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Estado quer liberar ‘bico’ da PM a todas as cidades de SP

Um projeto de lei encaminhado ontem à Assembleia Legislativa pelo governador Geraldo Alckmin legaliza o “bico” policial para os municípios paulistas.

A legislação, se aprovada, permitirá que cidades firmem convênios para implementar o programa chamado atividade delegada, adotado pioneiramente na capital, em dezembro de 2009, e em Mogi das Cruzes, em março de 2011.

O “bico” é um jargão usado no meio policial para designar o trabalho de PMs em períodos de folga. Trata-se de uma prática comum, mas que não é regulamentada. Geralmente, o serviço é prestado para empresas privadas.

Com a legislação, os municípios do Estado ficarão autorizados a assinar convênios com a Secretaria de Estado da Segurança Pública que permitirão aos policiais desempenharem suas funções em dias de descanso.


A cidade que tiver interesse no acordo deve regulamentar a atividade por meio de uma lei municipal. Segundo o Estado, até agora 43 localidades já mostraram interesse na atividade delegada.

O Estado afirma que a medida tem o objetivo de proporcionar a redução nos índices de criminalidade, dar mais segurança às pessoas e melhor remuneração aos PMs.
João Alberto Pedrini – Folha de São Paulo

Passar trote vai dar multa de R$ 1 mil em São Paulo

Objetivo é reduzir falsos chamados, que chegam a responder por uma em cada cinco ligações feitas à polícia e aos bombeiros
Adriana Ferraz – O Estado de S.Paulo

Quem passar um trote para as centrais de emergência da Polícia Militar, do Corpo de Bombeiros ou do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) vai correr o risco de pagar multa de R$ 1 mil em São Paulo. A penalidade foi estabelecida em nova lei estadual, que deverá ser promulgada nos próximos dias, e visa a reduzir o porcentual dessas ligações, que chega a 20%.

Em trâmite desde 2008, a proposta proíbe trotes para os números 190 (PM), 193 (Bombeiros) e 192 (Samu) e determina que o valor arrecadado seja destinado ao aprimoramento, ampliação e modernização tecnológica das unidades operacionais prejudicadas com a prática.

Depois de publicada, a lei será regulamentada em até 90 dias. Só então será possível saber quando as novas regras entrarão em vigor e qual cadastro será usado pelo poder público para notificar o infrator.

A identificação do infrator ainda permitirá que ele responda criminalmente pelo trote. Segundo o artigo 340 do Código Penal, a prática rende detenção de 1 a 6 meses, além de multa.

Tempo perdido
O oficial de operações do telefone 193, capitão Ariel Alves Axelson, conta que diariamente os bombeiros recebem 14 mil ligações. “Cerca de 5 mil são trotes. Eles atrapalham muito, porque aumentam o tempo de atendimento telefônico. Os bombeiros perdem tempo atendendo um trote, enquanto tem alguém na fila de espera. Acho a lei importante para assustar. Ela tem de ser muito divulgada”, afirma.

A lei também pode evitar que o trote se transforme em um vício. “Tem gente que faz disso um costume, ou uma brincadeira constante. Não dá para aceitar.”

Colaborou Cristiane Bomfim

A Rota dos explosivos

Como agem os grupos criminosos que explodem e assaltam caixas eletrônicos pelo País.

Caixas eletrônicos se tornaram a menina dos olhos da bandidagem brasileira. Um furto bem-sucedido pode render em torno de R$ 200 mil reais por cofre violado. Se o dinheiro é fácil, os meios para consegui-lo são ainda mais.

A falta de controle do mercado de produtos explosivos permite que grupos criminosos levem aos ares terminais de auto-atendimento de Norte a Sul do País e revela uma deficiência grave na estrutura de segurança nacional.

Três caixas eletrônicos são violados por dia no Estado de São Paulo. Em um terço dessas ocasiões, os ladrões utilizam explosivos, técnica capaz de neutralizar os dispositivos antifurto que queimam e mancham as notas.

