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Posts Tagged ‘ Restaurantes

Segurança Patrimonial

Noticias sobre os recentes assaltos a condomínios, bares e restaurantes geram intensa polêmica. Afinal, a quem de fato cabe a responsabilidade de garantir a segurança destes estabelecimentos? Sabe-se que, atualmente, a violência lidera o ranking dos problemas sociais e, por isso, os esforços da segurança pública não podem atender aos interesses pessoais ou particulares da sociedade. O Brasil, no entanto, carece de ação enérgica e integrada para enfrentar este problema. O Mapa da Violência 2012 revela que de 1981 a 2010 mais de 176 mil crianças e adolescentes foram assassinados. A taxa passou de 3.1, na década de 1980, para 13.8, em 2010, de cada 100 mil. Se o crime contra pessoas aumenta, contra o patrimônio cresce incontrolavelmente. O ano de 2012 começou com recordes em números de roubo ao patrimônio, no estado de São Paulo. O primeiro semestre teve 4% mais casos que em 2011. No ano passado, ao todo foram 1.155.578 ocorrências, 6% a mais que 2010.

Diante desse cenário, é difícil estabelecer as prioridades da segurança pública. Sobra ao cidadão uma opção: investir em recursos de segurança. Foi a partir desta necessidade, inclusive, que a atividade de segurança privada surgiu no Brasil, na década de 1960. Na época, a preocupação era diminuir os assaltos a bancos, que tiveram de recorrer aos serviços de empresas de segurança para diminuir os casos.

Não que se deva se obrigar, condomínios, bares e restaurantes a empregar segurança privada, mas, o caso dos bancos deveria servir de exemplo de como a prevenção gera resultado. Condomínios têm de estudar seu espaço físico para descobrir pontos vulneráveis devendo, ainda, contratar profissionais qualificados e com boas referências. O mesmo vale para bares e restaurantes. Não se trata de privar o poder público de suas responsabilidades, porém já não se pode negar que a proteção pessoal e a patrimonial são razões que valem o investimento.

Jorge Adir Loiola – Diário de São Paulo

Polícia prepara operação Dia dos Pais

A Polícia Militar vai reforçar a segurança perto de bares e restaurantes da capital no próximo domingo, Dia dos Pais, para evitar a ocorrência de arrastões. Segundo a PM, o esquema especial, que inclui reforço de até 80% no número de soldados, passa a valer na noite de sábado, com a entrada de policiais do setor administrativo nas rondas.

Além disso, desde sexta-feira, a corporação tem realizado uma sequência de blitze nas ruas para capturar procurados e recuperar veículos roubados, também escalando para o patrulhamento policiais que normalmente atuam no setor administrativo. Balanço parcial mostra que, desde o primeiro dia dos bloqueios – com 4 mil homens –, 71 procurados foram mandados para a cadeia. Foram apreendidas 35 armas de fogo. E 63 veículos roubados ou furtados foram recuperados.

“O grande objetivo é mostrar que a polícia está presente para garantir a segurança das pessoas”, diz o capitão Cleodato Moisés, porta-voz do Comando de Policiamento da Capital (CPC). Segundo ele, a estratégia evita a ação de criminosos. “Eles deixam de agir porque um se comunica com o outro.” Essa operação será encerrada à 1h desta quarta-feira.

Sobre a ação no Dia dos Pais, Moisés diz que a intenção é proporcionar um almoço e jantar tranquilo às famílias. “Essas datas sempre são motivo de preocupação e, por isso, policiais da área de cada bairro vão trabalhar com alguns focos.” Situação semelhante também foi vista nos Dias das Mães e dos Namorados, quando foram desencadeadas megaoperações para prevenir arrastões.

O diretor executivo da Associação Nacional de Restaurantes (ANR), Alberto Lyra, afirma que, desde que a PM passou a reforçar a patrulha em datas comemorativas – e também em dias normais –, o crime de arrastão “arrefeceu”. “Melhorou bastante, e as pessoas estão começando a ir para restaurantes com mais tranquilidade.”

Camila Haddad / Cristiane Bomfim – Jornal da Tarde

Clientes têm bolsas furtadas dentro de restaurantes em SP

Os ladrões de bolsas voltaram a atacar dentro dos restaurantes na região Central de São Paulo. Eles costumam agir no horário do almoço.

