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Dados mostram que criminalidade permanece alta na região

De A Tribuna On-line

Enquanto as ocorrências envolvendo o tráfico de drogas aumentam, o número de homicídios cai na Baixada Santista e Vale do Ribeira. Dados divulgados pela Secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo (SSP) indicam que nos últimos 12 meses houve mais prisões em toda a região (233), mas a incidência de crimes permanece alta, principalmente na temporada de verão, quando aumenta o fluxo de pessoas por todo o litoral.

Só em 2011 foram registrados pelo menos 839 casos de apreensões de entorpecentes. O número representa um aumento de quase 17% em relação ao período anterior, quando houve cerca de 720 ocorrências. Destas, 65 foram flagrantes, que levaram as pessoas ligadas ao crime organizado e os próprios traficantes direto para a cadeia.

Outro índice que também aumentou foi o do furto de veículos que, nos primeiros cinco meses deste ano, registrou total de 2.192 ocorrências em toda a região (9%). A incidência dos demais furtos, que abrange qualquer outra ocorrência que não envolva veículos automotores, também permanece alta, atingindo quase 15 mil casos somente na jurisdição do Deinter-6.

Os roubos ainda não foram controlados, já que houve registro de pelo menos 3% de ocorrências a mais em comparação ao mesmo período de 2010. Nenhuma agência bancária da Baixada e Vale do Ribeira foi assaltada em 2011, entretanto, a Secretaria de Segurança apurou que no período houve 7.188 caos envolvendo roubos gerais, desde caixas eletrônicos até pedestres.

Os bandidos também passam a focar em algo que é bastante presente no litoral, principalmente por causa do Porto de Santos. Pelo menos 133 caminhões tiveram a carga levada pelos bandidos – aumento superior à metade dos índices do ano passado, quando foram registrados 58 casos.

Menos 72 mortos
Em contrapartida, houve uma redução de 22,15% nos homicídios na região nos últimos 12 meses, em comparação com o período compreendido de junho de 2009 a maio de 2010. Foram 253 casos – 72 assassinatos a menos do que no período anterior. De janeiro a maio deste ano, a queda foi de 4,23%, com total de 136 casos, seis a menos do que nos cinco primeiros meses do ano passado.

Em latrocínio, quando há roubo seguido de morte, a Secretaria de Segurança Pública do Estado registrou apenas duas ocorrências a menos em relação aos cinco primeiros meses de 2010. No primeiro balanço deste ano, as delegacias da região registraram ao menos sete casos, dois a menos. Em relação aos últimos 12 meses, houve seis casos a menos do que o mesmo período de 2010.

Notificações
As notificações de crimes também se elevaram, o que contribuiu, de acordo com o SSP, para o aumento das ocorrências. Somente na Delegacia Eletrônica, o número de ocorrências saltou no Estado de São Paulo de 11.860, em janeiro deste ano, para 15.858 em maio.

Também a partir deste ano, as unidades da Polícia Militar passaram a registrar boletins de ocorrência de furto de veículo, desaparecimento ou encontro de pessoas, furto ou extravio de documento, furto ou perda de celular e furto ou perda de placa de veículo.

Homicídios resistem em 54 cidades

Presídios, crack e crescimento desordenado explicam o aumento do número de assassinatos em municípios de quatro regiões de SP

08 de agosto de 2011 | 0h 00

Carlos Lemos, Marcelo Godoy e Rodrigo Burgarelli – O Estado de S.Paulo

Os homicídios resistem em 54 municípios do Estado de São Paulo. Levantamento feito pelo Estado com dados da Secretaria de Segurança Pública mostra que a queda acentuada desse tipo de crime entre 2001 e 2011 (-71,2%) não foi um fenômeno uniforme. Quatro regiões paulistas concentram as cidades que andaram na contramão da evolução da criminalidade: noroeste, nordeste, Vale do Ribeira e litoral.

Por trás desse fenômeno estão a presença de presídios de regime fechado e semiaberto, a proliferação do crack entre cortadores de cana e o crescimento recente e desordenado de algumas dessas cidades.
Para enfrentá-lo, o delegado-geral, Marcos Carneiro Lima, planeja ampliar a atuação do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) para todo o Estado.

“Queremos levar a competência e o padrão de investigação do DHPP para todo o Estado”, afirmou. O levantamento feito pelo Estado levou em consideração somente as cidades cujo aumento de criminalidade por 100 mil habitantes equivalia a três ou mais casos de assassinatos – houve 95 municípios no Estado que registraram uma variação positiva de assassinato de 1 a 2 casos. Nas outras 496 cidades, houve queda nos homicídios ou a taxa se manteve igual ao longo dos últimos 11 anos.

Carneiro apontou a invasão do crack nas áreas rurais do Estado, principalmente em cidades com forte presença de boias-frias, como um dos fatores para explicar a resistência dos assassinatos. Esse seria o caso de Guariba e de Penápolis, que têm na cana de açúcar sua principal atividade econômica.

Em Guariba, foram 5 casos em 2001, mas, este ano, o mesmo número já foi registrado apenas nos seis primeiros meses. Ali o crack chegou primeiro e se espalhou por outras cidades da região de Ribeirão Preto.
Esse é o caso de Penápolis, onde a taxa de assassinatos aumentou quase quatro vezes – de 1,8 por 100 mil habitantes para 6,8. O combate aos homicídios nessas cidades deve passar pelo reforço à repressão às drogas, diz Carneiro.

O levantamento mostra ainda dez das cidades em que houve aumento de homicídios na década tinham em comum o fato de abrigar presídios.
A presença de penitenciárias, de fato, pode causar distorções na estatísticas de homicídios, pois as mortes de presos em brigas na cadeia são registradas nas delegacias das cidades como crimes ocorridos no município. Entre essa cidades estão Valparaíso (100%), Ourinhos(260%) e Presidente Venceslau (228%). “Um ou dois casos de homicídio em cidades pequenas como essas pode fazer uma diferença grande”, afirma o delegado Carneiro.

Litoral e Vale
As duas outras áreas que concentram cidades resistentes são o Vale do Ribeira e o litoral de São Paulo, principalmente a região norte da costa. “A ocupação recente e desordenada em áreas do litoral pode estar por trás disso”, afirmou o coronel José Vicente da Silva, ex-secretário nacional de Segurança Pública. Em Caraguatatuba, o crescimento dos assassinatos ficou em 11% e em Ubatuba chegou a 30%. “A polícia sempre teve dificuldade de manter homens no litoral para preencher seus quadros”, disse.

No Vale do Ribeira, a pobreza da região pode explicar a manutenção das altas taxas de homicídios. Seriam sobretudo casos causados pelo consumo de álcool, por motivos fúteis ou passionais, que, ao contrário dos delitos ligados à crime organizado, são mais difíceis de serem prevenidos.

PARA LEMBRAR

Menor índice em 46 anos

Para se ter uma ideia de como as 54 cidades que tiveram aumento significativo de homicídios estão na contramão do crime no Estado de São Paulo, basta comparar seus dados com os da capital. Em 2001, São Paulo tinha 49,3 assassinatos por cem mil habitantes (5.174 casos). Em 2011, a principal cidade do Estado fechou o primeiro semestre com 470 casos, o que fez a taxa por 100 mil habitantes ficar em 8,3, a menor registrada na capital desde 1965.

Homens invadem centro de distribuição domiciliar dos Correios.

Os carteiros de Praia Grande estão apreensivos devido à onda de roubos que vêm sofrendo nos últimos dias. Nesta segunda-feira, mais dois entregadores foram assaltados e, no sábado, o Centro de Distribuição Domiciliar (CDD) da Vila Caiçara foi invadido para subtração de encomendas.

Por volta das 9h30 de sábado, três homens encapuzados e armados invadiram o CDD, renderam de 10 a 15 carteiros e funcionários e saquearam as encomendas que lhes interessavam.

Enquete: na sua opinião, o que deve ser feito neste caso?

Durante a investida, um assaltante chutou uma vítima para que ela não o visualizasse. Boa parte dos funcionários foi trancada em um banheiro. Os pacotes roubados foram colocados em um carro dos próprios marginais, cuja placa não foi anotada.

“Os ladrões foram direto para o objetivo deles”, disse Márcio Anselmo Farina, diretor de Relações Sindicais do Sindicato dos Trabalhadores dos Correios da Baixada Santista e do Vale do Ribeira. Ainda conforme Farina, os marginais nem passaram por perto das correspondências sem valor.

