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Restaurante tem até botão de pânico contra arrastão

Vigias disfarçados, câmeras que captam imagens no escuro e até botão do pânico. O esquema de segurança não é de nenhum banco ou joalheria. São os donos de restaurantes da cidade de São Paulo se preparando para enfrentar a onda de arrastões. Hoje, Dia dos Namorados, a atenção vai ser redobrada nos estabelecimentos.

O governador Geraldo Alckmin (PSDB) – que hoje deve receber representantes de grupos de bares e restaurantes para discutir o problema – determinou que a PM reforce a segurança na área de bares e restaurantes hoje (leia mais abaixo). Desde o início do ano, houve 16 assaltos a bares e restaurantes na capital, segundo levantamento feito pelo JT.

Para evitar se tornar parte da lista, várias casas reforçaram a segurança. Caso um ladrão entre no restaurante My Temaki, no Itaim-Bibi, zona sul, funcionários podem avisar por um alarme, diretamente ligado a uma central de monitoramento.

“Hoje a tecnologia permite que se use um botão do pânico móvel, que parece um chaveiro de carro e aciona a central”, diz um dos sócios do restaurante, Guilherme Defillipi. Inaugurado neste ano, o restaurante Lupercio, nos Jardins, nasceu equipado.

“A gente já estava nessa onda de arrastão”, diz o sócio Carlos Martignago. O local tem 16 câmeras, algumas com zoom. “Assim, é possível focar o rosto das pessoas”, afirma. Além disso, o restaurante tem dois tipos de segurança, um deles a paisana.

No restaurante Salvattore, no Itaim-Bibi, é possível flagrar os criminosos mesmo em um eventual apagão. É que, entre as câmeras do estabelecimento, algumas são de visão noturna. “Nós achamos que isso é um problema de segurança pública. Mas o restaurante tem tomado algumas medidas, diz o gerente Claudio Nogueira.

Prejuízo
Donos de estabelecimentos afirmam que o movimento caiu cerca de 15 % neste ano, mas o frio também pode ter influenciado. E o faturamento de hoje, geralmente 30% maior do que em um dia normal, também pode ser afetado, avaliam. Com medo dos roubos, o restaurante Casa Cardoso, em Perdizes, zona oeste, nem vai abrir para a data.

No restaurante Le Vin, no Itaim-Bibi, zona sul, até ontem à noite o número de reservas estava abaixo do ano passado: 60% das mesas, contra 100% em 2011, disse o maître Alcemir Lima, de 32 anos. Já no restaurante Mercearia do Francês, o maître Cledson Guimarães diz que os clientes, desde o início da onda de arrastões, estão fechando a conta uma hora mais cedo, por volta das 22h.

Essa situação fez com que vários estabelecimentos já tenham procurado a PM para pedir aumento no patrulhamento mesmo antes do governador anunciar o reforço no policiamento para o Dia dos Namorados. O Mercearia do Francês foi um deles. “Há um mês os policiais aumentaram as rondas e começaram a entrar no restaurante para ver se está tudo bem”, disse Guimarães

Alvos estudados
Para o consultor de segurança José Vicente da Silva, ex-secretário nacional de Segurança Pública, os criminosos que atacam restaurantes costumam estudar os alvos com antecedência. “Eles procuram fazer uma ação rápida para conseguir um benefício minimamente adequado e com o menor risco possível.”

Artur Rodrigues, Felipe Tau, Gio Mendes, Tatiana Gerasimenko, Tiago Dantas e Valéria França

Polícia Federal fecha empresa de segurança clandestina em SP

Moradores de bairro formaram grupo de vigilantes em Ubatuba.
Associação foi notificada a encerrar serviços sem autorização.
Do G1 SP

Uma empresa de segurança privada clandestina foi fechada pela Polícia Federal nesta quarta-feira (25) em Ubatuba, no Litoral Norte de São Paulo. Os agentes chegaram ao local através de denúncias de abusos por parte de seguranças contratados por uma sociedade de moradores de um bairro. Materiais usados pelos vigilantes foram apreendidos.

De acordo com a assessoria de imprensa da Polícia Federal, após as denúncias, uma equipe foi ao local nesta quarta e constatou que amigos do bairro formaram um grupo de vigilantes para realizar rondas e abordar pessoas em área pública. Eles usavam cassetete, rádios sem licença da Anatel e faziam rondas e abordagens na região.

