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Campanha do desarmamento recolheu 25 mil armas

A Campanha Nacional do Desarmamento recolheu, até 30 de setembro, 25 mil armas em todo o país. Do total, 12% são armas pesadas, como fuzis, metralhadoras e submetralhadoras. De acordo com balanço do Ministério da Justiça, mais de R$ 2 milhões foram pagos em indenização desde maio deste ano.

“Consideramos um número dentro do que estava previsto”, avaliou o ministro José Eduardo Cardozo, após entrevista a emissoras de rádio durante o programa Bom Dia, Ministro, produzido pela Secretaria de Comunicação Social da Presidência em parceria com a EBC Serviços. “Entendemos que estamos no caminho certo. Estamos fazendo uma ação ofensiva e espero que, até o final do ano, possamos tirar muitas armas de circulação e destruí-las”, completou.

O estado de São Paulo ficou em primeiro lugar do ranking, com 6.579 armas recolhidas, seguido pelo Rio Grande do Sul, com 3.165, e pelo Rio de Janeiro, com 2.950. Ao todo, há 1,8 mil postos para entrega das armas.

(Agência Brasil)

Dobra apreensão de armas de brinquedo

CAMILLA HADDAD – JT

Banidas do Brasil desde o Estatuto do Desarmamento, em 2003, as armas de brinquedo têm sido mais utilizadas por criminosos na capital – no dia 27, um dos maiores ladrões de caixas eletrônicos do País foi preso com várias réplicas. Enquanto 1.134 armas verdadeiras foram apreendidas pela polícia este ano, policiais pegaram outras 335 de brinquedo em flagrantes de roubo até o dia 20 de setembro. No mesmo período do ano passado, foram 159.

A identificação das cópias é difícil até para policiais. Por isso, eles recomendam que as vítimas de assalto nunca reajam. Todas as armas apreendidas foram usadas em assaltos a motoristas e em ataques em agências bancárias.

No dia 11, por exemplo, André Luiz Gejuiba Leite, o Andrezinho, foi preso e apontado como o responsável por aliciar policiais militares a participar de roubos a caixas eletrônicos. Com ele, foram apreendidas três metralhadoras de plástico em um imóvel da zona oeste. Segundo investigadores, as “armas” eram usadas em treinamentos para assaltos.

O advogado Arles Gonçalves Junior, presidente da Comissão de Segurança Pública da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-SP), explica que essas pistolas, metralhadoras e outras réplicas são contrabandeadas do Paraguai e da China e normalmente são vendidas no mercado paralelo e até por camelôs. “Nas lojas de brinquedo existem armas, mas dá para perceber que são de brinquedo e são coloridas. As outras normalmente são contrabandeadas com o propósito de serem usadas no crime.”

Para Gonçalves Junior, criminosos optam pelas réplicas por não conseguirem adquirir arma de verdade, já que é mais cara. Além do preço, ainda tem a questão de conseguir comprar a munição. “Você precisa de bons contatos no submundo para poder ter esses acessos.

Se o cara não tem e consegue no camelô, para ele basta para enganar o cidadão”, diz. Assaltantes costumam usá-las também em roubo a bancos para passar pelo detector de metais e abrir caminho para o restante da quadrilha.

Na sexta-feira, 30, dois homens foram presos após ameaçar funcionários de um posto de gasolina na Avenida Jabaquara, zona sul, com a réplica de uma pistola.

Há casos em que a vítima de assalto morreu após reagir por acreditar que os ladrões estivessem com armas falsas. O comerciante José Elias, de 52 anos, perdeu o irmão há dez dias dessa forma. O também comerciante Francisco Elias, de 42 anos, correu atrás do ladrão que tentou assaltar seu bar em Santana, zona norte. “Ele já tinha sido assaltado três vezes por homens com arma de brinquedo. Acho que tentou pegar acreditando que fosse da mesma forma.”

O especialista em segurança Felipe Gonçalves diz que é muito difícil distinguir uma arma de brinquedo da verdadeira. “Principalmente em uma situação de crise, em que a vítima está sob forte estresse. Além do fato de algumas armas de brinquedo serem réplicas muito próximas das de verdade (feitas de aço e com peso muito próximo das de verdade), o que dificulta ainda mais a identificação.”

O Centro de Comunicação Social da PM informou que não há figura penal que incrimine o porte de armas de brinquedo. Segundo a corporação, o Estatuto do Desarmamento se limita a proibir a fabricação, a venda, a comercialização, a importação de brinquedos, réplicas e simulacros de armas de fogo, que possam com essas se confundir, exceto para instrução, adestramento ou coleção, desde que autorizados pelo Exército.

