Clientes Sekron
  Esqueci a Senha
Conheça nosso site Institucional ›

Posts Tagged ‘ Perfis

São Paulo, capital do arrastão

Como uma onda de assaltos coletivos faz a população da maior cidade do País mudar de hábitos e buscar a segurança privada.

Ser surpreendido por assaltantes em seu próprio apartamento ou durante um jantar em um restaurante é uma desagradável experiência da qual os paulistanos têm cada vez mais medo. Os arrastões estão se tornando comuns na cidade de São Paulo. Neste ano, foram registrados 13 crimes desse tipo em condomínios, o mesmo número de ocorrências de todo o ano passado. Entre janeiro e maio, 12 restaurantes de bairros de classe média alta da maior cidade do País sofreram arrastão. Em 2011, houve 23 casos. O episódio mais recente aconteceu na pizzaria Brás, no bairro de Higienópolis, localizada a menos de 100 metros de uma base da Polícia Militar. Trinta clientes foram roubados por quatro homens que levaram relógios, celulares, joias e um valor superior a R$ 3 mil, no domingo 27 à noite. A ação não durou mais do que dez minutos.

Com os frágeis sistemas de segurança desses locais e a ineficiência da repressão policial, a população sente-se acuada e muda seus padrões de comportamento para se preservar. Três vítimas do assalto à pizzaria Brás, por exemplo, lamentaram o ocorrido e disseram que o prejuízo só não foi maior porque já tomavam medidas de precaução antes. Um evita sair com relógio, outro deixa o iPhone em casa e o terceiro só leva um cartão do banco na carteira. Em vários bairros da cidade os cidadãos estão em alerta. “Nós vivemos com medo, as idas a restaurantes da região diminuíram bastante”, declara o presidente da Sociedade Amigos do Morumbi e Vila Suzana, Jorge Eduardo de Souza, que mora em um prédio onde também já aconteceu um arrastão.

Nos condomínios, as decisões para aumentar a segurança têm de ser conjuntas. Souza tenta convencer os vizinhos a adotar medidas adicionais de proteção, a exemplo do que aconteceu na rua do Símbolo, também na região do Morumbi. Os 660 moradores decidiram contratar no fim do ano passado uma empresa de segurança privada para fazer ronda diária no local. “Aconteciam assaltos todos os dias na rua e já houve até tiroteio. Fatalmente iria acontecer um arrastão por aqui.

Resolvemos prevenir”, diz a publicitária Valéria Inati. Segundo especialistas, existem dois tipos de criminosos que fazem arrastão. As quadrilhas que atacam condomínios e as que atacam restaurantes têm perfis diferentes. As primeiras agem em número maior e são mais bem armadas. São mais preparadas, estudam melhor o crime antes de cometê-lo. As segundas são menores, nem sempre bem armadas, porém mais perigosas. Precisam ser rápidas e, em geral, contam com a presença de menores de idade.

As empresas que atuam no setor têm detectado uma demanda maior por informações dos condomínios e dos comerciantes. “Nos últimos anos houve um aumento substancial de consultas sobre medidas de segurança por parte de síndicos de prédios. Já os donos de estabelecimentos comerciais nos procuram para saber sobre equipamentos, como câmeras”, afirma João Palhuca, vice-presidente do Sindicato das Empresas de Segurança Privada de São Paulo. São medidas válidas, afinal essas iniciativas podem amenizar o problema, mas sem uma ação efetiva da polícia não há como solucioná-lo. Para tanto, é preciso investir em investigação. De acordo com Guaracy Mingard, professor de direito da Fundação Getulio Vargas (FGV) e ex-subsecretário nacional de Segurança Pública, a Polícia Civil paulistana tornou-se máquina de fazer boletim de ocorrência. “Quase nada é apurado, só 5% dos roubos, em geral, viram inquéritos”, afirma. “Para reprimir os arrastões é preciso boa investigação criminal e prisão dos responsáveis. Assim, os outros ficam com medo porque sabem o risco do crime.”

