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Posts Tagged ‘ Resistência

O que substituirá as Polícias Militares?

Não é vocação das polícias brasileiras serem cidadãs, democráticas, comunitárias e humanas: com seu público interno ou com seu público externo, sujeito dos seus serviços. Basta ler a Constituição Federal para se dar conta de que os policiais militares, por exemplo, não podem se sindicalizar, sendo legalmente tratados como semicidadãos, embora sejam cobrados como vetores de cidadania. O Código Penal Militar (1969), a que todos os PMs e BMs brasileiros estão submetidos, foi decretado por ministros militares “usando das atribuições” conferidas pelo famigerado Ato Institucional nº 5, o AI-5.

Por outro lado, pesquisas se amontoam demonstrando que no Brasil, quando se trata de atuação policial, o nível de violência praticada por parte do Estado supera em muito o tolerável, notadamente no que se refere a execuções extrajudiciais tendo como amparo autos de resistência forjados.

É simples entender por que aqui se utiliza o termo “vocação”. É que nossas polícias não nasceram para garantir direitos de minorias, para evitar que injustiças sociais ocorram, nem para evitar que os mais fortes abusem dos mais fracos. Elas possuem em seu nascedouro certa orientação para as garantias do poder governamental de ocasião, que costuma replicar os interesses de certas elites, já que estamos falando do sistema político-eleitoral brasileiro.

Sim, em muitos momentos nossas polícias atuam em observância aos preceitos cidadãos, democráticos, comunitários e humanos. Mas este não é seu talento: é como se diferenciássemos Mozart e sua capacidade inata de lidar com a música de um homem já idoso que resolve aprender tocar piano por distração. Aliás, não parece mais que isto a relação das polícias com estes conceitos, uma espécie de “cereja do bolo”, um enfeite pronto para dar certo toque publicitário à atuação policial, admitido de bom grado por grande parte da nossa imprensa.

Neste contexto, virou moda pedir a cabeça das polícias militares, como se só as PMs fossem praticantes de abusos. Seria útil para os que sustentam este discurso, primeiramente, definir o que vem a ser “polícia militar”. Se significa ser violenta em sua atuação, teremos que extinguir polícias civis, instituições prisionais e até mesmo algumas recém-criadas guardas municipais. Como se vê, o problema é muito maior do que a tentação de criar um bode expiatório, alimentado principalmente por rancores ideológicos que o termo “militar” adquiriu no país.

O Brasil não pode correr o risco de perder outra oportunidade de remodelação das polícias brasileiras – 1988 passou, uma Constituição com pretensões democráticas foi promulgada e a discussão sobre o modelo de polícia está no vácuo até hoje. Mudar é urgente, mas não se trata de um passo no escuro: além de saber qual polícia não queremos, é preciso discutir e definir a polícia que queremos. Iniciar garantindo cidadania, dignidade e humanidade aos próprios policiais é um boa prioridade a ser definida.

Fonte: Carta Capital

Segurança: por que resistir à prevenção?

Todos os dias, boa parte do noticiário é recheada de ações criminosas e expõe, por meio de tristes histórias das vítimas, as mazelas da segurança no país. São casos que deixam sequelas nos protagonistas e amedronta a população em geral. E como reagimos? Embora cada pessoa tenha seu jeito próprio de lidar com a questão, alguns comportamentos coletivos merecem ser destacados.

A nós, especialistas em segurança, intriga o fato de que muitos dos casos de violência – noticiados ou não – são evitáveis, ou pelo menos passíveis de causar menos danos, mas para isso é necessário adotar medidas preventivas, muitas vezes bem simples, que os indivíduos parecem não enxergar; as autoridades, não alertar e a sociedade, desconsiderar.

Hoje, só retiramos um carro da concessionária com uma apólice de seguro em vigor, travamos os cintos de segurança antes de engatar a primeira marcha e mantemos um ciclista no solo, imóvel, mesmo após uma colisão leve. Sabemos que acidentes graves também acontecem com carro zero kilômetro, que podemos quebrar um pára-brisa com a cabeça (e morrer) após um choque frontal a 60 km km/h e causarmos uma lesão definitiva na coluna vertebral se não tivermos a paciência de aguardar quinze minutos, deitados no asfalto, pela chegada de uma equipe de resgate profissional.