Roubos frequentes
De julho do ano passado até agora já são aproximadamente 40 roubos contra carteiros em Praia Grande. Só na última sexta-feira houve três casos. A preocupação aumenta porque os ataques também ocorrem em bairros da orla, e não apenas na periferia.

Os ladrões têm interesse pelos talões de cheques e cartões de crédito e bancários transportados, porque eles podem ser usados em estelionatos. Além disso, nos malotes dos Correios são colocadas encomendas valiosas, como relógios, perfumes importados e aparelhos eletrônicos.

O diretor do Sindicato dos Trabalhadores dos Correios, Márcio Farina, anunciou nesta segunda-feira que a categoria poderá paralisar as suas atividades em Praia Grande por um dia, se providências não forem adotadas. “Será uma forma de protestar e exigir uma solução para o problema”, justificou.

Porém, a greve ainda não tem data definida e, se ocorrer, será antecedida de uma comunicação prévia aos Correios e à população. Na sexta-feira, conforme Farina, as diretorias do sindicado e dos Correios na região se reuniram para discutir a série de assaltos.

“Propusemos várias ações para inibir as ações dos assaltantes e garantir maior segurança aos carteiros”, declarou Farina. Uma das medidas sugeridas é a imediata suspensão de entregas de talões de cheques e cartões de crédito. Outra consiste em providenciar a escolta de empresas terceirizadas de segurança aos carteiros que trabalham em áreas mais críticas.

De acordo com o sindicalista, em locais da Capital considerados de risco, os carteiros contam com esse tipo de proteção. O delegado Luiz Evandro de Souza Medeiros, do 1º DP de Praia Grande, determinou aos seus policiais um minucioso mapeamento dos roubos para desencadear uma repressão mais eficaz contra os crimes.

Correios
Por intermédio de sua assessoria de imprensa, em São Paulo, os Correios informaram que estão adotando várias ações para minimizar a incidência de roubos, entre as quais reuniões com a Secretaria de Segurança Pública, com a Superintendência da Polícia Federal, com a Polícia Militar e com o Departamento de Investigações contra o Crime Organizado (Deic).

Outras medidas adotadas, conforme a estatal, são operações conjuntas com os órgãos de Segurança Pública e ações junto ao Procarga (Programa de Combate ao Roubo de Carga do Estado de São Paulo).

Eduardo Velozo Fuccia – A Tribuna

Baixada Santista e Vale do Ribeira reduzem homicídios em 22,15%

A Baixada Santista e o Vale do Ribeira reduziram em 22,15% os homicídios nos últimos 12 meses, em comparação com o período compreendido de junho de 2009 a maio de 2010. Foram 253 casos, 72 assassinatos a menos do que no período anterior. De janeiro a maio deste ano, a queda foi de 4,23%, com total de 136 casos, seis a menos do que nos cinco primeiros meses do ano passado.

A região contribuiu para a queda de 14,73% no número de homicídios dolosos no Estado, registrado nos primeiros cinco meses do ano. Os índices constam nas estatísticas mensais da criminalidade, da Secretaria da Segurança Pública, que este ano passaram a ser divulgadas por mês e por unidade policial.

As estatísticas mostram ainda que, pelo quinto mês consecutivo, o número de homicídios em São Paulo ficou fora da zona epidêmica. A Organização Mundial de Saúde (OMS) considera epidemia 10 ou mais mortes intencionais por grupo de 100 mil habitantes/ano. A taxa de homicídios desses primeiros cinco meses no Estado é de 9,73/100 mil. Mantida a tendência, São Paulo fechará o ano, pela primeira vez fora da zona epidêmica, depois de uma redução de mais de 70% desde 1999. A taxa de homicídios do Brasil é de 25/100 mil.

A redução dos homicídios em São Paulo mostra-se consistente. Nos últimos 12 meses, o Estado teve 528 homicídios a menos – queda de 11,59%. Foram registrados 4.556 crimes contra a vida no Estado, de junho de 2009 a maio de 2010, contra 4.028 de junho de 2010 a maio de 2011.

A Secretaria da Segurança Pública atribui a contínua redução das mortes intencionais em todo o Estado à investigação, identificação e prisão dos autores de homicídios, à melhoria da gestão policial, com aumento do número de policiais militares nas ruas, ao recolhimento de armas ilegais e ao investimento do Estado em segurança pública, inteligência policial e tecnologia da informação.

