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‘Bom negociador de reféns ouve primeiro’, diz tenente do Gate

G1 acompanhou com exclusividade treinamento para ação em sequestros.
25 oficiais fazem curso em SP sobre como negociar com criminosos.

Tahiane Stochero
Do G1, em São Paulo

Em treinamento, PMs do Gate prendem sequestradores (Foto: Tahiane Stochero/G1)

Em treinamento, PMs do Gate prendem sequestradores (Foto: Tahiane Stochero/G1)

“O bom negociador tem que primeiro ter um bom ouvido, tem que saber ouvir o sequestrador e tentar tirar dele todas as informações que puder.”

Esta é uma das lições que o tenente Fernando Sério Vitória, há oito anos no Grupo de Ações Táticas Especiais (Gate) da Polícia Militar de São Paulo, deu na terça-feira (23) a 25 alunos do curso de negociação que a unidade está fazendo desde o início de agosto na capital paulista. Participam do curso oficiais da PM de São Paulo, Acre, Santa Catarina e Maranhão, além de um agente da Agência Brasileira de Inteligência (Abin).

O G1 acompanhou com exclusividade o treinamento prático, após um mês de aulas teóricas, em que os alunos aprenderam como negociar com criminosos que fazem reféns durante uma perseguição policial e também com pessoas mentalmente perturbadas, que tentam agredir familiares ou namorados por motivos passionais. O objetivo do curso é capacitar policiais para iniciar uma negociação logo que chegam ao local do crime, tentando obter dados sobre quem são os sequestradores e convencê-los a libertar os reféns e a se entregar.

No treinamento, dois chefes das equipes de negociação do Gate fizeram o papel de criminosos que, armados de fuzil e pistola, invadem uma casa, e pegam um casal como escudo quando fogem da polícia. Os PMs alunos cercam o local e começam a negociar. A mulher que é mantida refém passa mal e os criminosos pedem que um médico entre na casa para atendê-la.

Negociadores do Gate se passam por criminosos durante simulação (Foto: Tahiane Stochero/G1)

Negociadores do Gate se passam por criminosos durante simulação (Foto: Tahiane Stochero/G1)

“É impossível deixar um médico entrar lá dentro porque seria mais um refém para eles. Isso não pode ocorrer”, recomenda o tenente. Os criminosos fazem exigências, como um carro para fugir, colete à prova de balas e pedem um advogado e um misto quente.

“Pedidos fáceis como comida, podemos atender. Mas fornecer um colete ou um carro para a fuga é inadmissível”, afirma o oficial.

Papéis
Os alunos assumem papéis: um deles é o negociador principal, que é o único responsável por conversar diretamente com os criminosos. “Tem que conquistar a confiança dos ladrões, deixar eles desabafarem, falar o que pensam. Não dá para ficar falando com o ladrão e com os outros PMs ao mesmo tempo e nem quebrar um elo de conversação”, diz o tenente aos alunos, que em momentos de nervosismo, perdem a concentração e deixam os sequestradores falando sozinhos, enquanto ouvem conselhos de outros colegas PMs para decidir o que fazer.

Policiais discutem erros e acertos após treinamento (Foto: Tahiane Stochero/G1)

Policiais discutem erros e acertos após treinamento (Foto: Tahiane Stochero/G1)

“Ladrão não é teu irmão, amigo, compadre, parceiro, camarada nem colega. O ‘mala’ é um criminoso capaz de matar os reféns para fugir. Descobre o nome dele, pergunta o nome dele, e chama ele pelo nome”, diz o instrutor a um aluno.

“Quando se inicia a negociação, os criminosos começam gritando, pedindo de tudo. Estão nervosos, querem garantir a vida e fugir. Mas meia hora depois começam a se acalmar e diminuem o tom de voz”, afirma o tenente Fernando.

Negociadora
Quem melhor se saiu na negociação foi a única mulher do grupo, a tenente Carolina Colombo, de 28 anos, e que atua em Limeira, no interior de São Paulo. Segundo o instrutor, ela manteve a calma na negociação e conseguiu obter a libertação da refém que estava passando mal.

“Eu acho que mulher talvez tenha maior facilidade para ficar tranquila. Me estresso mais com os colegas, que ficavam gritando coisas o tempo todo, do que com a situação do sequestro em si”, diz Carolina, que está há sete anos na PM. “Lá dentro (da casa) há uma crise instalada, com criminosos fortemente armados. A gente sabe que não dá para colocar o médico lá dentro. Também pedi para os ladrões manterem a calma e não apontarem a arma para a gente”, afirma Carolina.

O curso de negociação para oficiais do Gate ocorre anualmente e tem carga horária de cerca de 170 horas, compreendendo aulas com técnicas de negociação internacionais, neurolinguística, psicologia, estudo de comportamento de criminosos, legislação penal e militar, dentre outros. Os inscritos passam por uma primeira seleção e, ao concluírem o curso, são habilitados como negociadores nas regiões onde atuam.

Vídeo mostra assalto a dono de carro de luxo em São Paulo

Ocupantes de Porsche Cayenne foram vítimas de assalto no sábado (16).
Crime ocorreu na região da Avenida Ricardo Jafet.

G1

Câmeras de segurança de um restaurante localizado na Avenida Ricardo Jafet, na Zona Sul de São Paulo, registraram o momento em que o motorista de um Porsche Cayenne e um casal de amigos – um advogado e uma estudante de direito – foram assaltados por volta das 17h deste sábado (16), logo depois de deixar o carro em um estacionamento. Os criminosos que realizaram o assalto utilizavam também um utilitário de luxo Hyundai Santa Fé prata. “Não percebi que eles estavam nos seguindo. Para mim era um outro carro com gente normal”, diz o empresário Fernando Marqueti.

Ele conta que caminhava em direção ao restaurante quando dois homens os abordaram na calçada. Um terceiro esperava ao volante. Segundo o empresário, um dos criminosos usava uma submetralhadora e outro estava com duas pistolas. Ele conta que um dos homens estava nervoso e chegou a deixar uma das armas cair no chão. “Ele falava várias vezes que ia atirar”, afirma. A ação durou pouco mais de um minuto. O empresário chegou a ser agredido. “Me tomaram pelo braço, me deram empurrões”, afirma Marqueti.

Os criminosos roubaram correntes, pulseiras, anéis de ouro, celulares e dinheiro das vítimas – um prejuízo estimado pelo empresário em R$ 15 mil. Ele afirma que os criminosos provavelmente não quiseram levar o Porsche por se tratar de um carro novo, facilmente identificável e sem filmes nos vidros. “Só nas rodas do Porsche paguei mais de R$ 18 mil. Acho que não quiseram levar o carro porque ia chamar atenção.” Após o assalto, os criminosos mandaram as vítimas entrarem no estacionamento.

O assalto ocorreu a poucos metros de uma base da Polícia Militar. Segundo o empresário, policiais militares o atenderam e saíram em busca do carro suspeito. As vítimas não registraram boletim de ocorrência. A sala de imprensa da Polícia Militar diz não ter registrado chamados para o 190 no horário. Um gerente do restaurante Esfiha Imigrantes confirma o assalto. Ele diz que as câmeras de segurança do estabelecimento, que registraram a ação dos criminosos, podem ajudar a identificá-los.

Um funcionário do estabelecimento diz que essa foi a primeira vez em 36 anos que clientes do restaurante foram assaltados. Depois do assalto, ele ofereceu almoço às vítimas que, naturalmente, ficaram sem dinheiro. O empresário diz que nem sequer conseguiu comer.

Veja o vídeo: