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Segurança Eletrônica Sustentável – o marco da integração e da qualidade de vida

Historicamente, segurança era um privilégio de algumas castas.
Depois, com o tempo, tornou-se uma necessidade da classe média e, hoje, popularmente, é um desejo de paz da população, como também não deixa de ser um dever do Estado.

Na década de 80, a segurança eletrônica era um privilégio de poucas empresas dedicadas a projetos e engenharia em processos e sistemas. Já na década de 90, com a disseminação dos equipamentos de intrusão e CFTV, a segurança quase se tornou commodity. Mas, devido às demandas e necessidades de mercado, percebeu-se que dar segurança ou aprimorar a prevenção não era apenas um negócio dos assuntos da segurança pública, nem tão pouco destinado por força de Lei a empresas privadas autorizadas ou a sofisticados sistemas de tecnologia.

Ela é um conjunto de coisas e fatores e por isso precisa da integração, de desenvolvimento de novos métodos, da revisão de conceitos e aceitação da possibilidade de descobrir sempre algo diferente e inovador que ninguém fez ainda.

Mas, isso só é possível se tentarmos fazer algo novo. Os jogos Panamericanos da cidade do Rio de Janeiro, as intervenções das favelas nos morros cariocas através das famosas e populares UPPS ou mesmo mais recentemente na Rio + 20, são conjuntos de ações e fatores quer sejam momentâneos ou prolongados, mas que devem ser estratégicos e eficientes. Afinal, o objetivo final é a busca do controle, da comodidade, da paz e da longevidade e se, por um período, isso é possível, talvez o prolongamento desse modelo também seja. O maior desafio é criar sustentabilidade a esse processo do modelo conjunto: segurança pública, segurança privada, segurança eletrônica e sociedade. O conjunto desconstrói barreiras ao invés de perpetuá-las.

Ao final das Olimpíadas de Londres, o COI (Comitê Olímpico Internacional) reviu os conceitos e demonstrou a verdadeira preocupação de unificar esforços para a proteção e a paz social. E pensa-se em agregar legislações cada vez mais contemporâneas do ponto de vista da inclusão ao invés da exclusão, ampliando a participação no conceito de prevenir e controlar.

São nesses eventos múltiplos que percebemos o quão importante é pensar na sustentabilidade, na integração, no respeito aos diversos setores e segmentos que cuidam da segurança e colaboram com ela em seus vários atos na cena social. Isso demonstra que a delegação e privilégio não é uma reserva única de mercado nem direito adquirido de nenhum setor, ele é extensível e deveria ser integrado à segurança orgânica, à segurança privada, à segurança eletrônica, à segurança policial, aos órgãos de inteligência das forças armadas, às guardas municipais, às associações comunitárias e aos voluntários. A tendência de existir uma única guarda pretoriana é um equívoco.

O Brasil possui diversos problemas em segurança pública e deficiências na segurança privada que precisam de desenvolvimento. Nenhum desenvolvimento se faz pela exclusão, mas pela inclusão de parceiros rumo ao objetivo chamado qualidade de vida. Ninguém no aspecto social possui as chaves para as soluções da segurança de forma isolada.

O setor de segurança eletrônica no Brasil veio para ficar, e tem total conhecimento de que sozinho não é a solução, mas parte dela. Ela se tornou o meio inteligente capaz de mensurar, planejar e colaborar com o restante da segurança.

Pensando por esse aspecto, uma empresa, um governo, um líder, uma organização precisa pensar em segurança com o lado multilateral, e os serviços de prevenção não são apenas conjuntos de coisas tais como: pessoas treinadas, uniformes, armas de fogo, métodos, veículos ostensivos ou somente tecnologia. Na verdade é a soma de tudo isso incluindo políticas públicas, direitos humanos, saúde e educação.

Segurança é acessibilidade, é inclusão, é inserção comunitária, é educação, é saúde, é meio ambiente, é esporte, é organização urbana, é transferência de tecnologia, é democracia, é participação. A segurança para a qualidade de vida é muito mais penetrante e envolvente do que repressora, não é excludente, beneficiadora de setores, paradigmática, erradicante, e sim, mais participativa e assertiva, inteligente, planejada, empreendedora e criativa.

Os saltos econômicos a que serão alçados os brasileiros devido à economia nos próximos anos, oferece lugar para todos nesse nicho de comércio extraordinário do consumo. Existem regiões brasileiras fora do eixo do sudeste e sul que estão crescendo a taxas maiores que muitos países europeus em quatro décadas. Pesquisas mostram que o mapa de consumo e desenvolvimento do país precisa ser muito mais heterogêneo nas propostas e delicadamente audacioso, do que simplesmente ficar fazendo as mesmas coisas sempre.

A segurança eletrônica por meio da ABESE e FENABESE, e da força da indústria por meio das feiras de negócios como a Exposec, mostram a vocação importante desses segmentos, indústria, distribuidores, revendas, integradores, gestores de riscos, engenheiros e consultores de segurança, além de sua grande participação estratégica na integração de recursos e modelos de prevenção, não apenas com o conceito de acessibilidade de ferramentas, mas na participação do conjunto, planejando e executando planos de segurança.