De janeiro a junho de 2012, foram registrados na capital 92.273 furtos.
Segundo a polícia, os criminosos costumam estar sempre bem vestidos para não chamar a atenção. Além disso, agem em lugares bastante movimentados, como nos restaurantes, e se aproveitam de um minuto de distração das vítimas.

Uma mulher que não quis se identificar foi uma das vítimas. “Eu coloquei minha bolsa na cadeira. Não deveria, mas coloquei. Na hora que eu terminei de almoçar, fui pegar a bolsa e ela não estava lá”, conta. Câmeras de segurança registraram o momento que um homem entrou no restaurante e praticou o furto.

A polícia alerta que é preciso ter muita atenção também dentro de trens, ônibus e metrô, na entrada dos hotéis e quando estiver caminhando pelas ruas.

A falta de testemunhas dificulta a investigação. “As pessoas vão embora e quando chegam para fazer o boletim de ocorrência não tem testemunhas. Aí você recorre à investigação. Essa investigação é feita em cima de pessoas suspeitas e a polícia tem agido em cima disso”, explica o delegado Antônio Luís Tuckumantel.

Fonte: G1

Polícia divulga balanço sobre ação contra arrastões em SP

30 pessoas foram presas e 14 assaltos a restaurantes esclarecidos desde o início dos arrastões na capital paulista

SÃO PAULO – Balanço da Polícia Civil do Estado de São Paulo divulgado na última quinta-feira, 21, mostra que 30 pessoas foram presas e 14 assaltos a restaurantes esclarecidos desde o início dos arrastões a estabelecimentos na capital paulista. Dentre os detidos, 14 são adolescentes.

O governador do Estado, Geraldo Alckmin, divulgou os resultados do balanço da ação de proteção a bares e restaurantes na manhã de quinta, em uma reunião no Palácio dos Bandeirantes, no Morumbi, zona oeste de São Paulo. Alckmin disse que até o fim do ano a intenção é ter 7 mil policiais militares a mais nas ruas.

Vizinhança Solidária
Na próxima terça-feira, 26, entra em vigor o programa Vizinhança Solidária, que conta com o auxílio da população contra a onda de arrastões, no Itaim Bibi, zona sul da capital paulista. Moradores, condomínios e restaurantes devem colaborar com a polícia com o objetivo de denunciar e auxiliar na proteção do bairro.

De acordo com o comandante-geral da Polícia Militar, Roberval França, “o programa começou como projeto piloto, 10 meses atrás, na cidade de Santo André, no Grande ABC. Foi aplicado em 14 bairros e, em 12 deles, a criminalidade foi a zero. Em dois, caiu 50%”.

O bairro do Itaim Bibi será o primeiro a receber o programa, que será expandido gradualmente para toda a capital paulista, de acordo com a Secretaria de Segurança Pública. Na próxima terça, haverá uma reunião entre a Polícia Militar e os representantes de restaurantes e condomínios do bairro, para iniciar o programa.


Fonte: Estadão

Vigilância de vizinhos é arma contra arrastões

O governo do Estado aposta na participação dos vizinhos de bares e restaurantes da capital como uma forma de tentar conter a onda de arrastões a esse tipo de estabelecimento. Ontem de madrugada, a polícia registrou o 17.° caso do tipo no ano: assaltantes roubaram 15 clientes e seis funcionários do Bar Balcão, nos Jardins, zona sul.

Além do engajamento da vizinhança, governo, polícia e donos de bares e restaurantes anunciaram ontem outras medidas para tranquilizar os clientes: aumento da iluminação na fachada dos estabelecimentos comerciais, instalação de câmeras, combate à receptação de produtos roubados e incremento do efetivo policial em datas comemorativas.

A vizinhança pode ajudar a polícia passando informações sobre veículos e pessoas suspeitas nas proximidades, além de denunciar a ocorrência de roubos em andamento. O modelo é inspirado no programa Vizinhança Solidária, que funciona em Santo André, no ABC, desde julho de 2010, e similar ao projeto “Meu vizinho está de olho”, implementado por moradores da Vila Romana, zona oeste da capital, em março de 2009.

