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O estado de violência

“Do rio que tudo arrasta se diz que é violento. Mas ninguém diz violentas as margens que o comprimem.” A frase lapidar de Bertolt Brecht pode ser o ponto de partida para uma reflexão sobre a sensação de insegurança que, segundo recente relatório da ONU, é a maior do mundo e atinge 70% dos brasileiros. São Paulo, a maior metrópole do País, registra 1% dos homicídios do mundo, mesmo tendo só 0,17% da população global. Os indicadores do estado de violência na capital – assassinatos, estupros, roubos de cargas e de veículos, arrastões – aumentaram seguidamente nos últimos meses (homicídios, 47% em junho), expandindo as correntes de medo e comoção, que desaguaram no assassinato de Tomasso Lotto, italiano de 26 anos que escolhera o Brasil para morar e trabalhar. Lotto chegou na sexta e morreu no sábado, 21.

A constatação do secretário de Segurança Pública, Antonio Ferreira Pinto, de que São Paulo vive uma “escalada de violência”, devendo se encaixar o homicídio do jovem italiano na paisagem de eventos corriqueiros que ocorrem “em Cidade Tiradentes, em Itaquera e no Jardim Ângela”, não responde à questão central: qual a razão do pico de violência no ciclo em que 30 milhões de brasileiros entram no andar da classe C? Ou, para seguir a pista oferecida pelo dramaturgo alemão, não teria havido descompressão das margens para aliviar a carga de violência do rio? Algo soa estranho. O Brasil do resgate social da era Lula, cantado em prosa e verso porque transformou sua pirâmide em losango com o adensamento das classes médias e o estreitamento das margens de pobreza, aponta para uma composição menos desigual, mais harmônica e, por isso mesmo, menos conflituosa.

Essa é a leitura apropriada de uma paisagem pintada com os traços da distribuição de renda e de menor desigualdade entre classes. A recíproca é verdadeira. Apregoa-se que a exclusão social desencadeia violência por transformar a indignação, a contrariedade de amplos contingentes, a fúria de grupamentos marginalizados em linguagem e arma contra a ordem estabelecida. Os excluídos da mesa social, explicam a sociologia e a psicologia, tendem a ultrapassar as fronteiras da sociabilidade e da civilidade, distanciando-se de práticas civilizatórias da modernidade e se aproximando da barbárie. Atos radicais contra pessoas e organizações constituiriam reflexo de tal condição. Como se pode aduzir, as hipóteses parecem lógicas. Mas não são as únicas que explicam a fenomenologia da insegurança e da harmonia social.

Observe-se, por exemplo, a aparente contradição entre a expansão do progresso social, aqui entendido como elevação dos padrões de vida de classes menos favorecidas, e o incremento da violência no País. Basta analisar as taxas de criminalidade que se expandem no Sudeste, região que detém o maior PIB nacional. Desde a década de 70, os homicídios quadruplicaram em São Paulo e triplicaram no Rio de Janeiro. Mais de cem pessoas morrem no Brasil todos os dias, vitimadas por armas de fogo. No Rio a taxa é maior que o dobro da média nacional. Os motivos são conhecidos. Ali, ao longo de décadas, travou-se uma luta renhida entre traficantes e forças policiais, dentro de uma complexa anatomia urbana, ocupada por favelas que, até há bem pouco, eram consideradas território imune ao império da lei. Hoje, o “país” informal dominado pela criminalidade cede lugar ao Estado formal, que desenvolve árdua tarefa de pacificação nas comunidades.

Já São Paulo, o maior aglomerado urbano do País, comporta uma população equivalente à de dez cidades de mais de 1 milhão de habitantes. Sua cadeia de problemas se deve ainda ao intenso processo de conurbação que liga a capital a 38 municípios no entorno, formando um agregado de cerca de 20 milhões de pessoas. Com tal gigantismo, não surpreende que a região seja abrigo das maiores carências nacionais, a começar da segurança pública. São Paulo e Rio contabilizam mais da metade dos crimes violentos do País. Chega-se, neste ponto, à indagação central: a elevação dos padrões de cidadania – pelo acesso de contingentes marginais ao mercado de consumo e aos direitos básicos dos cidadãos – contribui para a harmonia social? A considerar a planilha de expansão dos crimes, não. Ora, se a resposta é negativa, que fatores explicam o aumento da violência? O primeiro é, seguramente, a ausência do poder do Estado.