Bons exemplos, mas quando o assunto é a segurança da sua casa e moradores ou da sua empresa e funcionários, os brasileiros ainda estão longe de um patamar desejado. A grande maioria investe pela primeira em vez em vigilantes profissionais, câmeras, alarmes, monitoramento remoto ou controle de acesso somente depois de um forte trauma, de perdas significativas de bens materiais ou até de vidas. Então, que tal comprar uma apólice de seguro para o veículo ou usar cintos de segurança somente a partir do primeiro acidente? (se sobreviver, puder dirigir novamente e tiver dinheiro para pagar a oficina ou comprar um novo carro). Em casa, que tal colocar álcool, remédios e produtos de limpeza fora do alcance das crianças somente após as primeiras queimaduras e intoxicações?

Um dos segmentos da segurança que mais cresce atualmente no Brasil é o da eletrônica, porém ainda está longe do potencial gerado por um país com 190 milhões de habitantes. Temos hoje cerca de um milhão de câmeras auxiliando na segurança dos brasileiros. Com um quarto da nossa população e índices de violência bem menores, a Inglaterra tem mais de 3 milhões de câmeras somente em áreas públicas, enquanto a China, só em 2010, instalou mais de 10 milhões de câmeras.

De um total de mais de seis milhões de imóveis com condições de receber sistemas de alarmes monitorados no Brasil, apenas 11% efetivamente têm esses serviços (700 mil imóveis); os demais 89% participam diariamente das brincadeiras “coisa ruim só acontece com os outros” ou “quando tem que acontecer, acontece”, enquanto o número de imóveis com TV por assinatura passou da casa dos 13 milhões no último mês de janeiro.

É preciso mudar a cultura da segurança preventiva no País, volto a repetir. E para isso, essa mensagem terá de ser trabalhada exaustivamente. Voltando aos cintos de segurança, quantos ‘senões’, quanta resistência, quanta demora, para – enfim – reconhecermos e usufruirmos dos inegáveis benefícios preventivos deste equipamento? A grosso modo, podemos dizer que os cintos estão para os acidentes automobilísticos como os alarmes e as câmeras de segurança estão para os crimes. Os cintos não evitam uma batida, mas minimizam as conseqüências; um vigilante, um sensor de presença e uma câmera têm um forte apelo à prevenção de delitos e quando não os evitam, contribuem para a diminuição do tempo da ocorrência, minimizam os prejuízos e ajudam na identificação dos autores.

Quer um outro exemplo? Recentemente, a prefeitura de uma grande cidade brasileira noticiou a instalação de 100 câmeras inteligentes em pontos estratégicos do centro. A “inteligência” é um software que identifica vários eventos indesejáveis (pessoas pulando um muro ou veículos na contra-mão, por exemplo) que, se ocorrerem, disparam um alarme na tela do monitor e chamam a atenção do vigilante de plantão da central de monitoramento 24 horas (ou alguém acredita que uma pessoa, após 15 minutos de trabalho nesta função, consegue manter o nível de concentração necessário para olhar 16 câmeras divididas em pequenos retângulos num monitor de 20 polegadas e identificar todas movimentações suspeitas?)

Você, cidadão de bem, deve estar achando ótimo a instalação dessas câmeras, não é? Pois saiba que há vários tipos de resistências: os que dizem “os equipamentos são bons, mas não adianta instalar se não tiver mão de obra adequada para operar” poderiam mudar o discurso para “ótima notícia, mas vamos comprar também um programa de treinamento e reciclagem dos operadores”. Uma das manchetes dos jornais chamou os equipamentos de “câmeras dedo-duro”, dando uma conotação pejorativa a uma ótima solução para melhoria da segurança pública; assim fica difícil avançarmos: que tal renomear para “câmeras olho-vivo”?

Erasmo Prioste

Veja a rotina da equipe do sangue, a Polícia Científica

29 de julho - 23h05: na Sala de Meios, o agente de telecomunicações João Perez Gasques Filho recebe dois chamados da Polícia Civil: uma tentativa de latrocínio e um homicídio simples

29 de julho - 23h15: perito leva maleta metálica equipada com vários itens, como luvas de borracha, sacos plásticos, esparadrapo, lanterna, pinça, fita métrica, hastes flexíveis e algodão

29 de julho - 23h15: Equipe da Polícia Científica se dirige a local de crime no bairro Chácara Santo Antônio, em Santo Amaro

29 de julho - 23h45: motorista de Fusion preto foi vítima de tentativa de latrocínio

29 de julho - 23h45: dente da vítima foi extraído com disparo de arma de fogo

29 de julho - 23h45: vítima estacionava para buscar a mulher em um escritório de arquitetura

30 de julho - entre 0h05 e 0h38: fotógrafo técnico-pericial Sérgio Martins registra imagem de dinheiro encontrado no local do crime: "É uma precaução, para provar o que achamos no local e evitar reclamações posteriores", disse