“O programa Vizinhança Solidária deu ótimos resultados no ABC e agora vamos trazer para a capital. Acho que será muito bom porque um vai ajudando o outro, e o vizinho contribui para a segurança do bairro todo”, opinou o presidente da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel), Joaquim Saraiva de Almeida.

Em Santo André, o projeto começou em bairros centrais há dois anos. Os moradores participam de reuniões com a polícia e instalam placas nos postes. Cada placa tem a figura de um bandido sob o sinal de proibido e dizeres como “área vigiada pela comunidade” e “comunicamos toda atitude suspeita imediatamente à polícia”. Hoje, há 210 placas indicativas, em 13 bairros da cidade.

“Bandidos tentaram invadir minha escola de inglês recentemente, de madrugada. Um vizinho acionou a PM, os policiais chegaram e botaram os criminosos para correr. Só fiquei sabendo no dia seguinte e nada foi roubado”, disse a empresária Regina Guirelli, uma das responsáveis pela instalação do programa no município. A inspiração, segundo ela, veio de países como o Japão.

Cada placa tem um tutor, que fica responsável por conscientizar a vizinhança. “A ideia é que todos se voltem para os vizinhos, que saibam dos hábitos de cada um e sejam avisados, por exemplo, quando um deles viaja. Trocamos os contatos. Temos os celulares dos participantes”, explica.

Hoje á tarde, as associações que representam bares e restaurantes da capital voltam a se reunir com a Secretaria Estadual de Segurança Pública. A adaptação do programa à realidade de São Paulo é um dos assuntos a ser debatido.

“Moradores e proprietários de estabelecimentos comerciais podem cadastrar seus imóveis numa unidade da polícia. Eles vão ceder nome, telefone, dados de identificação e colocar na frente desses imóveis ou estabelecimentos a identificação do Vizinhança Solidária”, explicou o comandante-geral da Polícia Militar, coronel Roberval Ferreira França, que, até abril, comandava a PM do ABC.

Exagero
Proprietários de bares restaurantes ficaram satisfeitos com o resultado da reunião de ontem, mesmo que tenham que arcar com os custos de parte das medidas que foram anunciadas. “Não é tão caro instalar um holofote ou uma câmera na fachada. E muitas casas já têm seguranças ou porteiros. São coisas que já recomendávamos a nossos associados”, afirmou o presidente da Abrasel.

Especialista em segurança pública, o coronel da reserva José Vicente da Silva diz que as medidas são sensatas, mas houve alguns exageros. “Foi uma resposta à grita da mídia. Em uma cidade que tem 400 a 500 assaltos por dia, ter um ou dois arrastões por semana é pouco”, disse. “É muito mais arriscado ser assaltado ao pegar um carro na rua para ir ao restaurante do que ao frequentá-lo.”

Edison Veiga, Pedro da Rocha, Tiago Dantas e William Cardoso

Restaurante tem até botão de pânico contra arrastão

Vigias disfarçados, câmeras que captam imagens no escuro e até botão do pânico. O esquema de segurança não é de nenhum banco ou joalheria. São os donos de restaurantes da cidade de São Paulo se preparando para enfrentar a onda de arrastões. Hoje, Dia dos Namorados, a atenção vai ser redobrada nos estabelecimentos.

O governador Geraldo Alckmin (PSDB) – que hoje deve receber representantes de grupos de bares e restaurantes para discutir o problema – determinou que a PM reforce a segurança na área de bares e restaurantes hoje (leia mais abaixo). Desde o início do ano, houve 16 assaltos a bares e restaurantes na capital, segundo levantamento feito pelo JT.

Para evitar se tornar parte da lista, várias casas reforçaram a segurança. Caso um ladrão entre no restaurante My Temaki, no Itaim-Bibi, zona sul, funcionários podem avisar por um alarme, diretamente ligado a uma central de monitoramento.

“Hoje a tecnologia permite que se use um botão do pânico móvel, que parece um chaveiro de carro e aciona a central”, diz um dos sócios do restaurante, Guilherme Defillipi. Inaugurado neste ano, o restaurante Lupercio, nos Jardins, nasceu equipado.

