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Posts Tagged ‘ Presídio

Vingador oficial, delegado Fleury iniciou onda de mortes em SP

Nas décadas de 1960 e 1970, policiais retiravam vítimas de presídio para executá-las até que um padre, um promotor e um juiz desvendaram o que havia por trás dos crimes

SÃO PAULO – Um delegado ligava para os jornalistas anunciando que havia um “presunto” na estrada. A fonte secreta tinha o apelido de Lírio Branco e passava a ficha criminal do morto. Em alguns casos, os matadores deixavam ao lado do corpo desenhos de caveira do esquadrão da morte. Não bastava matar. Era preciso avisar o público, pelos jornais, que os assassinos tentavam livrar o mundo dos bandidos.

Entre 1969 e 1971, mais de 200 suspeitos foram executados pelo esquadrão. O efeito dessas mortes, no entanto, transcenderam as vítimas. Aplaudidos pela população e respaldados pelas autoridades paulistas e nacionais, os assassinos consolidaram em São Paulo a ideia de que os homicídios podiam ser usados como uma ferramenta eficaz para limpar a sociedade dos bandidos, ao mesmo tempo em que aplacavam o desejo de vingança de uma população amedrontada.

“Os efeitos dos assassinatos praticados pelo esquadrão são sentidos até hoje. A limpeza social continuou sendo defendida e praticada por grupos de extermínio hoje localizados principalmente na Polícia Militar”, afirma o padre Agostinho Duarte Oliveira, de 81 anos, na sede do Instituto Brasileiro de Ciências Criminais, em São Paulo.

Amigo de infância do delegado Sergio Paranhos Fleury, com quem jogava futebol no mesmo clube da Vila Mariana, padre Agostinho conseguiu, em 1969, autorização do secretário de Segurança Pública, Hely Lopes Meirelles, para ingressar no Presídio Tiradentes, em São Paulo, onde a atual presidente, Dilma Rousseff, também cumpriu pena com outros presos políticos, separada dos presos comuns.

Conversando com os detentos, padre Agostinho descobriu como o esquadrão da morte agia. Os presos comuns eram retirados das celas nas madrugadas para serem exterminados e terem o corpo cheio de balas jogado em alguma estrada. Para provar o que falava, o religioso conseguiu a lista oficial dos presos. Como eles apareciam nas estradas com suas identidades divulgadas nos jornais, bastava checar a lista e ver quem deveria estar nas celas. “Eu comprava o antigo jornal Notícias Populares e lia o nome dos mortos para saber se eram os que estavam no Tiradentes.”

Vingança
Depois da morte de Saponga, em vingança ao crime contra o investigador Davi Parré, as execuções do esquadrão passaram a se tornar corriqueiras e banais. Jornais da época contabilizavam o total de mortos anunciados pelo esquadrão. Havia uma certa tolerância com essas ações, cujas investigações eram inexistentes. Afinal, aqueles que deveriam investigar eram os mesmos que matavam.

O jornalista Afanásio Jazadji, que cobria o assunto no período, lembra quando, certa noite, atendeu um telefonema na sala de imprensa da central de polícia que existia no Pátio do Colégio e lhe disseram que havia quatro corpos jogados em um matagal em Guararema, na Via Dutra. Iniciante, ele foi apurar o crime em busca de um furo sem falar para os outros jornalistas, que continuaram jogando baralho. Para evitar que concorrentes depois chegassem ao local e reportassem a informação aos seus jornais, mudou os corpos de lugar para despistar os outros jornalistas. “Imagina. Naquele tempo isso era possível. Foi quando deixei de ser foca.”

A situação dos integrantes do esquadrão mudou em 17 de julho de 1970, depois da morte de outro investigador. O suspeito da autoria da morte do policial Agostinho Gonçalves de Carvalho era um jovem de 20 anos conhecido como Guri. No mesmo dia da morte do investigador, oito corpos baleados foram levados ao Instituto Médico Legal.

O promotor Hélio Bicudo, que passaria a atuar no caso do esquadrão, descobriria, com a ajuda posterior do padre Agostinho, que quatro mortos tinham sido retirados do Presídio Tiradentes. Nos dias que se seguiram, para achar Guri, Fleury e seus homens foram acusados de torturar os pais do suspeito para que eles o entregassem.