A associação foi notificada a encerrar os serviços de segurança privada sem autorização.

Casos anteriores
Em 2011, a Polícia Federal fechou outros dois grupos de vigilantes que atuavam sob comando de associações de bairro sem a devida autorização da Polícia Federal na região de São Sebastião.

De acordo com assessoria de imprensa da PF, as reclamações chegam à polícia quando moradores que optam por não se associarem às entidades de bairro sentem-se coagidos e ameaçados pelas associações.

Segurança em condomínios

Certamente, o maior sonho de quem vive em condomínio é a segurança, a tranquilidade e a qualidade de vida como um todo. Infelizmente, para muitos moradores, o mito da segurança está indo por água abaixo e as estatísticas mostram que estes crimes evoluíram e aumentaram nos “negócios do crime”. Então o que fazer? Existe como estar em segurança e ter a “sensação de segurança”?

Inicialmente, é preciso encarar a segurança de maneira profissional, com planejamento, gestão estratégica e obviamente, este trabalho deve ser realizado por especialistas que estejam comprometidos com as reais necessidades dos clientes, assessorando passo a passo no planejamento e na gestão dos processos. Invariavelmente, o caminho em busca da solução desejada passa pela elaboração de um diagnóstico apontando os pontos fortes e fracos, as vulnerabilidades e ameaças a que estão expostas o condomínio, com avaliação das variáveis do ambiente interno e externo. Com as informações preliminares, partimos para uma análise de riscos com a identificação, quantificação e matriciamento dos principais riscos, a probabilidade de ocorrerem e os impactos que podem causar.

Outro engano é ter a “sensação de segurança” sem realmente estar seguro. Isso ocorre nos casos onde algum investimento é feito (câmeras, cercas, vigilantes etc.), mas não de forma correta gerando a impressão de que se está seguro o que talvez seja ainda pior do que o sentimento contrário. Mesmo em condomínios onde temos sistemas eletrônicos (câmeras, alarmes, proteção perimetral, rondas e vigilantes), é comum o resultado de um diagnóstico ou auditoria de segurança apontar diversas vulnerabilidades nos sistemas, recursos e processos implantados, motivo pelo qual, mesmo os condomínios que investem em alguma segurança também são vítimas de marginais.

Para prospectar ainda mais este cenário selecionamos alguns dados estatísticos desta modalidade de crime: em 30% dos casos os marginais pularam os muros; 80,5% dos condomínios assaltados possuíam equipamentos de segurança; em 33,7% dos casos, mais de uma unidade foi invadida; em 66,4% das ocorrências a abordagem foi violenta e entre os itens mais roubados estão dinheiro, celulares e jóias. Ressalte-se que estes são os dados em que são registrados boletins de ocorrências. Neste contexto e com todos estes dados podemos definir um plano de ação que vai determinar quais as ações corretivas e preventivas que devem ser implantadas e qual a prioridade de investimento.

Após a discussão destes processos podemos elaborar um projeto integrado de segurança e descreveremos todos os recursos (tecnológicos, humanos e organizacionais) necessários para minimizar os riscos encontrados. Oportuno salientar que todo este trabalho deve ser fundamentado não só na experiência dos profissionais envolvidos, mas também em ferramentas de trabalho (softwares, matrizes, planilhas, diagramas etc.), bem como metodologias claras e muito bem definidas visando inibir, reduzir e em alguns casos até eliminar as possibilidades das ocorrências, mantendo, além das estratégias acima citadas, uma rotina de auditorias e um monitoramento local e remoto dos principais sistemas implantados, com recursos de pronta resposta a incidentes.

Por Wanderley Mascarenhas de Souza
Oficial da Polícia Militar do Estado de São Paulo,doutor em Ciências Policiais de Segurança e Ordem Pública. Fundador e 1º Comandante do Grupo de Ações Táticas Especiais GATE) e do Esquadrão Antibomba.

PM reforça policiamento nas áreas comerciais de São José


Objetivo da corporação é prevenir ocorrências de roubos e furtos em áreas de aglomeração de pessoas às vésperas do Dia das Crianças

O Vale – São José dos Campos

A Polícia Militar organizou nesta semana um policiamento especial em regiões comerciais de São José dos Campos.

O intuito é evitar roubos e furtos em áreas onde houver aglomeração de pessoas em busca de presentes para o Dia das Crianças.