“A gente já estava nessa onda de arrastão”, diz o sócio Carlos Martignago. O local tem 16 câmeras, algumas com zoom. “Assim, é possível focar o rosto das pessoas”, afirma. Além disso, o restaurante tem dois tipos de segurança, um deles a paisana.

No restaurante Salvattore, no Itaim-Bibi, é possível flagrar os criminosos mesmo em um eventual apagão. É que, entre as câmeras do estabelecimento, algumas são de visão noturna. “Nós achamos que isso é um problema de segurança pública. Mas o restaurante tem tomado algumas medidas, diz o gerente Claudio Nogueira.

Prejuízo
Donos de estabelecimentos afirmam que o movimento caiu cerca de 15 % neste ano, mas o frio também pode ter influenciado. E o faturamento de hoje, geralmente 30% maior do que em um dia normal, também pode ser afetado, avaliam. Com medo dos roubos, o restaurante Casa Cardoso, em Perdizes, zona oeste, nem vai abrir para a data.

No restaurante Le Vin, no Itaim-Bibi, zona sul, até ontem à noite o número de reservas estava abaixo do ano passado: 60% das mesas, contra 100% em 2011, disse o maître Alcemir Lima, de 32 anos. Já no restaurante Mercearia do Francês, o maître Cledson Guimarães diz que os clientes, desde o início da onda de arrastões, estão fechando a conta uma hora mais cedo, por volta das 22h.

Essa situação fez com que vários estabelecimentos já tenham procurado a PM para pedir aumento no patrulhamento mesmo antes do governador anunciar o reforço no policiamento para o Dia dos Namorados. O Mercearia do Francês foi um deles. “Há um mês os policiais aumentaram as rondas e começaram a entrar no restaurante para ver se está tudo bem”, disse Guimarães

Alvos estudados
Para o consultor de segurança José Vicente da Silva, ex-secretário nacional de Segurança Pública, os criminosos que atacam restaurantes costumam estudar os alvos com antecedência. “Eles procuram fazer uma ação rápida para conseguir um benefício minimamente adequado e com o menor risco possível.”

Artur Rodrigues, Felipe Tau, Gio Mendes, Tatiana Gerasimenko, Tiago Dantas e Valéria França

São Paulo, capital do arrastão

Como uma onda de assaltos coletivos faz a população da maior cidade do País mudar de hábitos e buscar a segurança privada.

Ser surpreendido por assaltantes em seu próprio apartamento ou durante um jantar em um restaurante é uma desagradável experiência da qual os paulistanos têm cada vez mais medo. Os arrastões estão se tornando comuns na cidade de São Paulo. Neste ano, foram registrados 13 crimes desse tipo em condomínios, o mesmo número de ocorrências de todo o ano passado. Entre janeiro e maio, 12 restaurantes de bairros de classe média alta da maior cidade do País sofreram arrastão. Em 2011, houve 23 casos. O episódio mais recente aconteceu na pizzaria Brás, no bairro de Higienópolis, localizada a menos de 100 metros de uma base da Polícia Militar. Trinta clientes foram roubados por quatro homens que levaram relógios, celulares, joias e um valor superior a R$ 3 mil, no domingo 27 à noite. A ação não durou mais do que dez minutos.

Com os frágeis sistemas de segurança desses locais e a ineficiência da repressão policial, a população sente-se acuada e muda seus padrões de comportamento para se preservar. Três vítimas do assalto à pizzaria Brás, por exemplo, lamentaram o ocorrido e disseram que o prejuízo só não foi maior porque já tomavam medidas de precaução antes. Um evita sair com relógio, outro deixa o iPhone em casa e o terceiro só leva um cartão do banco na carteira. Em vários bairros da cidade os cidadãos estão em alerta. “Nós vivemos com medo, as idas a restaurantes da região diminuíram bastante”, declara o presidente da Sociedade Amigos do Morumbi e Vila Suzana, Jorge Eduardo de Souza, que mora em um prédio onde também já aconteceu um arrastão.

Nos condomínios, as decisões para aumentar a segurança têm de ser conjuntas. Souza tenta convencer os vizinhos a adotar medidas adicionais de proteção, a exemplo do que aconteceu na rua do Símbolo, também na região do Morumbi. Os 660 moradores decidiram contratar no fim do ano passado uma empresa de segurança privada para fazer ronda diária no local. “Aconteciam assaltos todos os dias na rua e já houve até tiroteio. Fatalmente iria acontecer um arrastão por aqui.