Guri acabou sendo encontrado na mata fechada de uma fazenda no Parque do Carmo, na zona leste. Os policiais chegaram acompanhados de jornalistas que descreveram a cena nos dias seguintes nos jornais. Guri foi morto com mais de 100 tiros em seu corpo, que ficou desfigurado. O homicídio, anunciado aos quatro ventos pelos policiais, provocou a reação das instituições como o Tribunal de Justiça.

Em agosto de 1970, o depoimento do padre Agostinho, de sobreviventes e de presos do Tiradentes ajudaram o então promotor Hélio Bicudo, hoje procurador aposentado, e o juiz corregedor Nelson Fonseca a iniciarem o processo que levaria ao indiciamento de 35 pessoas. Só seis foram condenados. Apesar da dificuldade em punir, os autos trouxeram à luz informações preciosas.

Vieram à tona, por exemplo, informações de que traficantes de São Paulo eram beneficiados por mortes praticadas pelo grupo. A promiscuidade de policiais e bandidos da boca do lixo motivou várias mortes do esquadrão, que protegia traficantes amigos de rivais, como revelaram depoimentos do processo.

“A violência era tolerada porque aparentemente ocorria em defesa da sociedade, mas na verdade era usada para acobertar outros tipos de crime”, lembra Bicudo, um dos principais responsáveis pelas investigações do período, hoje com 92 anos. “Os esquadrões da morte acabaram seguindo o caminho do crime. É o que costuma ocorrer. Engana-se quem acredita em um assassino.”

O Estado de São Paulo

Número de mulheres presas cresce quase 30%

A participação de mulheres no crime tem aumentado em São Paulo. Dados da Secretaria de Administração Penitenciária (SAP) revelam que o ano de 2011 registrou um aumento de 29% na entrada de detentas no sistema prisional em relação a 2010. Foram 7.609, ante 5.894.

Ainda de acordo com os dados da SAP, a população feminina no sistema carcerário – cálculo que leva em conta o número de mulheres que entraram na prisão menos as que saíram – cresceu 15,2% no ano passado em relação a 2010 (de 8.378 detentas para 9.657).

Proporcionalmente, o crescimento entre os homens foi menor (5,8%), de 155.210 para 164.33.

Segundo o balanço da SAP, as principais condenações das mulheres são por tráfico de drogas (2.142 casos), roubo (433), associação ao tráfico (258), furto (191) e homicídio (48). A explicação para o aumento das condenações pode estar ligada à participação cada vez mais efetiva da ala feminina na sociedade.

“A mulher vem cometendo mais crimes porque está mais protagonista em todas as áreas. Se você observar uma pessoa que é só dona de casa, a oportunidade de estar inserida num contexto de criminalidade é quase que nenhuma”, diz Ana Paula Zomer, presidente da Comissão de Política Criminal e Penitenciária da OAB e procuradora-geral do Estado.

Há situações, principalmente envolvendo drogas, em que a mulher aparece em um cenário ligado ao marido ou namorado. “Normalmente é na figura dela, levando droga para dentro do presídio para o companheiro”, explica Ana Paula. Quando isso ocorre, o desfecho é duplamente negativo para a presa. A procuradora lembra que são raros os casos de companheiros que mantêm o relacionamento quando a mulher está no cárcere.

Camilla Haddad

Infrator custa R$ 5.600 por mês


O Estado gasta uma média de R$ 5.600 por mês com cada interno da Fundação Casa. No Vale, o custo com 320 internos é de R$ 1,79 milhão

São seis refeições diárias, cursos profissionalizantes, educação e reeducação social, esporte e outras atividades. Cada menor infrator internado em uma das 142 unidades da Fundação Casa (a antiga Febem) do Estado custa R$ 5.600 por mês aos cofres públicos. No Vale do Paraíba, o governo tem unidades em São José, Taubaté, Jacareí, Caraguatatuba e Lorena, com o total de 320 vagas.

Em entrevista ao BOM DIA, a presidente da Fundação Casa, Berenice Giannella, disse que o valor não é gasto e sim investido na recuperação de crianças e de adolescentes, com bom ‘custo-benefício’ para a sociedade.

“Independente da infração cometida na rua, o menor é muito bem atendido. Igualmente, não há diferenças de casos ou situações. A nossa preocupação hoje não é com o valor, porque avalio que ele seja suficiente, mas sim com o processo que possamos realizar dentro das unidades para que ele não volte mais, que saia preparado para voltar ao convívio social”, disse a presidente.