O descaso e a omissão dos governos nas frentes dos serviços públicos essenciais são responsáveis pela institucionalização da violência. Agrupam-se nesse vácuo falhas nas áreas de prevenção da segurança, deficiências dos sistemas de saúde, transportes, habitação, educação, etc. As carências abrem espaço a múltiplas formas de violência. Criminosos fazem do crime seu meio de vida. Bafejados por defasadas leis penais, entram em regime de progressão da pena, ganham indulto e liberdade condicional. E retornam ao mundo do crime. Veja-se mais um dado da desorganização: há 514 mil pessoas presas no País e cerca de 500 mil mandados de prisão aguardando cumprimento, 360 mil só no Sudeste. Que segurança se pode ter diante desse quadro?

Um tipo de violência leva a outro. O desarranjo decorrente da ausência dos braços do Estado induz parcelas sociais a descumprir obrigações, desrespeitar leis, fugir ao império da ordem, como se pode constatar nas violações no trânsito ou nas teias de corrupção que se multiplicam nos subterrâneos da administração pública. E o que dizer da violência do próprio aparato policial, cujas condições de vida digna deixam a desejar, a partir de uma miserável remuneração? A violência que viceja no seio das polícias decorre, pois, da violência institucionalizada, cujo responsável maior é o Estado. À guisa de conclusão, com um adendo à lição de Brecht: além das margens, ninguém diz violentas outras áreas que comprimem o rio.

Gaudêncio Torquato, Jornalista, Professor Titular Da USP; é consultor político e de comunicação

“Lei ‘boazinha’ contribui para aumento da criminalidade”, diz especialista

É grande a sensação de insegurança nas ruas de São Paulo. De acordo com os números divulgados pela Secretaria de Segurança, só no primeiro semestre deste ano, 622 pessoas foram assassinadas na capital. O número de homicídios passou do limite tolerado pela Organização Mundial de Saúde.

O coronel José Vicente, especialista em segurança pública urbana, porém, ressalta que a violência na capital paulistana é a menor entre as capitais brasileiras: “O Brasil é o quinto país mais violento do mundo e, infelizmente, de vez em quando colocam o Rio de Janeiro ou São Paulo como a bola da vez na análise da violência. Mesmo com os índices desfavoráveis, São Paulo é a capital menos violenta do país. Curitiba é três vezes mais violenta, por exemplo”.

Ainda de acordo com o coronel, o “relaxamento” de algumas leis contribui muito para os números altos: “Desde a adoção de uma lei ‘boazinha’ para os criminosos, em julho de 2011, que deixou de mandar muitos bandidos para a cadeia, como, por exemplo, quem porta armas ilegalmente, também por conta da superlotação dos presídios, a justiça tem dado pena mínima para crimes como assalto. Esses fatores contribuem para o comportamento mais violento dos criminosos”.

José Vicente criticou ainda a falta de ações por parte de quem tem o poder nas mãos: “Não temos uma estratégia nacional para a questão da violência. Qual é o plano do governo federal? Qual é a articulação que o governo federal tem com os estados? Nós estamos com uma tragédia de violência. O estado brasileiro precisa ter instrumentos dissuasórios, intimidadores do comportamento dos violentos. Isso significa redução da impunidade em todos os sentidos”.

Globo News

O aumento da violência

Os índices de violência da capital cresceram pelo terceiro mês seguido, segundo balanço da Secretaria da Segurança Pública. E, como há uma tendência de mais aumento no próximo semestre, a criminalidade quase certamente se converterá num dos principais temas da campanha eleitoral para a Prefeitura – ainda que a responsabilidade pelo setor seja do governo estadual. Segundo o balanço, os índices de criminalidade da Baixada Santista, da região metropolitana e do interior também cresceram, mas numa proporção menor do que na cidade de São Paulo.

Na capital, os indicadores são ruins tanto no acumulado do ano quanto em comparação com o mesmo período de 2011. Comparando-se maio deste ano com o mesmo mês de 2011, por exemplo, o número de assassinatos cresceu 21%. Nos primeiros cinco meses de 2012, os homicídios dolosos – quando há intenção de matar – aumentaram 16,3%. Em 2012, os estupros aumentaram 16,7%; os roubos de carga, 10,9%; e os roubos de veículos, 16,3%. Em média, foram roubados 253 automóveis por dia em São Paulo, de janeiro a maio.