Resolvemos prevenir”, diz a publicitária Valéria Inati. Segundo especialistas, existem dois tipos de criminosos que fazem arrastão. As quadrilhas que atacam condomínios e as que atacam restaurantes têm perfis diferentes. As primeiras agem em número maior e são mais bem armadas. São mais preparadas, estudam melhor o crime antes de cometê-lo. As segundas são menores, nem sempre bem armadas, porém mais perigosas. Precisam ser rápidas e, em geral, contam com a presença de menores de idade.

As empresas que atuam no setor têm detectado uma demanda maior por informações dos condomínios e dos comerciantes. “Nos últimos anos houve um aumento substancial de consultas sobre medidas de segurança por parte de síndicos de prédios. Já os donos de estabelecimentos comerciais nos procuram para saber sobre equipamentos, como câmeras”, afirma João Palhuca, vice-presidente do Sindicato das Empresas de Segurança Privada de São Paulo. São medidas válidas, afinal essas iniciativas podem amenizar o problema, mas sem uma ação efetiva da polícia não há como solucioná-lo. Para tanto, é preciso investir em investigação. De acordo com Guaracy Mingard, professor de direito da Fundação Getulio Vargas (FGV) e ex-subsecretário nacional de Segurança Pública, a Polícia Civil paulistana tornou-se máquina de fazer boletim de ocorrência. “Quase nada é apurado, só 5% dos roubos, em geral, viram inquéritos”, afirma. “Para reprimir os arrastões é preciso boa investigação criminal e prisão dos responsáveis. Assim, os outros ficam com medo porque sabem o risco do crime.”

Até o ano passado, os maiores alvos das quadrilhas eram edifícios com supersensores de movimento, câmeras de alta qualidade, segurança reforçada. “Os criminosos eram altamente qualificados, e nós demorávamos meses para prendê-los, pois não deixavam rastros”, diz o delegado Mauro Fachini, responsável pelas investigações de roubos desse tipo em São Paulo. “Atualmente, eles são mais amadores e buscam condomínios com segurança menos reforçada.” Há duas semanas, o prédio do personal trainer Cristiano Maffra, 34 anos, ficou sob o jugo de 16 bandidos durante quatro horas. No edifício, no bairro da Aclimação, o síndico foi agredido e os 11 apartamentos saqueados. “Acho que eles nunca escolhem o lugar para roubar ao acaso. Sempre tem alguém de dentro do prédio que passa alguma informação”, afirma o personal trainer. Experiência semelhante viveu a arquiteta C., de 43 anos, em fevereiro. Bandidos passaram a noite em seu prédio, em Higienópolis, e o apartamento dela serviu de cativeiro para 25 moradores. “Os assaltantes tinham informações privilegiadas de pelo menos duas pessoas, faziam perguntas diretas sobre eles e sobre seus bens”, conta ela, que precisou de terapia para superar o trauma. É preciso uma ação efetiva da polícia para que a população não seja refém em sua própria cidade.

Revista Istoé/SP

Para coronel, restaurantes têm de gastar com segurança

Ele diz ainda que, além de analisar comida e higiene, cliente deve ver se local tem vigias
William Cardoso – O Estadão de S. Paulo – O Estado de S.Paulo

SÃO PAULO – Para o tenente-coronel João Luiz Campos, comandante do 7.º Batalhão da Polícia Militar, responsável por Higienópolis, os clientes “precisam começar a escolher os restaurantes que frequentam levando em consideração também a segurança oferecida pelo local”. “Além da qualidade da comida e da limpeza, é preciso também saber se oferece seguranças e câmeras, por exemplo”, disse.

Segundo o tenente-coronel, o público que frequenta os restaurantes do bairro é o alvo preferido dos assaltantes, por andar com objetos como iPhone e relógios valiosos. Ele fala também que ninguém gosta de ficar em um restaurante com um vigia observando tudo, mas muitas vezes isso é necessário.

“Existe um investimento em segurança que significa também um custo em relação ao conforto. Tem de começar a fazer essa conta para ver o que vale a pena”, afirma o PM.