A região da Baixada Santista e do Vale do Ribeira abrange 23 municípios que, somados, possuem uma população de 1.946.196 habitantes (IBGE – fevereiro/2010), número que sofre considerável acréscimo na temporada de verão.

Eficiência policial
As estatísticas da criminalidade do mês de maio mostram uma melhor eficiência da ação policial. As ocorrências de tráfico de drogas, consideradas um indicador de atividade policial, aumentaram em 120 casos nos cinco primeiros meses do ano, o que representa um acréscimo de 16,69%. O aumento acumulado já chega a 65 flagrantes a mais que no ano passado. De junho de 2010 a maio de 2011 foram 56 apreensões, em comparação com o mesmo período anterior.

O número de prisões efetuadas também aumentou nos primeiros cinco meses do ano, com 233 casos a mais.

Outro medidor de atividade policial, a apreensão de armas ilegais subiu em 9,58% nos cinco primeiros meses do ano. Foram 41 casos a mais, em relação ao período de janeiro a maio de 2010, quando foram registradas 428 apreensões. Esses tipos de ocorrência dependem do trabalho de investigação da Polícia Civil e do policiamento ostensivo da Polícia Militar.

Crimes contra o patrimônio
Os latrocínios – roubos seguidos de morte – diminuíram em duas ocorrências nos cinco primeiros meses do ano, de nove para sete casos. Nos últimos 12 meses, houve 14 latrocínios, seis a menos que no período anterior. Não foi registrado nenhum caso de extorsão mediante sequestro até maio deste ano. No ano passado, no mesmo período, ocorreu apenas um caso. Os roubos a banco foram outro indicador de criminalidade que zerou nos cinco primeiros meses do ano.

Os roubos de veículo tiveram uma oscilação em 25 casos nos últimos doze meses, em comparação com o período compreendido de junho de 2009 a maio de 2010. Os furtos de veículo tiveram um aumento de 8,70% nos cinco primeiros meses do ano. Os roubos subiram em 3,09% de janeiro a maio de 2011. A região apresentou uma oscilação de 12,69% dos casos de furtos nos cinco primeiros meses do ano. Os roubos de carga aumentaram em 75 ocorrências, sendo registrados 132 casos de janeiro a maio deste ano.

Os roubos de carga na região aumentaram em virtude dos crimes praticados em veículos de médio porte, como as vans usadas nos serviços de entrega de mercadorias. As polícias Civil e Militar passaram a monitorar esses casos de modo que diminua o número de casos e as quadrilhas sejam desarticuladas.

As notificações de crimes também aumentaram, o que contribuiu para o aumento das ocorrências. Somente na Delegacia Eletrônica, o número de ocorrências saltou no Estado de 11.860, em janeiro deste ano, para 15.858 em maio. Também a partir deste ano, as unidades da Polícia Militar passaram a registrar boletins de ocorrência de furto de veículo, desaparecimento ou encontro de pessoas, furto ou extravio de documento, furto ou perda de celular e furto ou perda de placa de veículo.

As polícias Civil e Militar estão empenhadas em combater a criminalidade em todas as regiões do Estado. A Polícia Militar irá intensificar, ainda mais, o policiamento e as operações para combater os furtos e roubos de veículo.

Atualizações mais frequentes
Como alertado em abril, quando as estatísticas da criminalidade passaram a ser divulgadas mensalmente, as atualizações de dados informados serão mais frequentes. A maioria das alterações decorre da mudança de natureza criminal, a partir de investigações conduzidas por autoridades policiais. Há, também, casos em que a natureza preponderante muda pela morte da vítima, em momento posterior ao registro.

As estatísticas da criminalidade são utilizadas, em primeiro lugar, para o planejamento operacional das polícias e para tomada de decisões do Governo na área de segurança. Servem, por exemplo, para orientar investimentos e a distribuição de recursos humanos, tecnológicos e materiais. Devem ser um retrato o mais fiel possível da realidade. Por isso, são atualizadas sempre que a autoridade policial conclui ser outra a natureza de um crime.

As atualizações são feitas pela Coordenadoria de Análise e Planejamento (CAP) da Secretaria da Segurança Pública, depois de receber comunicação formal da unidade policial responsável pela investigação. Antes de serem oficializadas, as alterações propostas são checadas pela CAP.

Assessoria de Imprensa e Comunicação da Secretaria da Segurança Pública