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Rifa do crime: PCC cria seu “show de prêmios”

Raquel Marques

Dinheiro arrecadado pela facção ajuda a pagar honorários de advogados e a comprar as cestas básicas destinadas aos parentes dos detentos
Agência BOM DIA

A sorte bate à porta dos presídios. O ‘show de prêmios’ criado pelo PCC (Primeiro Comando da Capital) dá a chance de presos e familiares ganharem carros e motos 0 Km. O dinheiro arrecadado pela facção ajuda a pagar honorários de advogados e a comprar as cestas básicas destinadas aos parentes dos detentos. A informação consta nos relatórios do MP-SP (Ministério Público de São Paulo) e da CPI do Sistema Carcerário.

A ‘rifa do crime’ funciona da seguinte maneira. Integrantes do PCC vendem, todo mês, números para o sorteio de cinco prêmios. São carros, motos, computadores e, acredite, até mesmo apartamentos.

Organização
Para o sorteio, o PCC usa os números da Loteria Federal. “Um indivíduo do alto escalão do PCC faz a aquisição de veículos e, em torno do valor de tais bens, são elaboradas rifas, do tipo ação entre amigos, com 120 a 140 números”, diz um trecho do relatório do Ministério Público.

“Essas rifas são posteriormente entregues aos membros da facção criminosa, que têm a obrigação de vendê-las. Ao término das vendas, há o sorteio e a entrega do prêmio. O dinheiro arrecadado configura o chamado progresso da família.”

Estadual
O ‘show de prêmios’ acontece nos presídios estaduais comandados pelo PCC. Os nomes dos ganhadores, segundo relatório da CPI do Sistema Carcerário, são escritos em folhas de papel almaço e afixados na paredes de cada unidade prisional.

E nem sempre os vencedores estão atrás das grades. “Na parede do pátio do presídio estava colada uma lista dos ganhadores da ‘rifa do PCC’ e que trazia o resultado dos cinco ganhadores do mês: os três primeiros ganharam carros 0 km. O quarto e o quinto colocados levaram motos, também 0 km. Dois dos cinco ganhadores estavam presos e os outros três compraram os seus números nas ruas”, diz um trecho do
texto.

Além de lucrar com o tráfico e outros crimes, o PCC tem uma outra maneira de financiar o crime: explorando a sorte dos detentos e seus familiares.

Facção tem departamento específico para cuidar das “promoções”
O PCC (Primeiro Comando da Capital) tem um departamento exclusivo para cuidar do ‘show de prêmios’. Esses integrantes ficam responsáveis por criar sorteios e oferecer prêmios para ajudar o caixa da facção criminosa, nascida em Taubaté em 1993.

O ‘Partido’, antes com poder centralizado, mudou a sua própria estrutura. Hoje, está tudo descentralizado, divido em células, as chamadas ‘sintonias’.

O ‘código 12’, relacionado ao Vale do Paraíba, é um dos subgrupos da ‘Sintonia do Interior’.

Além dessa ‘sintonia’, o PCC mantém ‘sintonias’ da ajuda (que fornece dinheiro para presos e parentes deles), prazo (relaciona os devedores), ‘bicho-papão’, a rifa (cria sorteios e dá prêmios), da rua (coordena os ‘irmãos’ livres), dos presídios, dos salves (é responsável pela divulgação das ordens da cúpula), do livro (cadastra os que entram na facção) e dos gravatas (advogados).

Tráfico de droga é o carro-chefe do grupo
As rifas promovidas pelo PCC (Primeiro Comando da Capital) reforçam o caixa da facção criminosa, mas a maior parte da grana sai do tráfico de entorpecentes.

A venda de drogas é o carro-chefe das finanças do grupo. No Vale do Paraíba, a organização cadastra os pontos de venda de droga. Além disso, seus integrantes praticam roubos, sequestros e homicídios. Parte dos assassinatos é ordenada pelo tribunal da facção, que faz papel de promotor, juiz e também de carrasco.

Fonte: O Vale

Comando da Polícia Civil cobra mais resultados no Vale

Maio 12, 2011 – 05:00

O delegado geral disse ontem, em Taubaté, que a corporação deve priorizar investigação de crimes

Luara Leimig – O Vale
Taubaté

Diante da violência e dos índices criminais na região, o comando da Polícia Civil do Estado de São Paulo cobrou ontem mais agilidade e rigor nas investigações de crimes no Vale do Paraíba. Homicídios, tráfico de drogas e crimes contra o patrimônio devem ser as prioridades dos policiais.