O coronel falou também que a Rua Sergipe não era, até então, um local que representasse preocupação para a Polícia Militar. Ele explicou que o policiamento é destacado a partir dos boletins de ocorrência e de reuniões com os conselhos de segurança, por isso, é importante também o envolvimento da população com o assunto. “Polícia nenhuma no mundo consegue resolver tudo.”

Além da mudança no efetivo, o tenente-coronel disse que conversou com o sindicato de bares e restaurantes para fazer seminários alertando como se proteger em situações como os arrastões.

Pânico
Os dois arrastões desta semana já provocam mudanças na rotina de alguns moradores de Higienópolis, que relatam pavor e medo de também serem atingidos pela onda de insegurança. “Estou apavorada. Meu filho, que sempre vai sozinho para a escola, hoje (ontem) à tarde já foi acompanhado”, afirmou a psicóloga Márcia Lazzarotto, de 48 anos.

Colega de Márcia, a também psicóloga Denise Montroni, de 47 anos, teme que o bairro perca parte de sua identidade com a recente onda de violência. “É preocupante. Aqui é um bairro em que costumamos fazer tudo a pé, não podemos perder isso”, disse. O cozinheiro Erivan Camilo, de 36 anos, afirmou que nunca foi vítima de arrastão, mas que se preocupa todos os dias com essa possibilidade. “Graças a Deus, nunca aconteceu. Mas, se acontecer, não vou reagir. Acho que a segurança é muito fraca; falta polícia nas ruas”, afirmou.

A avaliação é semelhante à da chefe de bar Dani Pelayo, de 22 anos. “Deveriam investir mais em segurança. A polícia poderia passar mais vezes.”

Rotina
A preocupação com os arrastões mudou também a forma de atuação dos seguranças do bairro na última semana. É o caso de Arnaldo Caetano Júnior, de 31 anos, que trabalha em uma locadora. “Com os arrastões, sempre converso com o pessoal que trabalha nos condomínios da frente, trocando informação sobre quem passa na rua.

A partir das 22h, também não posso mais ficar parado no mesmo lugar, circulo bastante, para não ser um alvo fácil.”

Entre os manobristas, sempre os primeiros a serem feitos reféns pelos ladrões, também existe o medo de serem as próximas vítimas. “Não dá para diferenciar o bandido do cliente, porque eles chegam em bons carros e bem vestidos. Temos de atender a todos muito bem, por isso é perigoso”, diz Augusto Francisco dos Santos, de 32 anos.

O publicitário Sidney Haddad, de 52 anos, vê os arrastões em Higienópolis como parte de tudo o que acontece na cidade. Ele disse que também sai à noite com frequência. “Como vai controlar tudo isso? O que você pode fazer”, questionou.

“A gente tenta evitar de todas as maneiras, sempre troca informações com os outros restaurantes. Mas é algo que não cabe a nós. Vamos esperar que seja algo passageiro”, disse Renato Ades, dono de um restaurante.

O restaurante Carlota abriu normalmente ontem e alguns dos clientes se mostraram surpresos com o fato de o lugar ter sido alvo de um arrastão na noite anterior.

Número de arrastões em restaurantes e condomínios de São Paulo assusta moradores

Só em 2012 já foram registrados 26 arrastões em restaurantes e condomínios da cidade. No último domingo, 30 pessoas foram rendidas durante ação violenta em uma pizzaria.

A ação violenta dos bandidos tem sido uma das características dos arrastões em restaurantes e condomínios de São Paulo. No domingo (27), 30 clientes comiam em uma das mais tradicionais pizzarias da cidade, quando seis homens bem vestidos anunciaram o assalto. Eles foram agressivos e roubaram carteiras, celulares e bolsas.

A polícia está no encalço das quadrilhas, que já realizaram 26 arrastões na cidade só este ano. Na semana passada, policias apreenderam uma parte do arsenal usado pelos bandidos e já descobriram como as quadrilhas costumam agir. No caso das invasões de condomínios, os ladrões costumam usar disfarces para enganar os porteiros e moradores.

Já os arrastões em restaurantes duram em média, cinco minutos, e no máximo dez minutos. Os assaltantes costumam estudar muito bem o ambiente e também programar quanto tempo o assalto vai demorar.