Esses são os tipos de crime que mais disseminam a sensação de insegurança entre a população, afirmam as autoridades do setor. Já as mortes decorrentes de acidente de trânsito caíram 14,5%; os latrocínios, 2,1%; e os roubos a banco, 24% (este indicador, contudo, não inclui as explosões de caixas eletrônicos, que são registradas como furto qualificado).

Assim como aconteceu nos meses passados, os índices de criminalidade com maior porcentual de aumento, em maio, foram registrados em áreas fora do centro expandido. No Jardim Mirna e no Jardim das Imbuias, na zona sul, e em Teotônio Vilela, na zona leste, os roubos cresceram 82,2%, 68,8% e 58,4%, respectivamente. Na Freguesia do Ó, na zona norte, os casos de roubo e furto de veículos aumentaram 188,2% e 104,1%, respectivamente.

Ao justificar o aumento dos casos de homicídios dolosos na capital, as autoridades de segurança pública alegaram que o índice oscilou “dentro do padrão de normalidade”, levando-se em conta o tamanho da população. “Para quem perde uma pessoa é triste. Mas, pelo tamanho de São Paulo, há uma oscilação natural”, diz o delegado-geral Marco Carneiro Lima. Já os técnicos do Instituto Brasileiro de Ciências Criminais atribuem o retorno da instabilidade na segurança pública a falhas de planejamento dos órgãos policiais. “Se analisarmos os dados observando os locais onde os crimes aconteceram, vamos notar que o policiamento precisa ser melhorado em determinadas regiões”, afirma o coordenador da Comissão de Justiça e Segurança da entidade, Renato de Vitto.

Dois antigos problemas preocupam as autoridades. Um é o crescente envolvimento, nos crimes contra o patrimônio e contra a vida, de criminosos que aguardam em liberdade o julgamento de seus processos ou foram beneficiados pelo regime de progressão da pena, obtendo indulto e liberdade condicional. Esse é um dos efeitos de leis concebidas com base em modismos doutrinários, como a tese da “humanização da pena”, que permite que os criminosos fiquem pouco tempo presos. “Como pode um autor de triplo homicídio receber direito a regime semiaberto depois de nove anos? O sujeito volta a matar depois de solto. Temos de aproveitar as mudanças no Código Penal para fechar as brechas legais que permitem que criminosos sejam soltos pouco tempo após serem detidos”, diz Carneiro Lima.

O segundo problema apontado pelas autoridades policiais é a crescente participação de adolescentes em assaltos. Por serem menores de idade, eles são inimputáveis, o que os leva a se converter na mão de obra preferencial do crime organizado. Dos 30 presos recentemente por assaltar restaurantes, 14 eram adolescentes. “É por isso que defendemos a diminuição da maioridade penal”, diz o comandante-geral da Polícia Militar, coronel Roberval França.

A tendência de recrudescimento da violência, depois de muitos anos de queda, é preocupante. Os fatores responsáveis por esse aumento são conhecidos.

O Estado de São Paulo

SP tem mais roubo e homicídio pelo 3º mês seguido

Bruno Paes Manso – O Estado de S. Paulo
Dados criminais confirmam tendência de piora, tanto no acumulado do ano quanto em comparação a maio de 2011

SÃO PAULO – Três tipos de crime que assustam tanto ricos quanto pobres estão entre os que mais cresceram na capital paulista nos primeiros cinco meses do ano – homicídios (16,3%), roubos de veículos (26%) e outros tipos de roubo (7,3%). Os dados divulgados nesta segunda-feira, 25, pela Secretaria de Segurança Pública confirmam tendência de piora na criminalidade. É o terceiro mês seguido em que o número de assassinatos aumenta na cidade em comparação ao mesmo mês do ano anterior. Já os roubos têm o quinto mês de piora em comparação a 2011.

Nos primeiros cinco meses na capital também cresceram furtos de veículos (8,6%), roubos de carga (10,9%) e estupros (16,7%). Os crimes que registraram queda são homicídio culposo por acidente de trânsito (-14,5%), latrocínio (-2,1%) e roubo a banco (-24%). No entanto, esse último não inclui as explosões de caixas eletrônicos, que são registradas como furtos qualificados.

No total, 60 dos 93 DPs paulistanos tiveram alta no número de roubos (exceto de veículos). Entre os roubos de veículos, 73 tiveram alta. Assim como nos meses passados, as maiores altas foram registradas em regiões fora do centro expandido: Jardim Mirna, na zona sul, teve alta 82,2% nos roubos e o DP da Nossa Senhora do Ó, na zona norte, tem os maiores aumentos de roubo e furto de veículos – 188,2% e 104,1%, respectivamente.