Nos primeiros nove meses de 2011, foram informados 727 ataques pela Secretaria de Segurança Pública paulista e a incidência é cada vez maior em cidades do interior.

Na madrugada de quinta-feira 24, em Atibaia, por exemplo, seis homens armados explodiram um caixa eletrônico em um posto de gasolina.

Na capital paulista, as ocorrências diminuíram após a prisão de 13 policiais militares que davam cobertura para os furtos.

“Prendemos somente na capital outros 48 criminosos que formavam várias quadrilhas”, diz Rodolfo Chiarelli, delegado de repressão a roubo de bancos do Departamento de Investigação do Crime Organizado de São Paulo.

Mas o problema está longe de se restringir ao Estado mais rico do Brasil, já que no mesmo período a polícia registrou diversas ocorrências no Paraná, em Mato Grosso, em Santa Catarina e na Bahia.

“Quando surgiram os primeiros casos aqui no Nordeste nós aumentamos a qualidade do nosso sistema de segurança, mas não depende apenas da gente”, afirma Carlos Avellar, diretor da fábrica de explosivos Elephant, com sede em Pernambuco.

O mercado de explosivos tem regulamentação do Exército, que autoriza a fabricação, o armazenamento e a compra do material no País. As empresas são registradas na Diretoria de Fiscalização de Produtos Controlados, subordinada ao Comando de Logística do Exército. Mas a falha de controle sobre o destino dos explosivos comercializados legalmente facilita a ação dos criminosos. Nem as polícias civis de cada Estado nem o Exército contam com estruturas adequadas para fiscalizar o uso desses materiais.

A consequência direta é a de que boa parte do material usado nos furtos tem origem em depósitos de fabricantes, pedreiras, construtoras e empresas de demolição. O material chega aos bandidos por meio de assaltos e por desvios realizados por funcionários desses locais, a chamada lavagem de explosivos.

“Um sujeito pode comprar 100 quilos e desviar parte desse material, sem a menor dificuldade para revender a criminosos a um preço muito baixo”, informa o especialista em segurança Ricardo Chilelli, presidente da RCI First.

Na semana passada, policiais de Santa Catarina finalizaram a Operação Rastro, que prendeu 19 pessoas acusadas de realizar furtos a caixas eletrônicos em cidades litorâneas do Estado. Duas delas são empregados de pedreiras acusados de desviar explosivos para as quadrilhas.

“A raiz do problema é a liberdade excessiva nesse setor. A fiscalização tem que aumentar”, diz o delegado Daniel Régis, de Caçador (SC), que comandou a operação.

Outros mananciais dos criminosos são as estradas. “Entre 2009 e 2010, a quantidade de explosivos roubados subiu de 390 quilos para duas toneladas por ano”, informa o pesquisador criminal Jorge Lordello.

Relatório do Exército informa que 1,06 tonelada de emulsão de nitrato de amônia e TNT em gel foi subtraída de pedreiras e de obras em execução nas estradas durante o ano de 2010, volume 170% superior a 2009, além de 11,7 quilômetros de cordel detonante e 568 espoletas.

Os criminosos utilizam a chamada emulsão, TNT em gel, de maior estabilidade e mais fácil armazenamento que a dinamite. A banana do explosivo se assemelha uma salsicha branca e é usada em 70% desses furtos.

Diante do volume de casos que aumenta a cada dia no País, um grupo de trabalho foi criado em São Paulo, com participação de representantes dos organismos de segurança pública e dos bancos, que deve contar também com o Exército, para elaborar um plano que tenha como objetivo diminuir a fragilidade do setor de explosivos no País.

“Todos os elementos, como novas tecnologias, gerenciamento de riscos, policiamento adequado e punições severas para os criminosos, estão diretamente relacionados”, afirma Bruno Morgado, presidente da South American Surveyors, empresa que presta consultoria na área de gerenciamento de risco. Ou, então, os bandidos continuarão a usar bombas como senhas nos caixas eletrônicos.