O efetivo de policiais a pé foi reforçado e também estão sendo realizados bloqueios em avenidas que dão acesso às áreas mais movimentadas.

Ontem e hoje, o foco foram áreas comerciais no calçadão, em praças e centros comerciais das zonas norte e oeste. Na quarta-feira, a ação será direcionada para eventos em praças e parques.

Operação
Para reforçar o policiamento, os policiais do setor administrativo foram deslocados para fazer rondas.

“Nas regiões de comércio, priorizamos policiais a pé e de bicicleta. Nos bloqueios, haverá viaturas. Esse policiamento é extra, não irá onerar o efetivo que temos diariamente”, diz a capitão Jaqueline Aparecida Ferreira Pires, chefe de comunicação da PM nas regiões central, norte e oeste de São José.

Os policiais também conversam com a população para dar dicas de segurança.

“Com relação às crianças, orientamos aos pais que as ensinem a decorar nome e telefone de casa para o caso de se perderem. Se a criança não conseguir, coloque uma etiqueta ou algo que facilite a identificação”, diz a capitão.

Operação da PM aumenta efetivo em 30% em todo o Vale

Claudio Capucho
Objetivo é inibir ações criminosas nas áreas com maiores índices de violência

Filipe Rodrigues – O Vale
São José dos Campos

A Polícia Militar iniciou ontem uma megaoperação contra o crime que irá durar uma semana em todas cidades do Vale do Paraíba.

Durante o período, o número de policiais em patrulhamento irá aumentar 30%. O reforço será em áreas com grande circulação de pessoas e regiões com índices criminais elevados.

Ontem, foram feitos bloqueios nos acessos às cidades e intensificadas as abordagens a pedestres, motoristas e motociclistas.

Em São José, na região central e nas zonas norte e oeste, até às 18h de ontem, cinco pessoas tinham sido presas e um menor de idade apreendido.

Em Taubaté, o foco da ação foram roubos e furtos de veículos. 136 veículos e 183 pessoas foram revistadas. Quatro motos foram apreendidas.

Operação
O efetivo foi reforçado nas áreas com mais crimes e horários com mais ocorrências. A operação “Visibilidade Estratégica” aconteceu das 11h às 23h.

“De manhã, houve saturação de policiais no centro das cidades. À tarde, foram pontos de bloqueio”, diz a capitã Sonia Paula Hamad.

Para garantir o reforço, foram canceladas todas as folgas de policiais e PMs do setor administrativo também atuaram no patrulhamento.

“A intenção é reduzir os índices criminais e garantir sensação de segurança. Também queremos nos aproximar da população”, diz a capitã.

São José
Na cidade, a operação começou às 7h30 e seguiu até às 23h. Até as 11h, um efetivo menor foi empregado para fazer rondas em regiões com maior incidência de roubos e furtos na cidade.

Após as 11h, cerca de 35 viaturas reforçaram a segurança na região central. Às 16h, o alvo foi o trânsito, com blitze nas vias mais movimentadas.

O resultado parcial nas regiões central, norte e oeste apontava para 947 pessoas e 635 veículos revistados.

Sete carros foram apreendidos por falta de documentação e duas armas apreendidas.

Ocorrências
A primeira ocorrência em São José aconteceu às 8h. Durante uma abordagem a cinco homens no bairro Por do Sol, zona oeste, quatro fugiram correndo e um dos rapazes foi preso na hora.

Houve perseguição, um dos fugitivos foi preso e, com ele, foi encontrado um revólver calibre 38. Os outros três rapazes continuam foragidos. Ao questionar os homens sobre a fuga, eles disseram estar de posse de três carros roubados, que foram recuperados.

Também foram cumpridos mandados de prisão. Um dos homens presos foi o médico C.L.W, 50 anos, condenado a sete meses de prisão por dirigir embriagado.

Bicicleta ajuda PM nas rondas

Aaron Kawai

Policiais ciclistas de São José estão atuando principalmente em áreas comerciais da cidade e começam a ter ganhar confiança da população

Filipe Rodrigues
São José dos Campos

Policiais em bicicletas têm sido a principal arma da Polícia Militar para combater a criminalidade na região central de São José.

Segundo a corporação, os policiais ciclistas são escolhidos para atuar, principalmente em áreas comerciais.

“A bicicleta chega em alguns locais que é impossível chegar com a viatura. Também é mais discreta e mais rápido que o policiamento a pé”, diz o capitão Marcelo de Oliveira Garcia.