Custo
O valor mensal de R$ 5.600, de acordo com ela, é a média do Estado. Há unidades que os valores e gastos são menores. Para o promotor de justiça da Vara da Infância e Juventude de São José, João Marcos Costa de Paiva, é preciso cautela ao analisar esse custo.

“Falar da renda per capita é traiçoeiro, afinal, não sabemos ao certo quanto eles recebem de investimento. O adolescente é muito bem tratado e recebe todo amparo para ter uma nova chance, qualquer valor que se invista é válido”, disse.

Ex-Febem
Para ele, a modificação de Febem para Fundação Casa vai muito além do nome.

A presidente assumiu o cargo em 2006. De lá pra cá, o número de rebeliões caiu (em 2003, o Estado registrou 80 e 1 em 2011) e a reincidência também apresentou queda (de 29 para 13%). As unidades foram descentralizadas, para que o infrator pudesse ficar perto da família. E as unidades, antes mais parecidas com presídios, foram mudando para um perfil mais ‘escolar’.

A dúvida, que o Estado se negou a responder ao BOM DIA, é: se o governo investe aproximadamente R$ 5.600 por mês na recuperação de menores infratores, quanto é que ele gasta na prevenção ao problema?

MP atesta mudança nas unidades do Vale
Para o promotor da Vara da Infância e Juventude de Taubaté, Antônio Carlos Ozório Nunes, o atual trabalho desenvolvido nas unidades da Fundação Casa não pode ser avaliado com base no valor investido pelo Estado. “É só fazer um balanço de quantas coisas mudaram e dos casos que eram apresentados. Estamos falando de ressocialização de menores, algo que exige empenho de profissionais altamente capacitados e não de valores”, completou.

Michelle Mendes – Bom Dia São José e Taubaté

Secretário fala sobre investimentos na Baixada

A presença ostensiva do Estado para combater a criminalidade e melhorar ações de segurança estão entre as reivindicações mais antigas da população da Baixada Santista.

Nesta quinta-feira, após participar da plenária da Agenda Metropolitana de Santos, realizada no Mendes Convention Center, o secretário de Estado da Segurança Pública, Antonio Ferreira Pinto, afirmou ser sensível aos apelos locais.

Em entrevista concedida a A Tribuna, o secretário reconheceu que há ainda muito a avançar e ressaltou o empenho do governador Geraldo Alckmin em reduzir os índices de criminalidade, principalmente em Guarujá e Praia Grande.

A Tribuna – Quais ações na área de Segurança Pública estão previstas para a Baixada?

Ferreira Pinto – A secretaria é muito sensível à Baixada Santista. Já reforçamos consideravelmente o efetivo em abril com 290 homens da PM e vamos dotar a região com mais 300 soldados até o fim do ano. Também contamos com melhoria de equipamentos e ampliação de bases da PM. Mas temos dificuldades de suprir as lacunas da Polícia Civil em função das carências de recursos humanos. Também nesse setor buscaremos dotar a região de maior efetivo.

A Tribuna – Qual região da Baixada mais precisa de investimentos?

Ferreira Pinto – Todas as cidades necessitam de aprimoramento na área de segurança pública, mas a situação mais crítica é a Guarujá e Praia Grande. Tanto em relação a efetivos quanto a recursos materiais. Nós estamos atentos a isso.

A Tribuna – Qual seria o número ideal de policiais militares por habitantes nessas cidades com déficit maior? Quando virá esse reforço?

Ferreira Pinto – Nós vamos disponibilizar um efetivo considerável de reforço em breve. Serão 300 novos soldados até o fim do ano. A distribuição deste contingente ficará a cargo do comandante da região, a quem cabe o emprego da tropa de acordo com a necessidade dos municípios. Haverá, evidentemente, uma prioridade para Guarujá e Praia Grande.

A Tribuna – Cadeias femininas ainda são muito improvisadas aqui na região. Há projetos para mudar isso?