Fonte: Revista Istoé SP – Novembro/11, pgs 70/71

Comerciante coloca faixa sobre loja pedindo organização a ladrões

Avenida em Sorocaba, no interior de SP, teve mais de cem crimes neste ano.
Por medo, proprietários contrataram segurança e instalaram câmeras.

Do G1 SP, com informações da TV Tem

O número elevado de assaltos e furtos às lojas da Avenida Dr. Afonso Vergueiro, em Sorocaba, no interior de São Paulo, fez com que comerciantes adotassem medidas preventivas, como aquisição de câmeras e contratação de seguranças particulares. Em um estabelecimento que vende acessórios para motos, o proprietário decidiu ir além e instalou na fachada uma faixa em que pede organização aos criminosos.

“Senhores ladrões e assaltantes. Como esta avenida está abandonada e a segurança pública é de mintirinha, por favor, queiram se organizar (para não virem todos ao mesmo tempo)”, diz o comunicado. Segundo um dos funcionários, o objetivo do alerta é chamar a atenção das autoridades. “Parece direcionado para os ladrões e assaltantes, mas é para o pessoal de cima, para quem comanda e dirige essa segurança que, infelizmente, está muito precária”, diz. Ele não quis ter o nome revelado.

Neste ano, a loja foi assaltada duas vezes e furtada uma. A insegurança fez com que o proprietário, além de colocar a faixa, contratar um vigia. “Infelizmente a gente vai ter que desembolsar uma boa grana para ter segurança de manhã até o fechamento da loja”, afirma o funcionário.

Segundo a Polícia Militar, na movimentada avenida, que é uma das principais do Centro da cidade e liga as zonas Leste e Oeste, foram registrados de janeiro a outubro 83 furtos e 36 roubos.

Quatro assaltos aconteceram somente em uma loja de equipamentos eletrônicos. O prejuízo causado pelos criminosos chegou a R$ 8 mil. Para tentar driblar a insegurança, foram colocadas três câmeras de alta definição. Por elas é possível identificar atitudes suspeitas. “A gente consegue ver quem está passando. Às vezes a pessoa passa umas cinco, seis vezes no mesmo lugar e a gente precisa ficar mais esperto”, diz um funcionário.

Em uma loja de roupas femininas, a solução encontrada para evitar os crimes foi funcionar de portas fechadas. Durante quatro meses, os funcionários só a abriam quando o cliente pedia. “O número de clientes caiu bastante. Agora, faz mais ou menos um mês que voltamos a trabalhar com a porta aberta e a nossa rotina está voltando ao normal, com medo, porque ficamos inseguros”, diz uma trabalhadora.

Segundo o capitão da PM Ubiratã Marques da Silva, a corporação atua de maneira ostensiva na região. “Em horários específicos, em que há um maior fluxo de veículos e de pessoas, são colocadas viaturas em pontos estratégicos, nas esquinas principais.” Ele acrescenta, porém, que é importante a vítima procurar a polícia para registrar a ocorrência.

‘Bom negociador de reféns ouve primeiro’, diz tenente do Gate

G1 acompanhou com exclusividade treinamento para ação em sequestros.
25 oficiais fazem curso em SP sobre como negociar com criminosos.

Tahiane Stochero
Do G1, em São Paulo

Em treinamento, PMs do Gate prendem sequestradores (Foto: Tahiane Stochero/G1)

Em treinamento, PMs do Gate prendem sequestradores (Foto: Tahiane Stochero/G1)

“O bom negociador tem que primeiro ter um bom ouvido, tem que saber ouvir o sequestrador e tentar tirar dele todas as informações que puder.”

Esta é uma das lições que o tenente Fernando Sério Vitória, há oito anos no Grupo de Ações Táticas Especiais (Gate) da Polícia Militar de São Paulo, deu na terça-feira (23) a 25 alunos do curso de negociação que a unidade está fazendo desde o início de agosto na capital paulista. Participam do curso oficiais da PM de São Paulo, Acre, Santa Catarina e Maranhão, além de um agente da Agência Brasileira de Inteligência (Abin).