No primeiro semestre deste ano, os policiais em bicicletas foram responsáveis por 12 flagrantes de roubo, furto e tráfico de drogas. Cerca de 2.000 pessoas foram abordadas e, entre elas, oito foragidos foram recapturados.

Quando o policial ciclista faz o flagrante, ele chama uma viatura de apoio, que ficará responsável pelo transporte do preso. “É um apoio aos outros policiais”.

Comunidade
A facilidade de comunicação de um ciclista também é um ponto que tem feito a PM investir neste tipo de policiamento.

“A ordem que damos ao policial de bicicleta é que ande sempre bem devagar, no máximo 5km/h e procure descer da bicicleta, conversar com quem está na rua e oferecer o serviço da PM aos cidadãos”.

As bicicletas foram implementadas em 2003. No início, eram dois policiais por dia na região central, agora são 10 e o número pode aumentar.

Atualmente, todas as companhias da PM atuam com ciclistas. Além das áreas comerciais, eles atuam em praças.

“Quando precisamos fazer algum levantamento em praças, eles são a prioridade para fazer este tipo de trabalho devido à mobilidade”.

Polícia começa a usar helicóptero em rondas na via

Aeronaves são equipadas com câmeras e vão auxiliar policiamento feito com motos e tentar identificar os criminosos

16 de junho de 2011 | 0h 00
Camilla Haddad – O Estado de S.Paulo

A PM começa hoje a usar helicópteros do Grupamento Aéreo para patrulhar a Marginal do Pinheiros, principalmente entre as Pontes do Morumbi e Ary Torres, onde foram registrados arrastões contra motoristas parados no congestionamento.

O helicóptero Águia vai sobrevoar a região em horários estratégicos para orientar o policiamento terrestre, que será feito por motos das Rondas Ostensivas com o Apoio de Motocicletas (Rocam). A ideia é identificar criminosos e prendê-los em flagrante. Outra vantagem dos helicópteros, segundo a PM, é a iluminação da via. As aeronaves poderão iluminar as pistas com holofotes, o que também ajudará no policiamento. Desde janeiro, cinco pessoas foram detidas pela PM na região. Outros dois adolescentes foram apreendidos no dia 11 de maio depois de danificar o vidro do carro de uma advogada de 33 anos. Ela teve a bolsa levada.

Apoio
O coronel da reserva da PM, Carlos Alberto de Camargo, que já foi comandante da corporação, afirma que, no caso das Marginais, é fundamental que os policiais em moto tenham o apoio do Águia. “Tudo tem de ser perfeitamente integrado”, diz. “São vias com muitas saídas. Por isso é normal que se use helicóptero para acompanhamentos”, afirma Camargo.

Segundo o oficial, o ideal é que viaturas também fiquem paradas nas entradas e saídas dos viadutos e pontes, onde os casos têm ocorrido com mais frequência. Somado a isso, ele destaca a importância de câmeras para registrar a movimentação de pessoas e carros por ali.

Camargo afirma que as aeronaves têm um sistema de imagens e sons que podem ser repassados em tempo real. O equipamento é conhecido como “Olho de Águia”. Para ele, no entanto, os casos de assalto na área só serão reduzidos se a Polícia Civil ajudar na investigação de quadrilhas e grupos criminosos.

SP tem média de dez arrastões por mês a restaurantes, diz associação

Abrasel SP informa que capital já teve 50 casos de ataques desde janeiro.
G1 teve acesso a vídeo que mostra ação de criminosos em comércio.

Kleber Tomaz e Paulo Toledo Piza
Do G1 SP

Restaurantes continuam sofrendo arrastões em São Paulo. De acordo com a Associação Brasileira de Bares e Restaurantes de SP (Abrasel SP), em média, dez estabelecimentos comerciais são assaltados por mês na capital paulista. A entidade possui cerca de 2 mil associados em todo o estado, incluindo casas noturnas.

Os ataques ocorrem, na maioria das vezes, à noite. Para entrar nos comércios, os criminosos se passam por clientes. Armados, os assaltantes costumam agir com violência e rapidez. As ações costumam durar menos de cinco minutos. Em geral, quando a polícia chega, os assaltantes já fugiram em carros que ficam estacionados na frente dos restaurantes. O G1 teve acesso à cópia da gravação de um vídeo que mostra um desses arrastões.