Em 2013, a segurança privada da segurança eletrônica será responsável por centenas de projetos em municípios de pequeno e grande porte, auxiliando os poderes executivos na implementação de projetos que visam o aprimoramento da segurança pública e não somente a venda de equipamentos.

As pesquisas sobre violência nas universidades não deixam mais de citar o importante componente da segurança eletrônica no que diz respeito à implantação de projetos de monitoramento, proteção passiva e gravações de imagens que colaboram muito no esclarecimento de crimes e fraudes diariamente em todo o Brasil.

Isso significa dizer que a segurança eletrônica atingiu sua maturidade e pode ser ouvida e ter seu lugar nos assentos de decisões de segurança privada no país. Esse importante segmento deixa de ser apenas os números de vendas de equipamentos de proteção, para se tornar uma importante base de pesquisa e apoio para a prevenção em nosso país.

Dessa forma para o futuro, nós brasileiros teremos uma grande missão pela frente, pensar a segurança para a qualidade de vida, desse outro jeito, inclusiva, criativa, sustentável, profissional, gerencial e algumas vezes mais simples que sofisticada. A solução da segurança é objetivar a qualidade de vida, muito mais do que simplesmente sentir-se seguro, uma sensação que as vezes é momentânea e irreal.

O Congresso Internacional promovido pela ABESE tem esse apelo de fazer as coisas acontecerem por meio da promoção de novas idéias e significados não apenas tecnológicos, mas conceituais e de forma simples.

Como dizia Leonardo da Vinci: “O último degrau da sofisticação é a simplicidade”. As respostas, às vezes, estão nas coisas mais fáceis e simples de fazer. Tomara que no futuro agreguemos mais e compliquemos menos.

Sejam bem-vindos à inovação de um novo CIS 2012.

*Ronaldo Elias Pena é especialista em segurança estratégica e negociação, consultor e assessor sênior da Reitoria da USP. Coordenador do GETS – USP. Membro da Socie dade Brasileira para o Desenvolvimento da Segurança e Serviços. Gestor de Relações Institucionais. Formado no Insead – França – pelo Blue Ocean Institute e Pesquisador.

Paraisópolis ganha ‘UPP à paulista’

Após investir em operações repressoras para combater crimes no Morumbi, na zona sul, a Polícia Militar agora aposta no policiamento comunitário dentro de Paraisópolis. No último sábado (dia 17), duas novas bases móveis passaram a funcionar nas ruas da favela. Os equipamentos foram utilizados como exemplo para a polícia carioca na criação das Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs).

Outra base já existente, na entrada da comunidade, continuará aberta para melhorar a sensação de segurança do bairro. O Morumbi enfrenta uma onda de violência desde o ano passado, quando PMs de outros bairros foram chamados para a região. No último final de semana, pelo menos sete pessoas foram presas por roubar pedestres e tentar atacar residências. Nos primeiros três meses de 2011, 62 casas foram invadidas. Este ano, segundo o tenente coronel Ulisses Puosso, do 16° Batalhão, o número não passa de 20. Os arrastões a restaurantes também preocupam: desde janeiro foram quatro ocorrências assim.

O coronel explica que as bases são inéditas no local e terão seis policiais que não serão trocados. O objetivo é que eles criem um vínculo com a população e até sejam chamados pelo nome. “Queremos dar uma referência para as pessoas e ouvi-las, para criar um elo de confiança.

Fazer o policial ser um mediador de conflitos”, explica o oficial. Além dessas missões, o PM poderá registrar boletins de ocorrência de furtos e receber denúncias.

Nos anos de 2005, 2009 e 2011, Paraisópolis foi palco de três operações Saturação – quando a Tropa de Choque da PM ocupa as ruas e faz um ‘pente-fino’ entre moradores. No ano passado, outra tática foi adotada: a Operação Colina Verde – montada para reduzir os roubos.

Para Puosso, a saturação não é suficiente. “Isso só não resolve, é uma solução imediatista. Estamos num momento à frente. O ideal é utilizar o policiamento comunitário”, acredita.

Julia Titz, presidente do Conselho de Segurança (Conseg) do Morumbi, afirma que a operação Colina Verde foi fundamental para reduzir crimes. “O clima de segurança ficou muito melhor e houve um estreitamento entre a polícia e os moradores”, conta. Já o presidente do Conseg Portal do Morumbi, Celso Cavallini, diz que a chegada das bases móveis vai “irradiar segurança” em Paraisópolis.

O coronel Puosso acrescenta que os índices de violência no Morumbi apresentam queda. Entre 1º de janeiro e 10 de março, foram registrados 20 roubos a residência, ante 62 no ano passado. “Ainda é muito, concordo, mas houve redução significativa.”

Segundo o capitão Sergio Marques, porta voz da PM, o uso de bases móveis é uma tendência na capital. Atualmente, são 93 em operação e outras 47 fixas. O oficial explica que, para trabalhar nesses locais, todos os PMs passaram por um treinamento que varia de uma semana a um mês na Diretoria de Polícia Comunitária e Direitos Humanos (DPCDH).

“A PM de outros Estados vem fazer curso com a gente. Os oficias das UPPs do Rio aprenderam aqui, mas nessa ação, primeiro eles pacificam a área com o Exército e Bope. Isso em São Paulo não acontece. A PM entra em qualquer favela”, lembra.

Camilla Haddad / Gio Mendes – JT