Por isso, é muito importante que a vítima desse tipo de crime saiba como se comportar. “Jamais esboçar reações diferentes e, se for o caso, avisar que vai buscar a carteira. Não encarar o criminoso, pois para ele é uma ofensa. Sempre que solicitar pertence entregue”, explica o porta-voz da Polícia Militar de SP, capitão Cleodato Moisés.

O capitão orienta as vítimas a não negociar com os bandidos: “A não ser que ele dirija algumas perguntas, porque a vitima querendo buscar conversa pode ser uma afronta para o criminoso”.

Outro cuidado importante é estar atento aos movimentos que se faz. “Eles estão tensos e qualquer tipo de movimento, para ajustar a roupa, por exemplo, pode levar o bandido a pensar que a vítima está pegando uma arma ou tentando ligar para a polícia”, alerta o capitão.

O personal trainer Cristiano Maffra ficou trancado com os vizinhos em um depósito, quando 20 bandidos invadiram o prédio onde ele mora. “Você chegava, eles rendiam armados e iam levando para o salão de festa. A gente era amarrado pelos punhos, às vezes pelos pés, amordaçados e íamos sentando no chão, olhando para baixo. Depois eles subiam com cada um desses moradores e iam pegando os pertences no apartamento de cada um. Eles perguntavam o que tinha, você dizia, eles subiam e buscavam tudo”, relata.

Fonte: G1

Após arrastões, polícia reforça vigilância. De novo

Para inibir onda de roubos a bares e restaurantes, a PM vai fazer bloqueios em vias de Pinheiros, Vila Madalena, Itaim e Jardins

A partir de hoje, o patrulhamento em Pinheiros, Vila Madalena, Jardins e Itaim-Bibi, nas zonas oeste e sul de São Paulo, será, mais uma vez, reforçado com o apoio de parte do efetivo do Comando de Policiamento da Capital, da Polícia Militar, para conter a onda de arrastões a bares e restaurantes naquela área. Só em fevereiro, foram registrados pelo menos seis arrastões a estabelecimentos na capital.

A primeira etapa da chamada Operação Repasto, implementada em 16 de fevereiro, não foi suficiente. Na primeira fase, foram usados na operação policial apenas integrantes do 23.º Batalhão da PM, responsável pela área. Quatro viaturas da Força Tática e 24 policiais das Rondas Ostensivas com Apoio de Motocicletas (Rocam) foram direcionados para as proximidades de bares e restaurantes.

Na ocasião, o comando de policiamento informou que, se necessário, seria implementada uma segunda fase, com o apoio de policiais de outros batalhões. É o que acontece agora. Além do efetivo do 23.º BPM, serão deslocados para a região diariamente 50 policiais, 15 viaturas e 14 motocicletas da Rocam.

A decisão foi tomada após a PM realizar levantamentos estatísticos que apontaram a necessidade de aumentar o efetivo nos bairros da região, segundo divulgado em nota. A polícia, no entanto, nega que o reforço tenha sido insuficiente. “O reforço é para que os policiais do próprio batalhão voltem às atividades normais, evitando a migração do crime para outras áreas”, afirmou o capitão Eliel Pedro Thomazi Romero, porta-voz do 23.º Batalhão.

Bloqueio
Para inibir a ação dos criminosos, a PM pretende até mesmo fazer bloqueios nas principais vias dos bairros, além de manter viaturas paradas em pontos estratégicos para aumentar a visibilidade da ação.

Em nota, o tenente coronel Walmir Martini, comandante da área, afirmou que os policiais pretendem entrar em contato com comerciantes da região para colher informações sobre os assaltantes e dar dicas de segurança.

A Operação Repasto (o nome foi abandonado nesta segunda fase) teve início depois que os restaurantes Nello’s Cantina e Pizzeria, em Pinheiros, e Clos de Tapas, na Vila Nova Conceição, foram alvo de arrastões, na primeira quinzena de fevereiro.

A intenção da polícia era evitar que se repetisse nas zonas oeste e sul da capital a onda de assaltos ocorrida no primeiro semestre de 2011, e que só foi interrompida depois da desarticulação das quadrilhas.

William Cardoso – O Estado de S.Paulo