As imagens mostram seis homens entrando correndo no local. Um deles exibe a arma e anuncia o assalto. Enquanto um vigia a entrada do restaurante, outros passam pelas mesas recolhendo os pertences das pessoas: telefones celulares, relógios e carteiras com dinheiro e cartões. Funcionários se escondem em um cômodo do restaurante. Para não serem vistos, eles apagam as luzes e o computador.

Segundo o vice-presidente da Abrasel SP, Ricardo Bartoli, mais de 50 casos de arrastões a restaurantes ocorreram na cidade de janeiro a maio. “Arrastões a restaurantes não vão acabar nunca. Assim como roubam todos os dias postos de gasolinas, joalherias e atacam caixas eletrônicos, também assaltam restaurantes. O negócio é inibir. E isso vai melhorar com mais policiamento”, diz Bartoli.

O número de casos de arrastões em São Paulo pode ser maior do que o informado pela associação. Isso porque muitos proprietários dos comércios não registram queixa dos crimes na polícia. Eles têm receio de que a “publicidade negativa” possa afastar a clientela.

A Polícia Militar precisa dessas informações onde aconteceram os assaltos para elaborar estratégias de segurança pública com patrulhamentos e rondas ostensivas. Já a Polícia Civil necessita dos dados para investigar os roubos. Sem eles, não é possível identificar os criminosos e recuperar o que foi levado dos clientes, funcionários e donos.

Zona Sul
No mês de maio, seis comércios nos bairros dos Jardins, Itaim Bibi e Brooklin foram assaltados, segundo comerciantes na região Sul da capital paulista e policiais civis e militares ouvidos pelo G1. Apesar disso, só três desses roubos foram registrados em delegacias.

“Eu não vejo necessidade de se fazer um boletim de ocorrência porque ficamos muito tempo esperando na delegacia. Além disso, só roubaram R$ 300 do nosso caixa”, conta Valmir Mondini, sócio-proprietário do Juca Alemão, restaurante especializado na culinária germânica no bairro Monções, assaltado no último sábado (28).

O caso só foi conhecido porque nove dos clientes vítimas do arrastão decidiram comunicar o crime no 96º Distrito Policial, no Brooklin.

“Foi terrível. Eu e cinco pessoas de minha família estávamos dentro do restaurante Juca Alemão quando ouvimos uma gritaria e muitos palavrões. Percebemos que era um assalto e fizemos o que os criminosos pediram. Eram cinco. Três deles usavam armas. Eles usavam blusas com capuzes e gritavam para não olharmos para eles. Dois outros senhores que olharam foram agredidos fisicamente. O assaltante esmurrou o peito de uma das vítimas”, diz o analista de sistemas Pablo Sebastian Gollan Carrreras, de 34 anos.

“O restaurante Juca Alemão parece não ter circuito de imagens. Estamos procurando câmeras nas ruas próximas para tentar identificar os criminosos. Também vamos elaborar uma ação conjunta com a Polícia Militar para aumentar o policiamento na região para coibir esse tipo de crime”, afirma o delegado titular do 96º Distrito Policial, no Brooklin, Eduardo de Camargo Lima. Segundo ele, desde o início deste ano, aconteceram outros três casos semelhantes na área.

Restaurante italiano
Na noite de 2 de maio, uma segunda-feira, o La Pasta Gialla, restaurante italiano na Cidade Jardim, também na Zona Sul, foi alvo de arrastão. Oito pessoas, a maioria clientes, deram queixa do roubo no 15º DP, no Itaim Bibi. Segundo as vítimas, seis homens, alguns armados, entraram correndo no estabelecimento por volta das 23h. Na fuga, os criminosos usaram um carro Tucson da cor preta.

O La Pasta Gialla diz, em nota, que a equipe “agiu conforme treinamento, protegendo a integridade das pessoas que se encontravam no local, e fazendo boletim de ocorrência do ocorrido, para que a polícia possa dar andamento na investigação do caso”. “A casa lamenta o transtorno ocasionado aos seus clientes e aguarda pelo resultado da investigação e punição dos responsáveis.”

Funcionários do restaurante disseram ao G1 que policiais militares foram contratados para fazerem bicos como seguranças no local. O La Pasta Gialla não confirma essa informação.

“E se esse segurança disfarçado de policial estiver armado? Se ele matar alguém numa troca de tiros? A obrigação de dar segurança é da polícia. É dela. Quem tem que garantir a segurança do comércio é polícia com rondas nas ruas e operações para coibir esses arrastões aos restaurantes”, diz o vice-presidente da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes de SP, Ricardo Bartoli.