Polícia surpreende bandidos que planejavam explodir caixa eletrônico

Após denúncia anônima, policiais entraram em confronto com bando armado. Houve troca de tiros e seis bandidos morreram.

Monalisa Perrone
São Paulo

Dois pelotões de policiais surpreenderam 15 bandidos que planejavam explodir um caixa eletrônico, dentro de um supermercado em São Paulo, nesta sexta-feira (5). O local fica ao lado de uma escola e a poucos metros de uma delegacia. Houve troca de tiros e seis bandidos morreram.

A polícia já tinha informações sobre a intenção dos criminosos. Recebeu um telefonema anônimo e se preparou para impedir o roubo do caixa eletrônico. Os bandidos invadiram o supermercado de madrugada. Lá dentro havia apenas três funcionários da manutenção que foram feitos reféns. Um deles ficou trancado no frigorífico. Enquanto isso os bandidos agiam.

Os policiais encontraram alguns dos ladrões ainda dentro do supermercado. Outros estavam fora dando cobertura. A troca de tiros foi intensa. Os ladrões usavam pelo menos seis armas pesadas, como fuzis, metralhadoras e espingardas, toucas para esconder o rosto e coletes a prova de balas.

De acordo com a polícia, seis bandidos foram baleados. Cinco morreram quando eram transferidos para o hospital e um outro morreu dentro do carro que seria usado para a fuga. Os outros assaltantes fugiram.

O tiroteio foi tão forte que é possível encontrar marcas de tiros dentro da escola que fica bem ao lado do supermercado. Nesta sexta-feira (5), a escola e também o comércio foram fechados. O bairro inteiro está parado e assustado.

Desde o dia 1º de abril, foram registrados 106 casos de roubo a caixas eletrônicos em São Paulo.

Desarmamento: campanha coletou 9 mil armas

A Campanha Nacional do Desarmamento 2011 – Tire uma arma do futuro do Brasil completa dois meses em 6 de julho. O balanço do período, consolidado pelo Ministério da Justiça, mostra que já foram entregues 9.160 armamentos e 30.901 munições. Para se ter ideia da capacidade de mobilização da iniciativa, a Polícia Federal, órgão que tem a atribuição de receber armas regularmente, recolheu cerca de mil artefatos ao longo dos quatro primeiros meses do ano.

Cada pessoa entrega, em média, uma arma. No caso das munições, essa média sobe para 36 unidades por pessoa. Até agora, os revólveres calibre 38 lideram a lista dos armamentos recebidos pelas Polícias Federal e Rodoviária Federal. São 2.436, o que representa 26,5%.

Depois vêm os revólveres calibre 32 com 1.110 unidades (12%). Foram entregues ainda 32 fuzis, quatro metralhadoras e duas submetralhadoras.

Uma das inovações da campanha deste ano, a indenização, retirada pelo próprio responsável pela entrega do armamento, já pagou R$ 835 mil. Os valores por arma são R$ 100, R$ 200 ou R$ 300.

A iniciativa atual traz ainda outras três novidades: o cidadão não precisa se identificar no momento da entrega; a arma é inutilizada na hora; e há um maior número de postos de coleta.

Desde o lançamento nacional da campanha pelo Ministério da Justiça, em 6 de maio no Rio de Janeiro, outros cinco estados e o Distrito Federal aderiram à campanha. As unidades da federação ficam responsáveis pela ampliação dos postos de coleta. Em Minas Gerais, por exemplo, 200 começarão a funcionar nos próximos dias em unidades das Polícias Civil e Militar.

A campanha segue até 31 de dezembro. Depois disso, as entregas continuam sendo aceitas, mas não serão mais anônimas nem indenizadas.

As ações da Campanha Nacional do Desarmamento 2011 são geridas por um conselho. Além do Ministério da Justiça, participam do grupo as Polícias Federal e Rodoviária Federal, a Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República, o Ministério da Defesa, os conselhos estaduais de segurança, o conselho das guardas municipais, os conselhos municipais dos secretários de segurança, o Conselho Nacional de Segurança Pública, o Conselho dos Chefes de Polícia Civil, o Conselho Nacional dos Comandantes de Polícia Militar, o Banco do Brasil, a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), o Conselho Nacional de Justiça (CNJ), o Conselho Nacional do Ministério Público, o Conselho Nacional da Defensoria Pública, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), o Conselho Nacional das Igrejas do Brasil, a Associação Maçônica do Brasil e rede Desarma Brasil.

Fonte: Jornal da Tarde