O G1 acompanhou com exclusividade o treinamento prático, após um mês de aulas teóricas, em que os alunos aprenderam como negociar com criminosos que fazem reféns durante uma perseguição policial e também com pessoas mentalmente perturbadas, que tentam agredir familiares ou namorados por motivos passionais. O objetivo do curso é capacitar policiais para iniciar uma negociação logo que chegam ao local do crime, tentando obter dados sobre quem são os sequestradores e convencê-los a libertar os reféns e a se entregar.

No treinamento, dois chefes das equipes de negociação do Gate fizeram o papel de criminosos que, armados de fuzil e pistola, invadem uma casa, e pegam um casal como escudo quando fogem da polícia. Os PMs alunos cercam o local e começam a negociar. A mulher que é mantida refém passa mal e os criminosos pedem que um médico entre na casa para atendê-la.

Negociadores do Gate se passam por criminosos durante simulação (Foto: Tahiane Stochero/G1)

Negociadores do Gate se passam por criminosos durante simulação (Foto: Tahiane Stochero/G1)

“É impossível deixar um médico entrar lá dentro porque seria mais um refém para eles. Isso não pode ocorrer”, recomenda o tenente. Os criminosos fazem exigências, como um carro para fugir, colete à prova de balas e pedem um advogado e um misto quente.

“Pedidos fáceis como comida, podemos atender. Mas fornecer um colete ou um carro para a fuga é inadmissível”, afirma o oficial.

Papéis
Os alunos assumem papéis: um deles é o negociador principal, que é o único responsável por conversar diretamente com os criminosos. “Tem que conquistar a confiança dos ladrões, deixar eles desabafarem, falar o que pensam. Não dá para ficar falando com o ladrão e com os outros PMs ao mesmo tempo e nem quebrar um elo de conversação”, diz o tenente aos alunos, que em momentos de nervosismo, perdem a concentração e deixam os sequestradores falando sozinhos, enquanto ouvem conselhos de outros colegas PMs para decidir o que fazer.

Policiais discutem erros e acertos após treinamento (Foto: Tahiane Stochero/G1)

Policiais discutem erros e acertos após treinamento (Foto: Tahiane Stochero/G1)

“Ladrão não é teu irmão, amigo, compadre, parceiro, camarada nem colega. O ‘mala’ é um criminoso capaz de matar os reféns para fugir. Descobre o nome dele, pergunta o nome dele, e chama ele pelo nome”, diz o instrutor a um aluno.

“Quando se inicia a negociação, os criminosos começam gritando, pedindo de tudo. Estão nervosos, querem garantir a vida e fugir. Mas meia hora depois começam a se acalmar e diminuem o tom de voz”, afirma o tenente Fernando.

Negociadora
Quem melhor se saiu na negociação foi a única mulher do grupo, a tenente Carolina Colombo, de 28 anos, e que atua em Limeira, no interior de São Paulo. Segundo o instrutor, ela manteve a calma na negociação e conseguiu obter a libertação da refém que estava passando mal.

“Eu acho que mulher talvez tenha maior facilidade para ficar tranquila. Me estresso mais com os colegas, que ficavam gritando coisas o tempo todo, do que com a situação do sequestro em si”, diz Carolina, que está há sete anos na PM. “Lá dentro (da casa) há uma crise instalada, com criminosos fortemente armados. A gente sabe que não dá para colocar o médico lá dentro. Também pedi para os ladrões manterem a calma e não apontarem a arma para a gente”, afirma Carolina.

O curso de negociação para oficiais do Gate ocorre anualmente e tem carga horária de cerca de 170 horas, compreendendo aulas com técnicas de negociação internacionais, neurolinguística, psicologia, estudo de comportamento de criminosos, legislação penal e militar, dentre outros. Os inscritos passam por uma primeira seleção e, ao concluírem o curso, são habilitados como negociadores nas regiões onde atuam.