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Posts Tagged ‘ Pinheirinho

Existe relação entre desenvolvimento e violência?

Professor do Departamento de Sociologia da USP conecta modelo social com crimes
Em entrevista a Oliveira Andrade, Álvaro de Aquino e Silva Gullo, professor do Departamento de Sociologia da Universidade de São Paulo, falou sobre a escalada da violência e as razões que fazem com que isso aumente a cada ano.

Sem citar o caso da maior metrópole do Brasil, Álvaro revelou que o fenômeno é compreensível, uma vez que a Publicidade violência urbana é uma consequência do modelo desenvolvimentista, que sugere produção e lucro a qualquer preço, com as “classes dominantes” como grandes privilegiadas. Na contramão, tal sistema estimula a diferença social e, consequentemente, acaba impulsionando roubos, assaltos, furtos, assassinatos e outros crimes.

A primeira chave para o sucesso é a qualificação que, explicou ele, depende “dos elementos sociológicos fundamentais: família, escola, trabalho, organização e estudo”. Quem não tem todos estes elementos acaba excluído, e encontra na violência um dos principais caminhos para reduzir a diferença econômica. Ele questionou ainda as ações judiciais e a forma como eles são cumpridos, citando a violência na reintegração de posse da ocupação Pinheirinho, em São José dos Campos.

Álvaro ressaltou que a violência é diferente em cada meio, citando como exemplo o trânsito: na sociedade moderna, o automóvel é visto como um símbolo de status e poder, o que faz com que seus proprietários acreditem que, dentro da máquina, tudo podem, contra outros condutores ou pedestres. Se a consciência e a responsabilidade fossem maiores, acredita ele, não veríamos com frequência os acidentes causados por alta velocidade ou por motoristas embriagados.

Jovem Pan On Line

PM cadastra famílias para conter violência


Uapc é esperança da corporação para frear crimes na zona sul; mais de 2.300 famílias são visitadas
Filipe Rodrigues
São José dos Campos

Implantadas em novembro de 2010, as Uapcs (Unidade Avançada de Polícia Comunitária) são a principal esperança da Polícia Militar para reduzir os elevados índices de criminalidade na zona sul de São José em 2012.

A região teve 21 homicídios em 2011, além de puxar o crescimento de 26% que a cidade teve em roubos de carro com relação a 2010.
A Uapc visa estreitar laços entre moradores e PM. Para conhecer a população de um bairro, é feito um cadastramento com os moradores da casa.

Só na zona sul, já são 2.347 famílias de cinco bairros (Campo dos Alemães, Pinheirinho, Colonial, Interlagos e Residencial União) cadastradas pelos policiais.

Em bairros carentes, policiais fazem parcerias com escolas para dar aulas de futebol, judô, entre outras atividades para as crianças.

As visitas no sexto bairro começaram na semana passada. Comerciantes do Jardim Morumbi conheceram o trabalho e receberam dicas de segurança dos policiais.

“Ter a PM por perto é sempre bom. Às vezes, a gente relaxa com segurança com o tempo. Receber dicas e saber que eles estão aqui, nos faz sentir melhor”, diz o comerciante Marcos Antonio Pereira, 31 anos.

Mudança
A PM aposta que as unidades implantem na sociedade, uma nova cultura de polícia.

“Nossa função continua prevenir crimes, mas com uma mentalidade diferente: ir à sociedade sem ser acionado”, diz o capitão Ricardo Ivo Gobbo, responsável pelo trabalho das Uapcs da zona sul.

O aumento da convivência visa conhecer a realidade de uma região que enfrenta problemas de segurança.
“No Jardim Morumbi, por exemplo, estamos dando dicas de segurança à população para evitar que estas pessoas sejam assaltadas enquanto chegam em casa, por exemplo”, diz.

O bairro foi o líder de roubos em São José em 2011 e, por isso, foi escolhido para receber a ação, que não tem prazo para terminar.

“A ideia é conversar com as pessoas. Uma casa pode durar tanto 10 minutos quanto uma hora”, afirma o capitão.

Durante as visitas, uma base comunitária fica no bairro. Os policiais também recebem a orientação de revisitar as casas para não perder contato.

Tráfico
A aproximação visa conquistar a confiança da população para algo considerado fundamental na luta contra o crime –a denúncia.

Quando o projeto foi criado no Campo dos Alemães, essa foi a principal intenção. “Sabemos que o tráfico ainda existe no Campo dos Alemães, mas agora, recebemos informação dos locais e a partir daí, traçamos um plano de ação.”

Atuação social ajuda na aproximação
São José dos Campos
Nos bairros por onde passou, a Unidade Avançada de Polícia Comunitária deixou projetos sociais para afastar jovens da criminalidade.

No Campo dos Alemães, por exemplo, crianças e adolescentes receberam aulas de judô e futebol de policiais que têm experiência na área.

Por meio de parcerias, a corporação também conseguiu cursos de qualificação como computação e inglês para pessoas que querem aperfeiçoar o currículo.

“Em regiões carentes, é preciso dar uma oportunidade a esses jovens para que eles não sejam seduzidos para cometer crimes. O policial por perto serve como um bom exemplo”, diz o capitão Gobbo.

Também são realizados eventos abertos à população em datas comemorativas. Destes eventos, a PM contabiliza a participação de 15 mil pessoas desde 2010.

Atuação
Ações semelhantes foram adotadas no Parque Interlagos. “Tínhamos problemas com pequenos furtos e consumo de entorpecentes por jovens. Já tínhamos um programa e pedimos que a PM nos desse suporte”, diz Mario Sérgio de Oliveira, 46 anos, líder comunitário.