia paulista estão envolvidos em 19 casos de assassinatos, quatro sequestros, três estupros, dois assaltos, dois tráficos de entorpecentes e um latrocínio.

Oito deles são condenados fugitivos de unidades prisionais no estado de São Paulo. Quinze são paulistas e três, estrangeiros. O mais velho é Abdelmassih, com 67 anos, e o mais novo Diego Fernando Mendes, de 26.

De acordo com dados estatísticos da Secretaria da Segurança Pública, São Paulo tinha 152.168 mandados de prisão a cumprir até o dia 28 de fevereiro deste ano. Como uma mesma pessoa pode ter vários mandados contra ela, não é possível se determinar, ainda, quantas pessoas são procuradas no estado.

Dentre os mandados de prisão pendentes de cumprimento em São Paulo, 123.400 são referentes a questões criminais e outros 28.768 mil a condenações na esfera cível.
Só na capital, há 23.243 mandados judiciais ainda não cumpridos, enquanto no interior paulista o total de ordens de prisão ainda não executadas chega a 65.657. Há também, 34.500 ordens comunicadas por outros estados pendentes de solução.

Por esse motivo, a Divisão de Capturas iniciou há dois meses um mutirão para cumprir os mandados pendentes. “Estamos fazendo um mutirão para cumprir esses mandados. Alguns são de mais de 20 anos atrás e já prescreveram, outros são contra pessoas que já morreram ou estão presas por algum crime. Pedi uma auditoria para fazer uma triagem dos casos dos últimos 20 anos, de 1991 para cá. Tem mandados dos anos de 1970 e casos de pessoas que nasceram em 1906 e são procuradas. Essa pessoa teria 105 anos hoje”, disse o delegado Waldomiro Milanesi.

A Divisão de Capturas também estuda uma parceria com os responsáveis pelos retratos falados para fazer um tratamento de envelhecimento dos rostos dos procurados nas fotos. No site da polícia também estão os retratos falados de pessoas que são procuradas e fotos de desaparecidos.

Tenta parceria com o Tribunal de Justiça de São Paulo e as secretarias da Segurança Pública e da Administração Penitenciária para que o mandado de prisão seja comunicado de forma online pela internet. Isso evitaria um trâmite que leva, em média, até uma semana, da expedição do decreto da prisão pela Justiça até o comunicado à Divisão de Capturas.

Correndo contra o tempo, Milanesi afirmou que pretende desencadear mais operações para cumprir os mandados de prisão. Nos últimos meses, ele montou uma força tarefa com seus 40 policiais para cumprir mandados pendentes envolvendo procurados por latrocínio. “Cumprimos 27 dos 57 mandados de prisão expedidos em 2009 e 2010”.

A polícia pede para quem tiver alguma informação sobre o paradeiro dos procurados citados nessa matéria ligar para os números de telefone: 181 (Disque –Denúncia), 197 (Polícia Civil), 190 (PM) ou mandar um email para procurados@policiacivil.sp.gov.br.

Fora da lei e das grades

 

São José tem pelo menos 1.100 homens e mulheres já condenados pela Justiça que continuam em liberdade nas ruas; morosidade processual dificulta localização dos foragidos nas operações deflagradas pela polícia

André Carlos da Silva, 23 anos, roubou em junho de 2009 um veículo na zona sul de São José dos Campos. O crime aconteceu no final da tarde, no momento em que a vítima encostava o carro em frente à casa dela, na rua Martim de Sá. O bandido estava armado com uma pistola e ameaçava atirar caso o proprietário não deixasse o carro juntamente com alguns pertences –carteira e celular. Silva fugiu e nunca mais foi visto. Hoje, ele faz parte do grupo de 1.100 homens e mulheres condenados pela Justiça que continua em liberdade, circulando pelas ruas da cidade.
Desse total de foragidos procurados pela Polícia Civil, 12% respondem por crimes homicídio e latrocínio (roubo seguido de morte). Tráfico de drogas é representado por 18%. Outros 17% fugiram do sistema carcerário, sendo que a maior parte é composta por detentos do regime semiaberto que saiu do presídio para o indulto e nunca mais voltou. Roubo e assalto representam 23% e o restante (30%) se enquadra na Lei Maria da Penha (agressão contra a mulher) e na falta de pagamento da pensão alimentícia.
A Polícia Civil de São José possui um setor exclusivamente dedicado à procura de condenados por meio de mandados judiciais de prisão. Todos os dias da semana o grupo se mobiliza para capturar os foragidos e colocá-los atrás das grades. No entanto, a morosidade processual seria o principal problema para os investigadores terem maior sucesso em suas abordagens. Ainda sim, o número de acusados tirados das ruas vem aumentando a cada ano, saltando de 123 prisões em 2005 para 738 em 2010.
“O processo demora e quando chega à condenação, depois de muitos anos, começamos o trabalho de investigação.  O problema é que na maioria das vezes o suspeito sabe que será condenado e desaparece, muda de endereço diversas vezes. Isso dificulta nosso trabalho. Só que em algum momento ele vai ser preso, pois vai precisar do poder público para alguma coisa ou vamos chegar até ele”, disse Amauri dos Santos Silva, chefe do departamento de capturas da DIG (Delegacias de Investigações Gerais).
De acordo com Silva, por mês, são emitidos cerca de 80 pedidos de prisão. Desses, 60 são cumpridos dentro do mesmo período. Em Campinas, cidade com pouco mais de 1 milhão de moradores, a divisão de capturas cumpre, em média, 50 mandados por mês. A quantidade de mandados expedidos não foi divulgada pelo setor, mas acredita-se que pelo menos 6.000 pessoas são procuradas naquela região. Em todo o Estado são emitidos cerca de 10 mil mandados por mês –desses, 5.800 são cumpridos a cada 30 dias. No Brasil, a estimativa é que existem em aberto cerca de 500 mil mandados de prisão em diversos estados.

Fonte: Valeparaibano