30 de julho - entre 0h05 e 0h38: Impacto do projétil no vidro do carro formou um cone, aberto para fora. "É um indício que o tiro foi de dentro para fora", diz o perito criminal Waldemir Cássio dos Reis

30 de julho - entre 0h05 e 0h38: com uma caneta esferográfica, o perito Waldemir faz um esboço da cena do crime na folha de um caderno para, segundo ele, "facilitar a elaboração do laudo"

30 de julho - entre 0h05 e 0h38: um buraco no muro de tijolos logo em frente ao local do crime mostra que a bala ricocheteou

30 de julho - entre 0h05 e 0h38: principal prova do crime, projétil é encontrado próximo à porta dianteira do passageiro, rente ao meio-fio

30 de julho - 1h05: peritos se dirigem à rua Pindorama, no Jardim Capela, onde um homem foi vítima de homicídio

30 de julho - 1h05: viaturas da Polícia Militar isolam local do crime

30 de julho - 1h20: pequena mancha de sangue no chão indica local onde vítima foi ferida

30 de julho - 2h35: terceiro crime da madrugada ocorreu em um posto de combustíveis no Jardim Socorro, na zona sul de São Paulo

30 de julho - 2h35: cliente de uma loja de conveniência em um posto de combustíveis foi abordado por um um adolescente e levou um tiro quando deixava o veículo

30 de julho - 2h35: motorista foi atingido por dois tiros e levado ao hospital sem ferimentos graves

30 de julho - 2h35: peritos encontraram manchas de sangue no banco do motorista

30 de julho - 3h18: quarto local periciado pela equipe da Polícia Científica foi palco de confronto entre policiais e uma dupla a bordo de uma motocicleta, na região do Butantã

30 de julho - 3h18: policiais civis perseguiram dois adolescentes em uma motocicleta, acusados de assaltar uma mulher idosa na região. Na perseguição, houve troca de tiros

30 de julho - 3h18: perícia descobre que o número da placa da motocicleta foi adulterado com elástico amarrado no metal: o número que parecia um "6", na verdade era um "0"

30 de julho - 3h18: perito analisa motocicleta acidentada após confronto com a polícia

30 de julho - 3h52: perito Waldemir realiza o exame residuográfico no policial civil que preservava o local

30 de julho - 3h52: o procedimento é necessário em casos de resistência, para provar que o policial utilizou sua arma

30 de julho - 3h52: exame consiste em colocar esparadrapos nos dedos polegar e indicador para absorver partículas de projétil

30 de julho - 4h45: Peritos negam demora no trabalho da Polícia Científica

30 de julho - 4h45: painel com instruções de anatomia decora sala da Polícia Científica

30 de julho - 4h45: por lei, o perito tem 10 dias para entregar o laudo com todas as informações relacionadas ao caso

30 de julho - 5h43: plantão noturno foi considerado "tranquilíssimo" pela equipe da Polícia Científica

30 de julho - 5h43: plantão terminou com o registro de 14 ocorrências desde as 19h, com cerca de 60 pedidos de laudos a serem realizados pelos peritos do laboratório

Fotos: Léo Pinheiro / Terra

Polícia identifica bandidos que só assaltam mulheres na Vila Mariana

Ladrões costumam atacar nos semáforos à noite, entre 19h e 21h, em locais nobres da zona sul

Carolina Spillari – estadão.com.br

SÃO PAULO – A polícia divulgou nesta segunda-feira, 25, o retrato falado de dois homens de idades entre 40 e 45 anos que praticam roubos a carros na região da Vila Mariana. Eles fazem parte de um trio que só assalta veículos ocupados por mulheres.

Reprodução DeicReprodução Deic

O retrato falado dos ladrões foi elaborado a partir de denúncia de uma das vítimas, que acabou ficando paraplégica após ser abordada e dar a partida no carro. Segundo o chefe de investigação Welington Barreto, ela ficou assustada, avançou com o veículo e foi atingida pelas costas. “O homem atirou por pura maldade”, disse o investigador.

O roubou aconteceu na Avenida do Cursino, um dos alvos do trio, que também atua na Avenida Ricardo Jafet, vias dos bairros Vila Mariana e Vila Clementino, locais nobres da zona sul.

Esse foi pelo menos o quinto caso registrado na área do 16º Departamento de Polícia, na Vila Clementino. Os assaltos começaram há cerca de três meses. A vítima não conseguiu identificar o terceiro homem. De acordo com o investigador, as mulheres acabam sendo alvos fáceis pois não oferecem resistência. Os crimes costumam acontecer nos semáforos à noite, entre 19h e 21h.