Pizzaria
Outro caso de assalto foi registrado no 15º DP no mês passado. Ocorreu na noite de 26 de maio na Cristal Pizza Bar. Quatro vítimas procuraram a polícia para prestar queixa. Segundo os clientes, eles jantavam quando quatro homens armados invadiram o estabelecimento e roubaram os pertences das vítimas. Procurada para comentar o assunto, a Cristal diz que registrou queixa para colaborar com a polícia.

“Estamos empenhados em eliminar essas quadrilhas que agem realizando arrastões. Vamos intensificar nossos trabalhos de investigação para identificar os culpados”, diz o delegado titular do 15º DP, Paul Henry Bozon Verduraz

Uma das armas das polícias para tentar identificar os criminosos é analisar as imagens gravadas pelas câmeras dos estabelecimentos roubados ou de prédios vizinhos.

Zona Oeste
Em março, uma onda de arrastões assustou os frequentadores e donos de restaurantes da Zona Oeste. Para inibir os arrastões, a Polícia Militar passou a realizar mais rondas na região. O resultado foi uma queda no número de roubos. A sensação dos policiais é que os ataques migraram agora para a Zona Sul.

“Para esses casos de roubo, que as ligações são imediatas, nosso tempo de resposta é rápido. A gente não pode passar de três minutos para chegar ao local”, diz o coronel Marcos Roberto Chaves, comandante do Policiamento da Polícia Militar na capital. “Da mesma maneira onde intensificamos vigilância a caixas eletrônicos, também estamos intensificando perto dos restaurantes, como foi na Zona Oeste e como está sendo agora na Zona Sul.”

Para o vice-presidente da Abrasel SP, existem outras alternativas para inibir os arrastões a restaurantes. “Os donos dos estabelecimentos devem adotar o uso de câmeras, botões de acionamento direto com a PM e segurança particular ajudam nesse sentido. Outra coisa: se tem poucos clientes na casa, garçons devem ficam mais próximos da porta. E é sempre bom manter manobrista na porta da casa. Além de procurar iluminar bastante a casa”, diz Bartoli.

“Além do medo de levar um tiro, toda a família teve um prejuízo de R$ 2 mil, mas não vou mudar minha vida por causa de ações criminosas”, diz o analista de sistemas Carrreras, vítima do arrrastão no Juca Alemão.

Pedestres são as principais vítimas de assalto nas vias de SP

17/05/2011 08h27 – Atualizado em 17/05/2011 08h27

Houve registro de 1867 boletins de ocorrência no primeiro trimestre.
Avenida 23 de Maio encabeça lista dos corredores com mais assaltos.

Kleber Tomaz e Paulo Toledo Piza

Do G1 SP

Vítima ficou com problemas auditivos após assalto (Foto: Kleber Tomaz/G1)

Vítima ficou com problemas auditivos após assalto (Foto: Kleber Tomaz/G1)

 

Enquanto a Prefeitura de São Paulo implanta nas ruas ações para diminuir os atropelamentos, na calçada a preocupação é da Polícia Militar. Segundo dados da corporação, os pedestres são o principal alvo dos criminosos.

Dados estatísticos das forças de segurança revelam que as vítimas de “roubo a transeuntes” fizeram 1867 boletins dessa natureza na Polícia Civil nos três primeiros meses deste ano. Os números superam o roubo de veículos, que teve 721 queixas no mesmo período. O terceiro crime mais comum nas ruas de São Paulo é o assalto a motoristas no trânsito, com 474 casos de janeiro a março. O assalto a pedestres também é mais frequente que assaltos a imóveis residenciais e comerciais, a bancos, a transportes coletivos e que roubos de cargas.

De acordo com a Polícia Militar, o pedestre costuma registrar mais ocorrências de roubo do que quem foi assaltado dentro do seu automóvel, por exemplo, pelo fato de não ter que enfrentar trânsito. Apesar de o número de casos de roubo a transeuntes do primeiro trimestre de 2011 ser menor se comparado ao mesmo período do ano passado, quando foram feitas 2499 ocorrências, os dados desse tipo de crime ainda são considerados elevados e trazem sensação de insegurança para a população.