A situação já tem levado autoridades de segurança pública a buscar alguns antigos argumentos para explicar a alta. O delegado-geral da Polícia Civil, Marcos Carneiro Lima, aponta a sensação de impunidade por parte do autor de homicídio como explicação para a alta. “Como pode um autor de triplo homicídio, depois de nove anos, receber direito a regime semiaberto?”, questiona. “Isso ocorreu em São Paulo e o sujeito voltou a matar depois de solto.”

Estado
Os dados de criminalidade no Estado estão um pouco melhores do que na capital. Os homicídios, por exemplo, apesar de registrarem alta acumulada nos primeiros cinco meses do ano (4,8%), já registraram queda (-3,2%) no mês de maio.

Roubo de veículos (20,9%) e roubo em geral (5,7%), no entanto, mantiveram crescimento no acumulado de janeiro a maio e a tendência se manteve no mês de maio. “As pessoas ficaram um pouco anestesiadas com tipos de crime como roubo de carros, porque faziam seguros que as ajudavam a recuperar o valor do patrimônio perdido.

Nesse clima, as quadrilhas encontraram espaços para crescer”, analisa o delegado-geral.

Segundo Carneiro, a Polícia Civil passou a investigar e prender os receptadores e os desmanches, dificultando o trabalho das quadrilhas organizadas. “Essa foi a determinação que demos para tentar combater essa modalidade de crime.”

Na comparação só entre maio de 2012 e 2011, a capital também está em pior situação que o Estado. A cidade teve alta de 21,4% nos homicídios e queda de 3,2% no Estado. Já os roubos subiram 27,9%, enquanto no Estado a alta foi de 9,8%.

Colaborou Daniel Trielli.

A cada dia, SP tem dez novas câmeras

SP tem hoje um milhão de equipamentos de vigilância eletrônica; aumento no número de roubos eleva a procura por dispositivos

A falta de segurança está transformando a capital paulista cada vez mais em um verdeiro “Big Brother”. Hoje, no caminho entre a casa e o trabalho, o paulistano tem seus passos registrados por, em média, dez câmeras diferentes. No total, São Paulo conta hoje com um arsenal de um milhão de equipamentos de vigilância eletrônica com imagens, segundo estimativa da Abese (Associação das Empresas de Sistemas Eletrônicos de Segurança).

O presidente da entidade, Carlos Alberto Progianti, destaca que a iniciativa privada é quem mais investe na compra de equipamentos de monitoramento: sete em cada dez câmeras em funcionamento na cidade estão em condomínios e em prédios residenciais e comerciais. Os outros 30% são da PM, GCM e órgãos da prefeitura como CET e SPTrans.

De acordo com Progianti, o crescimento do número de roubos é um dos fatores que levam à procura cada vez maior por câmeras. Somente no primeiro trimestre deste ano, foram registrados 27, 5 mil roubos na capital, número 4% superior ao verificado no mesmo período do ano passado. “É uma reação à sensação de insegurança. Desde 2007, o setor de vigilância mantém um crescimento médio anual de 11%”, diz Progianti.

Os condomínios, alvos constantes de ataques de quadrilhas especializadas, são os que mais procuraram novidades no mercado de vigilância eletrônica. Carlos Alberto conta que os empreendimentos de classe média alta e de alto padrão estão investindo em um modelo de câmera de vigilância cujo software, por meio imagens pré-definidas, analisa o potencial de risco oferecido por uma pessoa que circula pelo entorno do condomínio.

Após essa avaliação de perfil, o equipamento envia um aviso de alerta para a central de monitoramento do empreendimento.

Setor público
Hoje, São Paulo conta com cerca de três mil câmeras de vigilâncias instaladas pelo poder público, sendo que 270 delas pertencem à Polícia Militar. O restante é utilizado no monitoramento de parques, praças, prédios públicos e do tráfego. No Orçamento para este ano, a prefeitura prevê o investimento de R$ 23 milhões para o monitoramento do tráfego (CFTV) e mais R$ 22 milhões em um central de monitoramento integrado.

Metro São Paulo

Você já foi assaltado em seu bairro?

Você se sente mais seguro próximo de sua casa ou em locais distantes? É natural que a maioria das respostas tenha o seguinte direcionamento: “Como conheço bem o bairro onde resido, tenho sensação de segurança maior”. Infelizmente, o raciocínio não deve se ater a essa lógica.