Ferreira Pinto – Nós estamos construindo ou em vias de construir sete presídios femininos no Estado para, que num tempo bastante breve, não existam mais mulheres cumprindo pena ou à espera de julgamento em cadeias públicas. Para a Baixada, está prevista uma unidade em São Vicente. Existe um esforço do Governo neste sentido. Na semana que vem deve ser inaugurado um presídio em Tupi Paulista e foi também inaugurado um presídio em Tremembé. Existe um presídio com obra em andamento em Votorantim e outro em Pirajuí. Aqui na Baixada Santista, os problemas são de licença ambiental. São mais demorados, mas os projetos estão em curso.

A Tribuna – O programa Atividade Delegada, que terá a adesão das prefeituras de Santos e Guarujá, pode contribuir para a redução da criminalidade na região?

Ferreira Pinto – Sem dúvida, principalmente os crimes patrimoniais. Na Capital, ele foi implantado com sucesso e várias prefeituras estão empenhadas em aderir a esse modelo. Temos bons exemplos em Sorocaba e Mogi das Cruzes. Há procedimentos em andamento nas cidades de Santos e Guarujá. A iniciativa é dos municípios e a Polícia Militar vê com bons olhos.

A Tribuna – Santos

SINAIS DO CRIME: Códigos da violência

O crime tatuado na pele. O BOM DIA mergulha no submundo do ‘xadrez’ e revela o significado desses códigos

Michelle Mendes – O Vale
São José e Taubaté

Crime tatuado na pele. A ‘vida loka’ traduzida, da alma para o corpo, em cores e traços. Códigos cifrados do submundo, alfabeto da violência. Entre os criminosos, a tatuagem é informação e ao mesmo tempo, revela o ‘currículo’ e o status, pode conter dados ocultos. A estratégia é empregada até na mais temida facção criminosa do Estado: o PCC (Primeiro Comando da Capital).

Os desenhos são feitos nas celas, pelos próprios criminosos, de maneira improvisada. Por meio desses sinais, é possível criar uma espécie de ‘cartão de visitas’, gravado na pele. Cada tatuagem tem o seu significado próprio, pode informar qual o crime praticado pelo prisioneiro ou então que facção integra.

As tatuagens são feitas um com tubo de tinta caneta esferográfica, agulha de costura e motor de gravador. E essa máquina artesanal é movida a pilha ou gato da fiação elétrica. Há casos em que o bandido consegue tinta profissional para o desenho.

Código do PCC /Das ‘tatuagens do PCC’, as mais usadas são o próprio nome da facção (ou o símbolo 1533), a carpa, o símbolo chinês ‘Yin Yang’ e a sigla PJLI — ‘lema’ da organização: Paz, Justiça, Liberdade e Igualdade.

Outras facções, como, por exemplo: ‘CRBC’ (Comando Revolucionário Brasileiro da Criminalidade), ‘ TCC’ (Terceiro Comando da Capital) e SS (Seita Satânica).

Grife /As tatuagens tem um ‘código’ geral — é incomum que os significados mudem de um presídio para o outro. O que não impede a criação, no Vale do Paraíba, de novas ‘grifes’ do crime, por quadrilhas ligadas ao tráfico de drogas, como ocorre em Taubaté.

Entre as imagens mais comuns no sistema prisional estão santos, caveiras, bonecos, punhal, diabo, estrela, suástica, cobra, palhaço, fuzis. São os sinais do crime.

‘Amor só de mãe’: frase indica ‘matadores’ do crime, diz DIG

‘Amor só de mãe’. De acordo com a Polícia Civil da região, essa é a frase gravada no corpo, na maioria das vezes em japonês, dos ‘matadores’ do crime . A mensagem, de acordo com a ‘cartilha’ das facções é: deve-se respeito apenas à própria mãe, o resto, é resto. O ‘vida loka’ não mede consequências para executar o ‘alvo’, quem quer que seja — policial, criminoso ou mesmo um cidadão comum.

“Na maioria dos casos os criminosos fazem tatuagens para transmitir a mensagem de como devem ser reconhecido na bandidagem, no PCC, por exemplo, o ‘1533’ tem o total respeito na facção e chega a provocar medo”, afirmou à reportagem do BOM DIA delegado titular da DIG (Delegacia de Investigações Gerais) de Taubaté, Juarez Totti.

SP: preso faz ameaças à vítima de dentro de presídio

Gravações revelam ameaças feitas por um preso de dentro da cadeia; assaltante intimida uma de suas vítimas por telefone.

Fonte: Terratv