Levando-se em conta os dados oficiais, a via mais perigosa para uma pessoa caminhar em São Paulo é a Avenida 23 de Maio, com 120 queixas de roubos no primeiro trimestre, uma média de mais de um caso por dia. Esse corredor é a principal ligação dos bairros da Zona Sul até a região central da cidade, com 3,2 quilômetros de extensão.

Há ainda relatos de vítimas de assaltos em outras vias da cidade. “Até hoje só escuto um zumbido no meu ouvido direito”, diz um homem de 57 anos que ficou com problemas auditivos após ser agredido por um assaltante no início deste ano.

Ele conta que o criminoso lhe deu uma coronhada e levou seu dinheiro na Avenida Engenheiro Luís Carlos Berrini, no Brooklin, na Zona Sul de São Paulo. A via aparece em 30ª posição no ranking das 40 vias mais perigosas para um pedestre caminhar. “É muito comum ocorrerem assaltos a pedestres aqui.”

A Prefeitura implantou recentemente uma zona de proteção ao pedestre para protegê-lo de atropelamentos no trânsito, mas, além dos perigos que corre ao atravessar as ruas, o pedestre também engorda os índices de criminalidade como vítima de assaltos.

“Os bandidos aproveitam para atacar quando os funcionários deixam o serviço, perto das 18h, 19h”, fala Maria Aparecida de Lima, de 46 anos, outra vítima de assaltos na Berrini. “Nunca vou esquecer o dia. Me roubaram em 19 de abril.”

Roubo a veículos
Os índices de roubo a veículos aparecem na segunda posição, com 721 ocorrências neste ano. Em 2010, foram 872 casos no mesmo período comparativo.

A Marginal Pinheiros é a via onde mais ocorrem roubos de veículos em São Paulo, com 87 registros no primeiro trimestre deste ano. Se for feita uma comparação com o mesmo período no ano passado, quando 135 carros foram roubados, houve uma diminuição considerável de crimes na região – queda de 35,5%.

Em seguida está a Avenida Marechal Tito, com 62 roubos, e a Avenida Sapopemba, onde 48 carros foram roubados. O corredor formado pelas avenidas Senador Teotônio Vilela e Sadamu Inque fica em quarto lugar, com 45 casos.

As outras seis vias mais perigosas, e seus respectivos números, são: avenidas Cupecê (40), Giovanni Gronchi (39), corredor formado pela Avenida Presidente Tancredo Neves e Rua das Juntas Provisórias (também com 39), Avenida Professor Luís Ignácio de Anhaia Mello (28), Avenida Mateo Bei (26) e a Estrada de Itapecerica (26).

Assalto a motoristas
Reportagem publicada pelo G1 em 12 de maio mostra que o aumento constante da frota de veículos em São Paulo, estimada atualmente em 7 milhões de unidades, provoca congestionamentos quilométricos nas principais vias da cidade e facilitam a ação de criminosos. Segundo a Polícia Militar, a lentidão no trânsito está diretamente relacionada aos assaltos a motoristas na capital. Os assaltantes costumam agir com motos ou até mesmo a pé. As vítimas são condutores de carros, caminhões, ônibus e motociclistas.

Levantamento feito pela PM mostra quais são os 35 corredores de São Paulo onde o condutor corre mais risco de ser roubado. Os dados, obtidos pelo G1, levam em conta as 474 ocorrências registradas no primeiro trimestre deste ano em todas as vias da capital. No ano passado, foram 611 casos do mesmo tipo de crime.

Em números absolutos, a Marginal Pinheiros é a via com mais assaltos a motoristas no município, com 97 casos apenas neste ano – média de mais de um roubo por dia.

PM
O Comando de Policiamento da PM informa que tem conhecimento da incidência dos crimes citados nesta matéria e realiza rondas ostensivas constantemente nas vias para tentar diminuir o número de ocorrências.

De acordo com o coronel Marcos Roberto Chaves, comandante do Policiamento na capital, patrulhamentos feitos pela Ronda Ostensiva sobre Motos (Rocam) são constantes nos principais corredores. “Os números totais de roubos a pedestres, veículos e assaltos a motoristas diminuíram neste ano em relação ao mesmo período do ano passado por conta da ação da Polícia Militar. Isso é fato. E vamos continuar realizando ações para diminuir mais ainda esses índices”, afirma o comandante.

A PM ainda estuda a implantação de bases comunitárias móveis e bolsões de estacionamento para motos da corporação em toda a extensão da marginal como medida para reduzir os crimes no corredor.