Recente levantamento apurou que a maioria dos latrocínios (roubo seguido de morte) ocorrem próximo das residências das vítimas. Cerca de 60% dos assaltos que redundaram na morte das vítimas ocorreram a menos de 3 km do local de moradia. A explicação é simples: como conhecemos bem a região onde moramos, é natural certo relaxamento em relação a segurança pessoal e, consequentemente, ao abandono de atitudes de ordem preventiva.

Coincidentemente, e corroborando com o resultado desse estudo, a maioria dos acidentes de trânsito se dá a poucas quadras da residência dos motoristas, nos permitindo, portanto, aplicação do mesmo raciocínio: como o trajeto é sobejamente conhecido, a tendência é se dirigir sem atenção adequada.

Buda também se preocupou com o tema, quando deixou a seguinte lição de vida: “As pessoas precisam aprender a enxergar e evitar todos os perigos. Assim como um homem sábio se mantêm à distância de um cão raivoso, não devemos nos aproximar dos homens maus”. A experiência adquirida como estudioso do assunto, me fez concluir que as pessoas se tornam mais vulneráveis quando negam a possibilidade de serem vítimas da violência urbana; é o mesmo que tapar o sol com a peneira; não é a melhor estratégia.

A distração e a imprudência nos deixam em posição de risco. Pessoas desatentas e desinformadas sobre métodos de proteção estão mais sujeitas ao perigo. Ser vítima da criminalidade não é um fenômeno do acaso ou fatalidade do destino.

Os riscos podem ser evitados, e o melhor caminho é a prevenção. Por que algumas pessoas são assaltadas com frequência enquanto outras não? Será que é pura sorte? Pode ter certeza de que não há sorte nenhuma envolvida no fato de alguém jamais ter sido roubado.

A verdade é que quem nunca foi vítima de assalto é mais prevenido que quem já foi. Mesmo que inconscientemente, dificulta a aproximação de estranhos, por isso, acaba sendo considerado sortudo quando o assunto é segurança.

Dr. Jorge Lordello

Bandidos atacam em garagens de shopping e mercado

Dos 41 sequestros relâmpagos na região de Santo Amaro neste ano, 38 foram em estacionamentos de centros comerciais
Camilla Haddad/JT

Quadrilhas especializadas em sequestros relâmpagos estão agindo em estacionamentos de shoppings e supermercados de São Paulo. Os assaltantes aproveitam a distração das vítimas para praticar os crimes. “São locais com uma falsa sensação de segurança”, afirma o delegado Alberto Matheus Júnior, titular da 3.ª Delegacia Antissequestro Relâmpago.

Dados da polícia mostram que, nos últimos cinco meses, dos 250 casos de sequestros relâmpagos registrados pela delegacia, 41 foram cometidos na região do 11.º Distrito Policial (Santo Amaro), na zona sul da capital – 38 deles em estacionamentos de centros de compras. A área de atuação dos bandidos inclui garagens nas imediações das Avenidas Roque Petroni Júnior, Vereador José Diniz e Nações Unidas.

A polícia identificou três quadrilhas que agem no bairro. Uma quarta foi desmantelada no mês passado, com a prisão da “gangue das loiras”, que cercava mulheres idosas em estacionamentos de shoppings de luxo. “O criminoso vai procurar facilidade. A zona sul tem grandes shoppings e lojas, além de alto poder aquisitivo, o que atrai os criminosos”, afirmou delegado. “E eles andam bem arrumados, sem causar suspeitas.”

Segundo Matheus Júnior, para agir nos centros comerciais, os ladrões escolhem quem atacar de acordo com o volume de sacolas e objetos ostentados. Mulheres sozinhas em carros são as preferidas. Mas há casos com homens. Em 18 de janeiro, por exemplo, um jovem foi cercado às 22h30, quando entrava no carro, após sair de um shopping da região. Ele foi libertado duas horas depois na Rua Alexandre Dumas.

“Sinceramente, não tomo tantos cuidados. Me sinto mais seguro aqui do que se parasse na rua e não me preocupo tanto”, disse o administrador Roberto Castro, de 41 anos, que estava no estacionamento de um shopping na zona sul na sexta-feira. Ele nunca foi assaltado, mas conhece amigos que foram rendidos no ano passado em um mercado da mesma região.

O especialista em segurança pública e privada Jorge Lordello lembra que antigamente estacionamentos costumavam registrar furtos de carros e estepes. Agora, têm sido alvo de sequestros de curta duração. “Shoppings têm orientado a segurança a convidar quem fica esperando alguém sozinho dentro do carro a aguardar fora do veículo, em lugar movimentado”, afirmou. “É para minimizar os riscos.”