O delegado geral de Polícia Civil de São Paulo, Marcos Carneiro Lima, esteve na manhã de ontem reunido por três horas na Delegacia Seccional de Taubaté com os delegados de todas as seccionais da região e o comando do Deinter 1 (Departamento de Polícia Judiciária do Interior).

Durante a reunião o delegado cobrou empenho dos delegados e pediu que toda a polícia da região esteja focada em fazer o trabalho que é de responsabilidade e competência da Polícia Civil, o de investigar.

“Os investigadores e delegados têm que ir para a rua, estar em campo colhendo provas para conseguir sustentar inquéritos que produzam efeito para o judiciário durante os processos, não esperar que as provas caiam na delegacia por meio de denúncias e encaminhar processos sem provas que depois o Ministério Público não consegue levar adiante. O trabalho da Polícia Civil é investigar e não fazer patrulhamento e blitze, isso cabe a PM”, disse.

Segundo Lima, ele vai acompanhar o desenvolvimento do trabalho dos delegados na região e cobrar resultados efetivos.

Integração com PM – Outra cobrança apresentada na reunião foi o de estreitamento do trabalho integrado com a Polícia Militar. Para o delegado geral é preciso que as duas corporações apoiem uma a outra no trabalho.

Efetivo – Segundo Lima, a região deve receber efetivo de reforço de policiais civis, mas ainda não existe uma data definida para que isso ocorra. “Já estão ocorrendo concursos para a seleção de novos homens que virão para o Vale do Paraíba, mas eles ainda precisam passar pelo período na academia de polícia e somente no segundo semestre poderemos contar com este reforço.”

O número de efetivo que deve ser deslocado para o Vale também não foi definido. Outra proposta divulgada ontem pelo delegado para tentar otimizar o trabalho da polícia foi a reestruturação dos cargos, que segundo o delegado, passarão dos atuais 14, para sete, liberando mais homens para os setores de investigação.

Criminalidade – O aumento da violência em Taubaté, que já registrou pelo menos 26 assassinatos este ano e esclareceu quatro, também chamou a atenção do delegado.

“Não adianta você ter índices em queda, mas com ocorrências de crimes violentos que chocam a população ocorrendo na cidade, é preciso uma ação rápida.”

PM desencadeia operação para reduzir índices criminais

Ações tem como alvos cinco cidades da região que juntas concentraram 65 dos 98 casos de homicídio registrados no primeiro trimestre de 2011 no Vale do Paraíba; Trabalho começou ontem em São José

Filipe Rodrigues – O Vale
São José dos Campos

A Polícia Militar realizou ontem uma ofensiva nas zonas Sul e Leste de São José dos Campos contra o aumento da violência na região.

A ação contou com cerca de 250 homens e irá se repetir — cada dia em uma cidade — em Taubaté, Guaratinguetá, Ubatuba e Caraguá, ao longo da semana.

Ontem, a polícia recapturou nove foragidos, fez três prisões em flagrante e apreendeu 13 veículos, além de 17 motos.

Entre os presos, está Jeová da Silva Coelho, 27 anos, acusado de matar um policial militar, durante ataques do PCC (Primeiro Comando da Capital), em maio de 2006.

Operação. Para reforçar a segurança, a PM remanejou policiais de folga e do setor administrativo de todas regiões do Vale.

Segundo a corporação, as cidades escolhidas tiveram aumento nos principais índices criminais. “São regiões que apresentaram números preocupantes e vamos fazer este trabalho para coibir o crime nestas áreas”, diz o major Nilson Souza Silveira.

O trabalho focou no combate às armas e tráfico de drogas, além da busca por foragidos da Justiça.

“A maioria dos crimes está relacionada ao tráfico de drogas. Tirando drogas e armas das ruas, conseguiremos diminuir estes índices”.

Cada dia, policiais farão o trabalho em uma destas cidades. Por segurança, o cronograma não foi divulgado.

Combate. Participaram da ação 40 veículos de Força Tática, 40 motos, além do helicóptero Águia, veículos da Base Comunitária Móvel e policiais descaracterizados.