Até o ano passado, os maiores alvos das quadrilhas eram edifícios com supersensores de movimento, câmeras de alta qualidade, segurança reforçada. “Os criminosos eram altamente qualificados, e nós demorávamos meses para prendê-los, pois não deixavam rastros”, diz o delegado Mauro Fachini, responsável pelas investigações de roubos desse tipo em São Paulo. “Atualmente, eles são mais amadores e buscam condomínios com segurança menos reforçada.” Há duas semanas, o prédio do personal trainer Cristiano Maffra, 34 anos, ficou sob o jugo de 16 bandidos durante quatro horas. No edifício, no bairro da Aclimação, o síndico foi agredido e os 11 apartamentos saqueados. “Acho que eles nunca escolhem o lugar para roubar ao acaso. Sempre tem alguém de dentro do prédio que passa alguma informação”, afirma o personal trainer. Experiência semelhante viveu a arquiteta C., de 43 anos, em fevereiro. Bandidos passaram a noite em seu prédio, em Higienópolis, e o apartamento dela serviu de cativeiro para 25 moradores. “Os assaltantes tinham informações privilegiadas de pelo menos duas pessoas, faziam perguntas diretas sobre eles e sobre seus bens”, conta ela, que precisou de terapia para superar o trauma. É preciso uma ação efetiva da polícia para que a população não seja refém em sua própria cidade.

Revista Istoé/SP

Facebook é nova arma da PM para diálogo com população

Thiago Leon

Thiago Leon

Batalhões do Vale aderem à tecnologia da internet para divulgar informações ; moradores se dividem sobre iniciativa

Filipe Rodrigues
São José dos Campos

O Facebook é a nova arma da Polícia Militar para se aproximar da população e combater a criminalidade no Vale do Paraíba.

Há um mês, o Comando Geral da PM deu a ordem a todos os Batalhões do Estado para que criassem perfis na rede social.

Na região, são seis batalhões e todos já estão se adaptando à determinação.

“Esta modernidade quebra aquele paradigma de que polícia é aquela que faz a repressão. A idéia é estar perto da população não só com a viatura na rua”, diz o tenente Geraldo Leite Rosa Neto, comandante de Força Tática do 1º Batalhão, que atua nas regiões centro, norte e oeste de São José dos Campos.

Segundo o tenente, a nova ação está em período de experiência.

“Por enquanto, partiu a ordem e ainda não há cobrança por resultados, mas uma hora vai existir esta cobrança.”

Diálogo
O 46º Batalhão, responsável pelos policiamentos nas zonas sul e leste de São José, além de atuar em Caçapava e Jambeiro, possui cerca de 460 pessoas adicionadas em seu Facebook.

Segundo o tenente Pedro Henrique Mombergue, chefe de comunicação social do 46o Batalhão, a nova ferramenta é fundamental para a divulgação dos resultados e eventos da corporação e para que a população encaminhe sugestões e solicitações para melhoria do desempenho policial.

“A população pode ver os trabalhos que estamos fazendo. Quando há alguma reunião comunitária, também usamos \[o Facebook\] para fazer a divulgação do local”.

Reação
A internet já tem sido usada constantemente pela PM para o contato direto com a população.

Quando algum flagrante é realizado, os policiais fazem fotos do material apreendido e divulgam no site da corporação. Agora, também são publicadas no Facebook.

Moradores de São José consultados por O VALE se dividiram sobre a nova ação da PM.

“Será que não vai atrapalhar o policiamento? Policial tem que garantir segurança na rua, não atrás de um computador”, disse a dona de casa Márcia de Castro, 38 anos.

Mesmo não tendo Facebook, o metalúrgico Antonio Alves Cunha,56 anos, elogiou a iniciativa. “Qualquer meio usado para se aproximar da população é válido”.

Entenda o Caso

Rede Social
Facebook é, atualmente, a rede social mais frequentada no mundo, com cerca de 700 milhões de usuários.

Diálogo
A Polícia Militar decidiu usar a ferramenta no Estado para divulgar os resultados e se aproximar da população.

Determinação
A ordem é que todos os batalhões criem perfis para adicionar a população de sua região. No Vale do Paraíba, há seis batalhões, que já estão se adaptando às novas normas.

Amigos
O 46º Batalhão, que atua nas zonas sul e leste de São José dos Campos, já tem mais de 460 pessoas em sua rede de amigos.