O capitão da PM Cleodato Moises disse que ladrões preferem locais com maior concentração de comércio para atacar. “Eles sabem que nesses lugares as pessoas têm um cartão para gastar.” Em supermercados, a situação é a mesma. “Ali as pessoas também vão colocar as compras no carro e podem estar distraídas.”

Cuidados
A Associação Brasileira de Lojistas de Shoppings negou que tenha havido uma onda de sequestros. A entidade informou que ocorreram, no máximo, dois ou três casos. A Associação Paulista de Supermercados (APAS) disse que somente os mercados podem comentar o assunto.

O MorumbiShopping, que está na rota de ação das quadrilhas, informou que, diante do aumento de casos, vem intensificando os cuidados e adequando procedimentos. Por questão de segurança, o Shopping Vila Olímpia não quis comentar o assunto. Já o SP Market não respondeu.

Prefeitura de Santos instala nove câmeras de monitoramento em centros comerciais


Secretaria de Comunicação de Santos / Foto: Tadeu Nascimento

A Prefeitura de Santos firmou nesta segunda-feira (5) parceria para instalar mais nove câmeras de segurança do SIM (Sistema Integrado de Monitoramento) no Gonzaga e na Avenida Pedro Lessa. Além destas, há cerca de uma semana está em operação uma câmera na entrada de Santos (Av. Nossa Senhora de Fátima com Av. Martins Fontes).

Os mais recentes investimentos foram anunciados pelo prefeito João Paulo Tavares Papa durante reunião com representantes do comércio, supermercados e bancos e vereadores, no salão nobre. Serão seis câmeras no Gonzaga, compradas com recursos do CDL Gonzaga e Shopping Miramar, e por meio de emenda parlamentar.

As câmeras serão instaladas nos seguintes trechos: Av. Ana Costa com a Praça da Independência, com Rua Otton Feliciano e com a Av. Francisco Glicério; nos cruzamentos da Av. Floriano Peixoto com R. Pereira Barreto; R. Marcílio Dias com R. Otton Feliciano e R. Galeão Carvalhal com R. Carlos Afonseca.

Já os três equipamentos da Av. Pedro Lessa, adquiridos com emenda parlamentar, serão colocados nas esquinas com a Av. Senador Dantas, canal 5 e Rua Lacerda Franco.

Somadas a outras 18 câmeras que serão subsidiadas pela Petrobras no Valongo, Vila Mathias, Paquetá, Vila Nova (área do Mercado Municipal) e Centro Histórico, por meio de convênio já formalizado com a prefeitura, Santos praticamente dobrará o número de câmeras de monitoramento. Hoje, estão em operação 30 distribuídas na orla da praia, Alemoa, Centro e uma móvel.

“Já temos um dos mais modernos sistemas de monitoramento do país e bons índices de segurança, que podem avançar e melhorar. Esse investimento deve ser expandido através de parcerias para proporcionar à população o melhor em termos de segurança”, diz Papa.

Segundo ele, o grande investimento de implantação foi feito pela Prefeitura, que também promove a manutenção do SIM. Sua operação é compartilhada entre Administração Municipal, CET (Companhia de Engenharia de Tráfego) e polícias Civil e Militar. “O desafio agora é ampliar a rede de monitoramento, por meio de parcerias com a iniciativa privada”.

Cada câmera custa aproximadamente R$ 40 mil. O presidente do CDL (Câmara de Dirigentes Lojistas) Santos-Praia, Nicolau Obeidi, aprovou as medidas: “Elas darão mais tranquilidade ao centro comercial do Gonzaga e à cidade inteira, além de propiciar maior sensação de segurança à população”.

Equipamento
O sistema de monitoramento santista opera 24 horas e tem grande alcance, pois conta com câmeras blindadas e de boa captação noturna. Elas possuem capacidade de rotação e até 800 metros de zoom, incluindo raio de 1.600 metros.

O monitoramento permite também melhor controle do trânsito pela CET e mais rapidez de atuação em casos de acidentes, congestionamentos e outras ocorrências.

Desde sua implantação, em 2006, contribuiu na redução de até 70% da incidência de roubo nos locais servidos por câmeras. As imagens gravadas também servem de subsídio para investigações e como provas para a justiça e polícia.

Fonte: Jornal da Orla