“Por meio das estatísticas, constatamos as áreas mais perigosas. Além de blitze, fizemos rondas e abordagens a pedestres”, diz.

O trabalho começou às 17h de ontem e seguiu até a 1h de hoje. Um balanço parcial aponta que até às 21h, foram abordadas 1.412 pessoas, 394 veículos, além de 423 motos e 98 bares fiscalizados.

“O resultado foi positivo, já que conseguimos retirar criminosos das ruas e, durante as abordagens, demos a sensação de segurança às pessoas”, diz o tenente Geraldo Leite Rosa Neto, comandante de Força Tática da PM.

Estatísticas. As cinco cidades concentram 65 dos 98 homicídios que aconteceram no primeiro trimestre no Vale.

São José e Taubaté foram os principais responsáveis pelo número — foram 24 vítimas em São José e 22 em Taubaté. Caraguá (9), Guará (6) e Ubatuba (4) completam os dados.

Em todas estas cidades, o número de homicídios cresceu na comparação com o primeiro trimestre de 2010.

ENTENDA O CASO

Operação
Cadadia, uma cidade, entre as cinco com maior alta nos índices criminais, receberá a ação da PM esta semana

Crimes
A meta da corporação é apreender armas, drogas e foragidos da justiça

Motivo
A polícia acredita que roubos e homicídios, estão, em sua maioria, relacionadas ao tráfico de drogas

Números
São José, Taubaté, Guará, Ubatuba e Caraguá concentraram 65 dos 98 casos de homicídio registrados no Vale do Paraíba no primeiro trimestre de 2011

Resultado
Em São José, a polícia capturou nove foragidos, entre eles, um homem acusado de ter matado um policial em 2006.

Vale precisa de mais 5.000 PMs

 

Média na região é de um policial para 578 pessoas; corporação afirma que planejamento estratégico cobre áreas de maior risco
SÃO JOSÉ DOS CAMPOS
O efetivo da Polícia Militar no Vale do Paraíba deveria contar com 5.000 policiais militares a mais, segundo uma orientação da ONU (Organização das Nações Unidas).
A organização defende que deve haver um policial militar para cada 250 pessoas.
Hoje, a corporação possui 3.800 policiais para cobrir uma área de 2,2 milhões de pessoas em 42 municípios da região. Uma média de um policial para cada 578 pessoas.
A corporação reconhece que o efetivo está abaixo do esperado, mas afirma que faz um planejamento estratégico para cobrir áreas em que há mais risco de crimes.
Para Paulo José de Palma, promotor da Vara de Execuções Criminais da Comarca de Taubaté, o baixo número de policiais é apenas um dos itens que influi para a criminalidade (leia texto nesta página).
Policiamento
Os policiais militares são responsáveis pelo policiamento preventivo.
Para o tenente-coronel Luís Augusto Guimarães, comandante interino da PM no Vale, a corporação busca compensar a falta de oficiais com o trabalho de inteligência.
“Fizemos uma reavaliação há alguns anos. Há áreas tranquilas em que colocávamos muitos policiais, sendo que não era necessário. Eles foram realocados em áreas mais degradadas”, afirmou.
De acordo com ele, a Secretaria de Segurança Pública está tentando resolver o problema da falta de policiais por meio de concursos públicos.
Recentemente, vieram 300 policiais para o Vale. Agora, está tendo um outro concurso.
Para o promotor Palma, o número de policiais está defasado em relação ao crescimento da população.
“Se checarmos o número de policiais nos anos anteriores, veremos que eles não acompanharam o crescimento da população. É uma de nossas brigas junto ao estado. Também não há um número suficiente de policiais civis. As investigações estão prejudicadas”, disse o promotor.
Dados
No primeiro trimestre deste ano, o Vale registrou nova queda no índice de homicídios. Mesmo assim, São José e Taubaté, as duas maiores cidades da região tiveram aumento de 50% nos assassinatos.
“Estamos fazendo operações para atacar o tráfico de drogas, que hoje é o principal causador de mortes. Em algumas regiões, conseguimos controlar. Em outras, estamos nos esforçando, disse Guimarães.
Segundo ele, o tráfico também acaba provocando outros crimes. “Nossa meta é chegar no médio traficante, que é quem distribui a droga.”

Fonte: O Vale